Rede de Intrigas
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Rede de Intrigas

Rede de Intrigas

A televisão nunca mais será a mesma.

Tipo

Filme

Ano

1976

Duração

121 min

Status

Released

Lançamento

1976-11-27

Nota

7.8

Votos

1.986

Direção/Criação

Sidney Lumet

Orçamento

US$ 3.800.000

Receita

US$ 23.700.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Um locutor de noticiário de uma rede de televisão americana é demitido em razão da baixa audiência do programa. Ele então anuncia que irá cometer suicídio no ar. Por esta razão, os índices de audiência do programa voltam a crescer, ele passa a ser conhecido como o Profeta Louco, e é readmitido. Mas seu comportamento insano faz com que os responsáveis pela sua ascensão decidam detê-lo.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Quando o Cinema resolve cuspir na cara da Televisão e dizer-lhe tudo o que pensa dela…** Não sei o que pensar deste filme. Lançado em 1976, creio que nunca chegou a conhecer as salas de cinema de Portugal, o meu país, nessa época a braços com convulsões políticas e sociais graves. Acho que muitos americanos também não souberam bem o que pensar: o filme provoca o público ao abordar a insensibilidade brutal do mundo da televisão pela terrível amoralidade de personagens que não têm qualquer consideração pelo espectador, ou pelos próprios jornalistas. Comédia? Sim, se gostar de humor negro. Reconheço que as reflexões tecidas sobre o papel da televisão como entretenimento, as guerras de audiências e a estupidez dos conteúdos (como os reality shows) permanecem actuais: ainda há demasiadas pessoas na televisão que acreditam que o espectador é tão idiota que vai engolir qualquer treta e que a taxa de audiências vale qualquer sacrifício. E a partir do momento em que vale tudo pelas audiências, podemos ter programas realmente controversos como aqueles que seguem agentes de polícia filmando prisões e buscas, ou programas de estúdio onde as pessoas (ou melhor, actores pagos para o efeito) discutem problemas pessoais mesquinhos até se engalfinharem à pancada diante das câmaras (tudo convenientemente pré-combinado, claro, sem o espectador saber). Apesar disso, as coisas já não são como eram: a Internet, com websites cheios de conteúdo audiovisual gratuito, tirou das televisões muito do lixo que preenchia o “prime-time”, ainda que mantenha um peso considerável sobre as televisões, em especial no que concerne ao jornalismo. Daqui advém, de resto, a avalanche de mentiras e desinformação que tem minado a credibilidade do jornalismo, por muitas filtragens que as redacções façam a fim de evitar a divulgação de informações não confirmadas. Na sua sática mordaz, a trama de Paddy Chayefsky traz a história de um pivô de notícias que tem um surto mental e anuncia que se vai matar diante das câmaras. Isto foi, decerto, influenciado pelo trágico suicídio de Christine Chubbuck, apresentadora que se matou ao vivo poucos anos antes, mas os responsáveis do filme negaram categoricamente qualquer correlação. A partir deste incidente, e perante taxas de audiências incríveis, os gestores do canal resolvem explorar a miséria daquele homem dando-lhe um programa totalmente mirabolante onde podia dizer as maiores barbaridades. Ao mesmo tempo, desenrola-se uma guerra entre jornalistas sérios e gestores a quem só importam os lucros, audiências e patrocinadores, além de um caso amoroso superficial entre o chefe de redacção e a manda-chuva do canal, uma beldade insensível e podre por dentro. Sidney Lumet dá-nos uma direcção empenhada, trabalhando magistralmente a filmagem, a luz e a cinematografia: pela sua mão e de modo intencionalmente simbólico, o filme vai adquirindo um visual mais “televisivo” à medida que caminha para o final. Com um ritmo bem modelado, quase não sentimos passar essas duas horas. Os cenários, guarda-roupa e adereços podem estar muito datados agora, mas cumprem bem o seu papel, e os diálogos estão sobrecarregados de palavrões e linguagem chula – são os anos 70! – mas isso faz parte do propósito e ambiente do filme, que foi um enorme sucesso comercial e de crítica e rapinou os prémios cinematográficos daquele ano… a coroa de glória foi alcançada na gala dos Óscares de 1977, com dez nomeações e quatro estatuetas douradas: Melhor Argumento Original, Melhor Actriz Secundária (sem grande mérito, a meu ver), Melhor Actriz (Faye Dunaway, que também ganhara o David di Donatello na mesma categoria) e Melhor Actor (para Peter Finch, entretanto falecido, e que já recebera o BAFTA). De facto, este filme marca o fim da carreira de Peter Finch, notável actor australiano que estava já bastante doente aquando das filmagens, onde mostrou o quão empenhado era no seu trabalho, indo até onde precisava de ir para dar à sua personagem a carga psicológica necessária, e talvez prejudicando a sua saúde nesse esforço colossal, merecedor do nosso maior louvor. Igualmente brilhante é a prestação de Faye Dunaway, uma donzela gelada que deu à sua personagem a carga perfeita de sedução distópica. É impressionante vê-la a proferir todas as ideias disparatadas e insanas que lhe ocorrem à mente, e ver como ela contracena com William Holden, igualmente grandioso aqui. Robert Duvall e Bill Burrows também são adições de peso e dão um contributo interessante.

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