Muito Além do Jardim
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Muito Além do Jardim

Muito Além do Jardim

A vida é um estado de espírito

Tipo

Filme

Ano

1979

Duração

130 min

Status

Released

Lançamento

1979-12-19

Nota

7.6

Votos

1.113

Direção/Criação

Hal Ashby

Orçamento

-

Receita

US$ 30.177.511

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Jardineiro simplório chamado Chance cresce fechado na casa do patrão, e quando ele morre é posto na rua. Sem saber nada do mundo além do que via pela TV, ele acaba ficando amigo de homem influente, que confunde sua inocência com sabedoria.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**A grande despedida de Peter Sellers num filme que destaca o seu lado mais cavalheiresco.** Há filmes que, mesmo sendo bons, não conseguem ser consensuais, e este é um deles. É um filme que conquista admiradores com a mesma facilidade com que acumula pessoas que não o entenderam ou não gostaram dele por qualquer razão. Eu confesso que gostei, mas consigo entender ambos os lados. O filme tem excelentes qualidades, mas também apresenta uma história que não é agradável, e que é tão rebuscada que nunca poderia de facto ter lugar na vida real. O filme apresenta uma simpática personagem a que não é fácil ser-se indiferente: Chance é um jardineiro que adora aquilo que faz e é muito bom a cuidar das plantas, mas que foi educado de modo muito informal, encerrado no interior da vivenda de um patrão a quem serviu toda a vida, sem nunca sair, sem nunca ter ido à escola, sem ter noção do mundo à volta daquela casa. O único vislumbre do mundo que ele teve foi através da televisão, que ele vê diariamente e com gosto. Quando o patrão morre, ele é despejado daquela casa por advogados que nem sequer tinham conhecimento da sua existência. Sem estudos, casa ou sequer documentos, ele deambula pela cidade e, por sorte, acaba na casa de um riquíssimo banqueiro, caindo nas boas graças da família com os seus adágios que, por mais vagos e inconsistentes que sejam, são tomados como autênticas pérolas de sabedoria. Eu não tenho qualquer dúvida que há gente muito sábia no mundo que nunca pôs os pés na escola nem sabe assinar o próprio nome. São pessoas que, não tendo tido na sua vida oportunidade para frequentar o ensino, substituíram-no por uma rica experiência de vida e têm um conhecimento empírico muito valioso. Conheço pessoas assim. No entanto, é inconcebível que alguém tenha vivido toda a sua existência dentro de uma casa em que serve sem nunca sair para seja o que for, e sem ter documentos de qualquer espécie. O roteiro comete um erro aqui, exagera na sua proposição, e a reacção das pessoas depois é igualmente exagerada e despropositada. Eu reconheço isso. No entanto, é inegável a beleza do conto criado em torno da figura deste jardineiro, que nunca perde a sua pureza, a sua gentileza. E temos mesmo que nos render ao magnífico desempenho de Peter Sellers. O actor brinda-nos com um trabalho discreto e elegante no qual salientou as suas melhores características, uma postura contida, quase aristocrática, e uma dicção pausada, absolutamente clara e bem pronunciada. Infelizmente, é quase o único actor a merecer nota positiva: Shirley Maclaine, Melvyn Douglas e Jack Warden são bons, mas apresentam-se absolutamente insossos e desinteressados aqui.

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