Zorba, O Grego
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Zorba, O Grego

Zorba, O Grego

Tipo

Filme

Ano

1964

Duração

142 min

Status

Released

Lançamento

1964-12-14

Nota

7.4

Votos

374

Direção/Criação

Μιχάλης Κακογιάννης

Orçamento

US$ 783.000

Receita

US$ 9.000.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Um escritor inglês vai a Creta para trabalhar em uma mina que herdou do pai, um grego de nascença. Logo ele conhece Alexis Zorba (Anthony Quinn), um determinado camponês grego que também quer trabalhar na mina. Os dois acabam indo se hospedar em um pequeno hotel administrado por uma velha prostituta francesa.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**O filme da vida de Anthony Quinn, apesar de tudo o que tem de bom, tem algumas falhas sérias.** Sempre ouvi falar muito bem deste filme, e por isso me resolvi a vê-lo, aproveitando o feriado recente no meu país. E ainda bem que o fiz: não posso dizer que adorei, há muita coisa no filme (e nas suas personagens) que nos causa repugnância natural, e não posso deixar de sentir que há falhas, principalmente ao nível do roteiro, mas é sem dúvida um bom filme. Tudo se passa na ilha grega de Creta, e começa pelo cruzamento fortuito de dois homens: Basil é um escritor inglês que vai à ilha a fim de inspeccionar a viabilidade de exploração de uma mina que acabou de herdar, e Zorba é um grego amigável e simpático que, rapidamente, se dispõe a trabalhar para ele e a ajudá-lo. A amizade entre ambos irá naturalmente surgir e, com o tempo, Zorba terá oportunidade para ensinar o novo amigo a viver a vida ao máximo. Pelo meio, ambos irão lidar com perdas e desaires diversos, em meio a um ambiente social que raia o barbarismo. O roteiro do filme é, talvez, o ponto menos bem conseguido aqui: o director Michael Cacoyannis, fortemente inspirado pelo neo-realismo italiano, comporta-se muito como um pintor que capta na película o retracto humano e social da ilha de Creta, mas com esse trabalho esquece-se, por vezes, de imprimir ritmo e dinâmica à história que quer contar. Em consequência disso: temos um filme onde a história vai avançando aos solavancos, com pausas para monólogos existenciais e cenas de taberna, que pouco acrescentam à história, mas nos mostram o ambiente social e a vivência daquelas pessoas. Isso tem tanto de belo quanto de irritante. Há igualmente algumas personagens que parecem pouco aproveitadas (as personagens femininas, maioritariamente). Uma coisa que me impressionou muito no filme é o retracto duro e cruel do povo grego: gente pobre e afeita ao trabalho duro, mas de carácter extremamente rude, misógino, supersticioso e muitas vezes egoísta, invejoso e mesmo cruel. É difícil esquecer a forma como as pessoas tratam a Viúva, ou a forma como reagem perante a morte de Madame Hortense, uma das personagens mais agradáveis do filme, com o seu incurável romantismo. São cenas duras, a que dificilmente se fica indiferente. No meio de tudo isto, Zorba revela-se um homem duro, rude, misógino, que não é tão diferente dos outros, mas que nos mostra também toda a sua lealdade e alegria. Ele é viciado na vida, e aproveita cada dia como se fosse o último. O elenco é liderado pelo carismático Anthony Quinn, no papel que lhe rendeu a imortalidade e a consagração enquanto actor. Quinn merece toda a nossa atenção e brinda-nos com o trabalho da sua vida. Igualmente notável, a quase desconhecida Lila Kedrova surge grandiosa e elegante, no papel de uma francesa romântica e sonhadora, que lhe rendeu a imortalidade e o Óscar de Melhor Actriz Secundária. A jovem e bela Irene Papas também parece grandiosa, num papel que dispensa quase qualquer palavra. Apesar disso, e como referi, sinto que as personagens destas duas actrizes mereciam ter tido maior desenvolvimento, especialmente a personagem de Papas. Infelizmente, Alan Bates parece estar a mais aqui. Eu não sei o que se passou com o actor, se foi culpa do roteiro ou se ele não entendeu a personagem, mas fez um trabalho horrível, despido de personalidade, em que age e actua como um sonâmbulo. Um esforço mais empenhado, ou o material certo para o actor, teriam ajudado a desenvolver a personagem e a tornar o filme bem mais interessante. Tecnicamente, o filme tem muitos elementos de interesse, começando pela cinematografia, em preto e branco, elegante e bastante nítida, com um trabalho de filmagem muito bem feito e um excelente aproveitamento das paisagens naturais gregas. Os cenários e figurinos também foram muito bem feitos e são incrivelmente realistas. A edição, assim como os créditos finais, foram muito bem feitos. E como não podia deixar de ser, uma palavra para a banda sonora, que contém uma icónica canção, a dança de Zorba, que quase todos associam mentalmente à Grécia.

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