
Tipo
Filme
Ano
1970
Duração
139 min
Status
Released
Lançamento
1970-12-23
Nota
7.4
Votos
707
Direção/Criação
Arthur Penn
Orçamento
US$ 15.000.000
Receita
US$ 31.559.552
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Jack Crabb, de 121 anos, conta sua vida, desde sua captura pelos Cheyenne aos 10 anos, passando por sua criação, passando por viver com brancos novamente e, por fim, por estar presente na Última Resistência de Custer em Little Bighorn, com muitas aventuras, personagens interessantes, fases da vida e tragédias no meio.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Vale a pena repescar este filme, actualmente um pouco esquecido.** Este é mais um daqueles filmes excelentes que foi condenado a um injusto esquecimento devido à passagem das décadas e ao lançamento de novas produções. Não sabia o que esperar deste filme, e fiquei bem impressionado. Não é um filme que vai perdurar na minha memória, nem o considero especialmente bom, mas faz um trabalho muito digno, dá-nos exactamente aquilo que promete dar e funciona perfeitamente. A sua trama acompanha a vida de Jack Crabb, aka Pequeno Grande Homem, desde que os seus pais são mortos na perigosa viagem rumo a Oeste até à actualidade, em que o muito idoso veterano das guerras indígenas é convidado a dar uma entrevista. Estamos, portanto, perante um filme de faroeste que é bastante diferente da maioria: não há vilões ou heróis, não há pistoleiros corajosos nem índios maléficos. O filme esforça-se por humanizar os indígenas ameríndios, despindo-os da pele de preconceitos com que foram vestidos durante séculos pela mentalidade branca norte-americana, mas também se esforça para questionar a maioria dos clichés do género faroeste: por exemplo, quando a personagem principal decide tentar ser um pistoleiro feroz e mortífero, torna-se claro para todos que ele é simplesmente uma boa pessoa a tentar ser aquilo que não é. Tendo como centro nevrálgico o Combate de Little Bighorn, um dos mais famosos confrontos das Guerras Ameríndias, o filme não se importa de mostrar o papel sanguinolento e brutal das tropas americanas no massacre e contenção de populações indígenas, e na destruição dos costumes e modo de vida das várias nações e tribos. E por tudo isso, o filme adquire mais relevância social e contribui para um debate histórico profundo, considerando que, ainda hoje, os EUA lutam com a memória e legado cultural desta página triste da sua construção nacional: se uns defendem que o massacre dos indígenas era uma inevitabilidade causada pela expansão para Oeste, outros apoiam a realização de medidas de reparação cultural e a devolução de terras e locais sagrados às comunidades indígenas que sobreviveram. Além do roteiro francamente bem escrito, com diálogos inspirados e uma abordagem um pouco diferente e inovadora ao género, o filme conta com excelentes valores de produção a vários níveis: os locais de filmagem escolhidos são magníficos, a construção de cenários e a selecção de adereços é magnífica e a idealização dos figurinos está totalmente alinhada com o período histórico, ajudando bastante a recriar a época com algum senso de rigor e verosimilhança. Claro, não posso deixar de destacar o trabalho colossal da maquilhagem, que envelheceu Dustin Hoffman graças a uma complexa máscara prostética em látex que foi, naquela época, altamente inovadora para a indústria do cinema. O filme conta com um elenco carregado de grandes actores que valem a pena o preço do DVD: apesar de não acrescentar muito ao filme na totalidade, Faye Dunaway deixa-nos um bom trabalho numa personagem que foi definidora para o carácter e percurso de vida do protagonista, quase da mesma maneira que Martin Balsam e Jeff Corey, que deu vida ao lendário Wild Bill Hicock, uma das figuras míticas do Velho Oeste. Gostei muito do trabalho de Richard Mulligan, no papel de um vaidoso e arrogante general Custer. Nunca soube exactamente como era a personalidade deste general famoso, mas não me parece difícil de acreditar que ele fosse arrogante e autoritário tal como aparece neste filme, sem a vaidade algo metrossexual inserida pela mentalidade dos Anos 70, muito a favor da paz, contra as guerras e os militares, e apologista de um estilo de vida e moda natural, onde os cabelos longos têm lugar cativo. Todavia, gostei mais ainda do enorme contributo que nos deixou Dan George, um genuíno chefe ameríndio contratado para interpretar o papel de um sábio, bondoso e previdente líder indígena. Foi delicioso ver o trabalho dele e ter a sensação de que ele tentou, verdadeiramente, honrar e homenagear os seus ancestrais. É, porém, Dustin Hoffman quem verdadeiramente carrega o filme às costas, graças a um dos maiores e mais completos trabalhos dramáticos da sua carreira. Custa pensar que este actor não foi sequer nomeado para o Óscar pelo seu trabalho aqui, ainda que eu reconheça que o actor se manteve muito dentro do nível que demonstrou em “The Graduate”.
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