
O Doce Amanhã
Tipo
Filme
Ano
1997
Duração
112 min
Status
Released
Lançamento
1997-09-25
Nota
6.9
Votos
442
Direção/Criação
Atom Egoyan
Orçamento
US$ 5.000.000
Receita
US$ 7.951.247
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Um acidente de ônibus escolar provoca a morte de 20 crianças, em uma cidade no interior do Canadá. As famílias em luto são visitadas por Mitchell Stephens (Ian Holm), um advogado que tenta convencer os pais a pedirem uma indenização contra qualquer um que possam culpar. Paralelamente Mitchell enfrenta um drama pessoal, pois sua filha é viciada em drogas. A comunidade está paralisada em sua dor, mas Nicole (Sarah Polley), uma jovem que sobreviveu ao acidente, de sua cadeira de rodas talvez possa ser o testemunho que decidirá este caso.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Impróprio para pessoas com tendência a deprimir, este filme é quase intragável por ser tão confuso.** Este é um daqueles filmes que promete muito, mas acaba por nos dar muito menos do que prometeu. A história começa com um acidente com um autocarro escolar: enquanto uns tentam lidar com o luto e a perda conforme podem, outros vivem a revolta e indignação. E a todos se dirige um habilidoso advogado que vai tentar convencer os pais das crianças a intentarem um processo cível colectivo contra o Município. Uns aceitam de bom grado, outros acham que um processo judicial só vai manter as feridas abertas por mais tempo e querem, simplesmente, paz e sossego. Em meio a tudo isto, o advogado lida com os seus próprios problemas, e com uma filha tresmalhada que se perdeu no mundo da droga. Já tinha visto um dos filmes dirigidos por Atom Egoyan (“Exótica”). Esse filme deixou-me um misto de sensações e não é o tipo de filme que eu queira rever. Da mesma forma, este filme não vai, provavelmente, voltar à minha lista. O director tem potencial, as suas histórias têm o seu charme, mas divaga demasiado graças à escolha de um estilo narrativo em que não é hábil. A narrativa não-linear não é para qualquer cineasta: é preciso saber montar o filme de maneira que o público não se perca com facilidade e isso falhou aqui: o filme é uma confusão brutal até mesmo se o virmos com atenção. É como se eu estivesse a tentar ler uma peça de Shakespeare escrita em post-its numerados, mas todos espalhados pelos móveis e recantos de uma sala. Eu consigo perceber aonde tudo quer chegar, mas tenho de fazer um esforço enorme para não me perder em meio à salada de flashbacks e pormenores irrelevantes com que sou bombardeado. A sensação com que fiquei é que Egoyan tentou alcançar um patamar de profundidade e intelectualidade para a qual não estava preparado. Ele quis dar ao filme um onirismo de carácter quase poético sem, todavia, ter as competências para trabalhar tudo isso da forma mais inteligente. Ele estava, decididamente, a pensar no público intelectual dos festivais de cinema, mas até mesmo este público se sentiu perdido com este material. E quanto ao público mais genérico? Acho que ninguém se sente motivado para ver um filme cheio de personagens deprimidas ou iracundas, e onde os vícios, o medo e a morte estão quase por toda a parte… a não ser que a vida seja tão imensamente deprimente que ver tamanho desfile de misérias seja, de algum modo, terapêutico! Dito isto, resta-nos o elenco, e sobre isso eu não posso tecer grandes críticas. Ian Holm é sempre um protagonista digno, afinal de contas é um veterano com uma carreira que fala por si. Como habitualmente, ele dá-nos um esforço consistente, ainda que o material que recebeu possa, eventualmente, ser mais fraco do que ele merecia. Bruce Greenwood faz um trabalho igualmente decente, mas nunca suficientemente bom, e Gabrielle Rose e Sarah Polly limitam-se a fazer o que lhes é pedido sem acrescentar nada de relevante.
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