
O Gigante de Ferro
Alguns segredos são grandes demais para esconder.
Tipo
Filme
Ano
1999
Duração
87 min
Status
Released
Lançamento
1999-08-06
Nota
8.0
Votos
6.089
Direção/Criação
Brad Bird
Orçamento
US$ 50.000.000
Receita
US$ 23.300.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Em 1957, um robô alienígena gigante aterrissa perto da pequena cidade de Rockwell, Maine (EUA). Hogarth, um garoto de nove anos que estava explorando a área, encontra o robô e os dois ficam amigos. Mas um agente do governo completamente obcecado surge com o objetivo de destruir o extraterrestre a qualquer custo.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um belo filme sobre o valor da paz e da amizade.** É até irónico eu ter decidido ver este filme na mesma madrugada em que o Irão foi atacado por bombardeiros dos Estados Unidos da América, mas essa escolha foi acidental: eu só soube das notícias quando o filme tinha terminado. E eu digo que parece irónico por toda a mensagem nuclear deste filme ser, precisamente, sobre a importância da paz. Magnificamente dirigido por Brad Bird, um director que eu desconhecia por completo, o filme é uma eloquente homenagem ao universo das grandes revistas de banda-desenhada sci-fi que povoaram a imaginação das crianças e jovens dos anos 60 com invasões vindas do espaço, robôs ultramodernos e heróis de guerra destemidos. Os norte-americanos iam vivendo, ainda, embebidos na húbris da vitória da Segunda Guerra Mundial e debaixo da ameaça omnipresente do Comunismo, que o Senador McCarthy e J. Edgar Hoover iam, por pura conveniência, alimentando como se fosse uma fogueira regada com gasóleo. Este filme ambienta-se precisamente durante este momento da história e brinca bastante com as esperanças, anseios e paranóias de uma nação embriagada na sua autoconfiança, e na necessidade de ter permanentemente um inimigo declarado, um “alvo a abater”. Sim, pois a verdade é que se agora o grande inimigo é o Irão, a verdade é que já foi o Iraque de Saddam (duas vezes), o terrorismo de Bin Laden, a Coreia da Família Kim, o Vietname do Norte, a Cuba de Castro… enfim. Vamos falar do filme senão temos uma depressão. O enredo não podia ser melhor, e os argumentistas merecem parabéns. Aproveitando toda a beleza dos desenhos animados tradicionais, evocam maravilhosamente a época e fazem um trabalho notável com a história, que além de mensagens pertinentes sobre a paz, tem ainda a ternura da amizade verdadeira de uma criança inocente. As cores são fantásticas, o trabalho de animação merece aplausos e a banda sonora encaixa-se muito bem, dando movimento ou sentimento nos momentos ideais. O desenvolvimento das personagens foi muito equilibrado, com um protagonista convincente e simpático e um gigante (o herói) que consegue cativar a simpatia do público sem qualquer dificuldade. De resto, o elenco de voz faz um trabalho muito digno e elegante, com especial destaque para os esforços de Chris MacDonald, Jennifer Aniston e Vin Diesel. Este não é um filme para crianças, mas também não é um filme inapropriado para elas se, pelo menos, tiverem já a idade suficiente para entender o que estão a ver. É um daqueles filmes que podemos ver com a família reunida no Natal, na Páscoa ou noutro momento de reunião feliz, sem receio nem culpa. Uma coisa interessante: considerando que é um filme com 25 anos, é extraordinário sentir como praticamente não envelheceu um dia. E num mundo que parece estar a caminho de mais uma guerra mundial, acredito que vale a pena ver filmes que nos relembrem como a paz, o diálogo e a amizade são valores em nome dos quais vale a pena (parar de) lutar.
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