
Tipo
Filme
Ano
1939
Duração
129 min
Status
Released
Lançamento
1939-04-20
Nota
7.1
Votos
103
Direção/Criação
Zoltan Korda
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Um tímido oficial do exército britânico renuncia à seu posto na véspera de seu destacamento ser enviado contra rebeldes egípcios. Chamando-o de covarde, sua namorada e três amigos oficiais lhe dão 4 penas brancas como símbolo de seu ato. Então o oficial britânico procura resgatar sua honra, ajudando secretamente seus antigos camaradas. Quando sua unidade é vencida e capturada pelos rebeldes, nosso herói, disfarçado de árabe, encontra uma oportunidade de tentar libertar cada um deles e assim poder devolver as 'penas' da covardia recebidas de seus antigos camaradas.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Uma pequena pérola esquecida que merecia, talvez, ser revisitada pelo público.** Este filme é uma das várias adaptações cinematográficas de um romance ambientado durante a conquista anglo-egípcia do Sudão. É bastante bom e deve ter sido uma superprodução, para a época em que foi feito. Muito bem dirigido por Zoltan Korda, num esforço luxuoso e meticuloso que não poupou a esforços ou despesas, é talvez uma das melhores adaptações do romance título ao cinema. E todavia, está injustamente esquecido! Para os que não sabem ou não se lembram, o interior do continente africano só foi colonizado a partir da Conferência de Berlim, em 1885. Dela participaram catorze países, incluindo os EUA e países europeus sem qualquer colónia, como a Suécia. De entre os vários assuntos abordados (o fim do comércio dos escravos, a liberdade de navegação em certos rios e a liberalização do comércio nalgumas áreas costeiras), debateram-se as bases legais para a ocupação do território interior africano: é claro, para os europeus de então, os direitos das tribos nativas não tinham valor, eles eram só selvagens. Criticável hoje, mas compreensível à luz daquela época. Em consequência disto, os principais impérios europeus apressaram-se a enviar expedições com vista à exploração e demarcação dos seus territórios em África. O Reino Unido desejava a posse de uma faixa de terreno considerável, entre o Cairo e a Cidade do Cabo, razão pela qual decidiu controlar o Egipto, então um reino semi-independente, sob a autoridade do Sultão de Istambul, e que havia conquistado o Sudão décadas antes. Após terem ajudado o rei egípcio, Tewfik Pasha, a sobreviver a uma revolta, os britânicos tomaram o controlo factual do reino e do seu exército. Porém, em 1881, os egípcios perderam o controlo do Sudão para um movimento revolucionário islâmico liderado por um auto-alegado profeta, o Mahdi. A revolta resistiu a várias expedições militares, levando à morte do popular general Charles Gordon. O filme começa com estes acontecimentos e contexto histórico. É quando se está a preparar a expedição de socorro ao Sudão que o protagonista, Harry Faversham, pede dispensa do serviço militar no regimento onde é oficial. Ele nunca quis sê-lo, mas foi obrigado pelo pai, e viu-se por fim livre dessa obrigação com a morte dele. Porém, os amigos da tropa e a própria noiva não o entenderam, e Faversham viu-se na posse de quatro penas brancas, uma insígnia simbólica dada então a homens considerados covardes por não servirem o seu país nas fileiras militares. John Clements é muito bom no papel principal, dando à sua personagem uma dose de nobreza e de generosidade a que se alia a juventude e uma coragem que ele vem a descobrir ter. Ralph Richardson, Jack Allen e Donald Gray foram impecáveis nos papéis dos oficiais britânicos que se demarcam da atitude do protagonista. June Duprez tem pouca coisa para fazer aqui, mas o que ela faz é muito bem feito. A nível técnico, temos de destacar o exercício de direcção de Korda, que contou neste projecto com a colaboração próxima dos seus irmãos. A cinematografia é simplesmente magnífica e as cores, no seu brilho e intensidade, são uma festa para os nossos olhos. A meticulosidade e a exigência do director beneficiaram muito o rigor histórico, que foi uma das suas preopações e a razão última pela qual decidiram filmar boa parte do filme no Sudão, muito perto do local onde os combates realmente aconteceram. De facto, ao documentar-me para escrever esta crítica, eu li até que o director aproveitou para conhecer pessoas que viveram os acontecimentos, que participaram dos combates e até mesmo dar treinamento militar da época aos figurantes, onde entraram, também, soldados verdadeiros do Exército Britânico. Cenários, figurinos, adereços e armamento foram detalhes pensados ao pormenor para recriar, o mais fidedignamente, o que terá sido possível encontrar se estivéssemos ali. Claro, há falhas mas são falhas irrelevantes. Antes de terminar, uma palavra de louvor para a banda sonora, assinada por Miklos Rosza.
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