
Dagon
Um povo amaldiçoado... um culto antigo... um pesadelo que se tornou realidade.
Tipo
Filme
Ano
2001
Duração
95 min
Status
Released
Lançamento
2001-10-12
Nota
6.1
Votos
462
Direção/Criação
Stuart Gordon
Orçamento
US$ 4.800.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Dois jovens turistas, Bárbara e Paul, vão à procura de ajuda em uma pequena cidade chamada Imboca (Innsmouth), na costa de Galiza, na Espanha, depois que o barco em que estavam afundou. No entanto, os moradores da cidade não são amigáveis, nem mesmo humanos, com excessão de um bêbado chamado Ezequiel. Este último, diz a Paul como os habitantes da cidade derrubaram o cristianismo a favor do deus Dagon, que lhes trouxe riquezas do fundo do mar. Desde então, eles se tornaram obedientes à bela criatura Uxía. Estranhamente ela aparece a Paul em seus sonhos, e mesmo antes de se encontrarem, ela o salva da morte. No entanto, seus planos para ele e Bárbara desencadearão um horror além da imaginação.
Elenco principal
Reviews
Total: 2
Domenes
**Stuart Gordon** tem seu mérito indiscutível na história do cinema de horror, principalmente por seu clássico **Re-animator** (e a trilogia) e **"Do Além"**, obras homéricas do diretor inspiradas e adaptadas para as telas em ode ao escritor **H.P Lovecraft**. Suas filmografias clássicas são até hoje referências na história da arte e cinematografia do horror, principalmente por seus efeitos visuais práticos, porém com uma qualidade estética extremamente imersiva que consagrou um parâmetro de qualidade nos efeitos visuais da época. Stuart Gordon, apesar de ser um mestre do horror consagrado na década de 80 e 90, fez um ótimo trabalho em outros gêneros como ação** "A Fortaleza (1992)"** com **Christopher Lambert** e a comédia **"Querida, Encolhi as Crianças (1997)"**, um clássico da sessão da tarde, memorável até para quem nunca viu um filme de horror do diretor. Sua importância ao gênero do horror foi consagrado na **série Mestre do Horror** nos episódios _“Dreams in the Witch-House”_ e _“The Black Cat”_. Apesar de Stuart Gordon ser lembrado por suas adaptações memoráveis a obra de Lovecraft, infelizmente Dagon deixou a desejar. Não tem o humor ácido e nem a tensão equilibrada com o horror que o consagrou em Re-animator. Aliás, as conclusões, análises e percepções dos personagens aos fatos ocorridos são terríveis, assim como suas escolhas para sair de certos encalços. A dinâmica entre tensão, perigoso, mistério, sobrevivência e horror não acontecem. Algumas tentativas de sobrevivência e conclusão dos fatos chegam a ser estúpidas, tornando os personagens idiotas à própria sorte ao invés de personagens imersos em uma trama narrativa. Compreendo que é difícil exigir “realismo” em uma trama onde deuses antigos são cultuados. Não é desse tipo de realismo que me referi. Mas assim aquele que define ações, escolhas e consequências lógicas. As ações são tão bobalhonas que parece que o roteiro foi escrito enquanto filmavam. Tornando a história sofrível e a imersão impossível. É difícil crer que os personagens estão em situação de risco. Os efeitos digitais sofríveis passam e os efeitos práticos continuam interessantes, mas o desenvolvimento da história, e principalmente, os personagens e suas escolhas, deixam tudo mais arrastado, cansativo e desinteressante. Provavelmente houveram alguns percalços na pré-produção que refletiram no resultado final em si. Pois conhecemos a qualidade do diretor diante de trabalhos com grande e médio orçamento. Porém essa resposta só teremos do próprio Stuart Gordon ou um futuro documentário sobre suas obras. Para quem é fan do diretor, vale pelo conhecimento da obra e visualizar (mesmo que de forma sofrível) a adaptação do conto Dagon de H.P Lovecraft. Para quem não é fan, será tempo perdido. Um demérito aos clássicos “Re-animator” e “Do Além”. Se você está entrando ao mundo Lovecraft agora ou será seu primeiro contato com as obras de Stuart Gordon. Não comece com Dagon.
Pedro Quintão
Assisti a Dagon (2001) sem grandes expectativas, movido pela curiosidade de ter visitado recentemente Combarro, a vila costeira onde foi filmado. Admito que estava à espera de uma produção fraca, talvez um filme trash e amador, mas acabei por me surpreender. Apesar de algumas falhas, principalmente nos efeitos visuais, Dagon revelou-se uma experiência bastante interessante, sobretudo para quem aprecia o terror com um toque Lovecraftiano. A história segue um grupo de turistas que, após um acidente no seu iate, acabam numa vila chamada Imboca. Desde o início, a atmosfera é sombria e inquietante, com os habitantes da vila a exalarem uma estranheza perturbadora. A narrativa, ainda que não traga grandes inovações, mantém-nos presos pela tensão constante e pela sensação de mistério. A caracterização dos habitantes é particularmente eficaz: são figuras bizarras e assustadoras, que me fizeram lembrar os ganados de Resident Evil 4. É difícil não imaginar que os criadores do jogo se inspiraram nesta obra, dada a semelhança visual e a aura de desconforto que os personagens de Imboca transmitem. Uma das maiores forças de Dagon é a sua atmosfera. É o tipo de filme que pede para ser visto numa noite de chuva, com a escuridão e o som do vento a intensificarem a experiência. A construção do suspense é impressionante, e algumas cenas conseguem superar em tensão muitos filmes de terror mais recentes. Apesar de não ser inteiramente violento, quando aposta no gore, fá-lo de forma impactante. Uma cena, em particular, ficou gravada na minha memória: quase no final, assistimos a uma personagem a ser esfolada viva, num momento brutal que rivaliza com os momentos mais gráficos de filmes como Terrifier. No entanto, nem tudo é perfeito. Os efeitos visuais são o maior ponto fraco do filme, resultado do orçamento limitado. Algumas cenas, que poderiam ser verdadeiramente memoráveis, perdem impacto devido a esses defeitos técnicos. É uma pena, porque, com um visual mais polido, Dagon poderia ter alcançado outro nível. Ainda assim, o filme consegue cativar pela sua atmosfera e pela caracterização dos habitantes. Se houvesse um remake moderno que preservasse o tom sombrio e a essência Lovecraftiana, corrigindo os problemas técnicos, acredito que Dagon se tornaria numa referência ainda maior para os fãs do género. Para já, fica como uma obra curiosa, imperfeita, mas que merece ser descoberta por quem gosta de um bom terror misterioso.
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