Gangster No. 1
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Gangster No. 1

Gangster No. 1

Tipo

Filme

Ano

2000

Duração

103 min

Status

Released

Lançamento

2000-06-09

Nota

6.4

Votos

231

Direção/Criação

Paul McGuigan

Orçamento

-

Receita

US$ 30.915

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Neste suspense passado no Soho londrino dos anos 70, um ambicioso e carismático gângster planeja como eliminar o seu chefe e tomar o seu lugar, o temido respeitado número 1. Mas, é claro, sempre há um preço a pagar.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Não é um filme para todos, é extremamente violento e tenso, mas funciona muito bem.** Não é fácil fazer um bom filme de gangsters. Às vezes, parece que fizeram tudo o que poderia ser eventualmente atraente ou desafiador, e que cada nova produção se limita a mastigar e a revisitar o que já foi feito por outros, normalmente melhor. Este filme, ambientado em Londres, traz-nos a um universo de violência e de tensão, de inveja e de loucura, que é agradavelmente sombrio e atraente, ainda que não seja algo realmente novo. O roteiro acompanha o percurso criminoso de um mafioso britânico cujo nome nunca é revelado e que, pela sua brutalidade e competência, se torna num dos homens de confiança de Freddy Mays, um dos senhores do crime na Londres do final dos anos 60. Contudo, ele é ambicioso e o seu desejo é, futuramente, ser como o seu chefe é: brutal, implacável, mas elegante e sóbrio. É um filme onde acompanhamos a mesma personagem por trinta anos de ultraviolência (eu não estou a usar esta palavra aleatoriamente, como se verá) e de absoluta loucura. O elenco conta com vários nomes fortes, sendo que a personagem principal é interpretada por dois actores: nas cronologias mais antigas, é Paul Bettany, e na actualidade, é o experimentado e hábil Malcolm McDowell, que já participou noutros filmes intensos, como “Laranja Mecânica”, por exemplo. De facto, não consigo evitar pensar que Alex, a personagem principal desse filme, icónico na carreira deste actor, poderia ter perfeitamente evoluído para uma figura retorcida e enlouquecida, como a que McDowell interpretou aqui. O trabalho impecável, tanto dele quanto de Bettany, é um dos pilares que sustenta este filme e que o torna verdadeiramente intenso e agradável. Ambos têm falas e diálogos memoráveis. Outro actor verdadeiramente marcante é David Thewlis, que combina harmoniosamente a dureza e brutalidade com a sensibilidade e os bons modos quase aristocráticos com que se movimenta entre outros criminosos. Saffron Burrows é linda, e funciona muito bem como par romântico. O resto do elenco limita-se a tentar acompanhar os principais actores. A nível técnico, o filme faz um trabalho verdadeiramente brilhante de construção e controlo de ambiente… o filme sabe construir e ir manipulando a tensão dramática, deixando-a avolumar à medida que o tempo passa, até a um clímax onde sentimos o descontrolo e a perda da noção da realidade vividas pela personagem central. A cinematografia algo enevoada, com muitas das cenas filmadas à noite ou em lugares de pouca luz (bares, apartamentos decadentes etc.) ajuda neste trabalho, e o trabalho da câmara é incrível, com vários efeitos de quebra da imagem (como imitando o vidro, ou a personalidade da personagem, que se estilhaça) ou aquela cena onde a câmara se coloca na pele de um homem prestes a ser brutalmente assassinado, e nós acabamos por ser convidados a sentir aquele momento, a fragilidade e a debilidade mental que se apodera de um homem diante da morte, certa e dolorosa. O discurso do filme está cheio de palavrões e de palavras rudes, mas isso é algo inevitável, dado o filme que é. Todavia, reconheço que não é um filme para qualquer audiência, é extremamente violento e brutal. Por fim, uma palavra para a banda sonora, impecável e muito bem idealizada.

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