
Tipo
Filme
Ano
1971
Duração
104 min
Status
Released
Lançamento
1971-10-09
Nota
7.5
Votos
2.101
Direção/Criação
William Friedkin
Orçamento
US$ 1.800.000
Receita
US$ 41.200.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Jimmy Doyle e Buddy Russo são dois policiais de Nova York que estão no encalço de uma quadrilha de tráfico de drogas. O primeiro, que confia no olfato, suspeita que uma confeitaria do Brooklyn esteja envolvida e convence seu chefe a grampear a linha telefônica. Logo depois, Doyle e seus homens seguem o dono da confeitaria, que os leva até Nicoly e Charnier, dois franceses que acabaram de chegar aos Estados Unidos.
Elenco principal
Reviews
Total: 2
Rosana Botafogo
**English** Predecessor of great police gangster films, here only average, a little tiring and long, little connection and apathetic characters, extreme seriousness, after all based on historical criminal facts and despite the 7 nominations and 5 Oscars I didn't get... The iconic chase scene of a car on an elevated train (it would be the precursor to Fast and Furious) very good, today only very good, I got lazy, lacked sympathy and empathy, boring... **Portuguese** Antecessor de grandes filmes de gângster policial, aqui apenas mediano, um pouco cansativo e longo, pouca conexão e personagens apáticos, extrema seriedade, afinal baseada em fatos criminais históricos e apesar das 7 indicações e 5 Oscar não me apareceu... A icônica cena de perseguição de um carro a um trem elevado (seria o precursor de Velozes e Furiosos) muito bom, hoje apenas muito bom, deu me preguiça, faltou me simpatia e empatia, enfadonho...
Filipe Manuel Neto
**Um dos filmes que fundou o moderno thriller policial.** Fazer uma crítica a um filme como este nunca é fácil por duas razões: a primeira é que a maioria das pessoas já o viu e tem uma opinião, positiva ou negativa; a segunda é o facto de ter sido (e continuar a ser) aclamado pela crítica especializada e acarinhado pela maior parte do público. Vai haver sempre pessoas que vão ler o que escrevi e pensar que eu sou um pateta que não entendeu nada deste filme. Eu compreendo, e estou à vontade com isso, podem começar a criticar-me agora. Vi este filme ontem. É um filme com mais de cinquenta anos, que deixou uma marca que é indelével, tanto na cultura popular quanto na arte cinematográfica. A maior prova é ter sido copiado, satirizado ou homenageado diversas vezes por outros filmes e produções, e servido de inspiração a diversos outros trabalhos de cinema. É admirável! Porém, não se pode esperar que eu, que vi o filme em 2025, tenha a mesma impressão que alguém que o viu no ano da sua estreia. E a verdade é que, apesar de todos os méritos, eu não senti de facto que o filme fosse assim tão emocionante ou incrível. Não teve tanto impacto. Talvez as minhas expectativas estivessem muito altas, ou eu tenha sido vítima do facto de já ter visto vários outros filmes policiais que têm similaridades ou laivos de inspiração tirados deste filme. Seja como for: não teve o impacto que pensei que teria. “Serpico”, um dos que seguiu na trilha aberta por este filme, fez muito mais por mim nesse aspecto. A trama é fácil de explicar e acompanha dois polícias de Nova Iorque numa investigação contra um grupo de traficantes internacional que aguarda um enorme carregamento com heroína em estado puro vindo de França. Baseia-se num livro, de Robin Moore, que terá sido escrito com base numa operação policial contra as drogas ocorrida em Nova Iorque. Conforme o que li, os agentes da Polícia que participaram nessa operação aparecem no filme, em papéis menores e na figuração. A simplicidade do argumento escrito, porém, não deixa transparecer a sua eficácia e funcionalidade. Graças à boa direcção de William Friedkin, a história funciona muito bem, alternando momentos de acção intensa com uma série de situações de tensão que contribuem para o “suspense”. Infelizmente, pareceu-me que esses momentos foram, por vezes, esticados demais no tempo levando a que o filme se assemelhe a viagem de dromedário: aos solavancos, a acção vai avançando e o público, que quase adormece enquanto os polícias vigiam, conversam e fazem escutas telefónicas, tem a oportunidade de acordar para as trocas de tiros e perseguições. Esta sensação entre a modorra e a agitação é aumentada pelos efeitos sonoros e pela banda sonora, pois estes elementos são introduzidos de modo tão pontual e minimalista que tornam o filme muito mais silencioso do que um thriller contemporâneo. Outro aspecto que me incomodou foi a cinematografia, que me pareceu algo granulosa, com cores lavadas e excessivamente iluminada durante as cenas diurnas, mas isso é quase problema endémico neste período, talvez a película usada nas filmagens não fosse tão boa. Uma das críticas mais consensuais que se pode fazer a este filme é o seu extraordinário realismo. De facto, apresenta-nos Nova Iorque sem pudores e sem maquilhagens, em todo o seu brilho fosco e desmaiado. A cidade é uma verdadeira prostituta de cinquenta anos, onde ainda entrevemos a beleza do passado cedendo gradualmente ao avanço inexorável da decadência. Os polícias, por seu turno, quase não se distinguem dos malfeitores e são tão arbitrários, alcoólicos e depressivos quanto toda e qualquer pessoa poderia ser após anos a fio revolvendo as misérias mais torpes da sociedade humana. As cenas nocturnas e a abundância de linguagem chula é apenas um dos muitos detalhes que no-lo revelam. Quanto aos actores, há que parabenizar Gene Hackman. Este actor já conheceu diversos altos e baixos na sua carreira, mas este filme vai sempre ser um dos mais marcantes que nos vai deixar. A personagem, Popeye Doyle, assenta-lhe como uma luva feita à medida da mão do seu possuidor. A seu lado, Roy Scheider faz apenas o que precisa para lhe dar ainda mais espaço para brilhar sem se deixar obnubilar pela actuação do colega. Por sua vez, Fernando Rey e Tony Lo Bianco fazem um contraponto praticamente perfeito com o duo de agentes que segue na sua peugada. Arrisco dizer que ambos fizeram, com este filme, a “magnum opus” das suas respectivas carreiras cinematográficas. Como eu disse, a crítica e o público renderam-se ao filme de imediato, não obstante a classificação parental elevada. De facto, tornou-se no primeiro filme com esse tipo de classificação a ganhar o Óscar de Melhor Filme, na gala de 1972, onde também levou para casa as estatuetas de Melhor Actor (mais do que merecido, para Hackman), Melhor Edição, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Director (para Friedkin, que também o mereceu embora eu pense que Stanley Kubrick, que apresentou “Clockwork Orange” nesse ano, também teria sido um bom vencedor). Mais recentemente, foi considerado um dos melhores filmes dos EUA pelo American Film Institute e, em 2005, uma cópia passou a integrar a colecção do National Film Registry, na Biblioteca do Congresso, devido ao seu elevado valor cultural, histórico e estético. Por último, uma nota sobre a versão em Português Europeu deste filme para dizer que só em desvarios lunáticos seria possível criar um título mais infeliz que “Os Incorruptíveis Contra a Droga”. Sem pensar muito, ocorre-me “O Contacto Francês”, que me parece uma opção muito mais sonante e consoante ao título original.
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