Kinsey: Vamos Falar de Sexo
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Kinsey: Vamos Falar de Sexo

Kinsey: Vamos Falar de Sexo

Tipo

Filme

Ano

2004

Duração

118 min

Status

Released

Lançamento

2004-09-04

Nota

6.6

Votos

511

Direção/Criação

Bill Condon

Orçamento

US$ 11.000.000

Receita

US$ 17.050.017

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Em 1948 Albert Kinsey (Liam Neeson) abalou a conservadora sociedade americana ao lançar seu novo livro, "Sexual Behavior in the Human Male". O livro trazia uma ampla pesquisa, na qual Kinsey levantou dados sobre o comportamento sexual de milhares de pessoas. O assunto, até então pouquíssimo abordado, passa a ser tema de debates e provoca polêmica na sociedade.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Controverso, ontem como hoje, Kinsey deu azo a um filme bastante interessante.** Alfred Kinsey é uma figura ainda hoje pouco consensual. Apontado justamente como pioneiro e “pai” da Sexologia e dos estudos científicos em redor da sexualidade humana, bateu-se por estes estudos numa época de enorme conservadorismo social e conseguiu publicar dois importantes estudos científicos na área, que muito chocaram e alteraram a maneira como a sociedade e a comunidade académica encarava o sexo. Todavia, e como estudos posteriores alegaram, os métodos utilizados por Kinsey nem sempre foram os mais isentos e os mais correctos, como a alegação de que se debruçou demasiado sobre a homossexualidade e a forma como chegou a incentivar os seus alunos e colaboradores a registarem, ao pormenor, os encontros e práticas sexuais que tinham na sua própria intimidade para fins de estudo. O filme, em parte, reflecte as polémicas, mas destaca o essencial: o pioneirismo de um homem que veio dar a conhecer o sexo a uma sociedade que se recusava sequer a pronunciar essa palavra, abrindo o caminho para as mudanças e convulsões que, décadas depois, permitiriam a Revolução Sexual. Depois destas palavras introdutórias, creio que não vale muito a pena falar sobre o roteiro. Com uma narrativa não-linear, o filme aborda vários momentos importantes da vida do cientista, com as suas origens num meio ultraconservador (o pai era um pregador religioso particularmente duro e puritano) e a maneira como conseguiu romper com esse meio para se formar em ciências, se tornar num insigne entomologista e, posteriormente, se dedicar ao estudo da sexualidade, em parte impulsionado por acontecimentos da sua vida pessoal e conjugal. O filme não tem uma carga erótica, como se poderia pensar num primeiro momento, mas os diálogos estão cheios de alusões variadas à sexualidade (actos, posições, práticas especificas, fantasias, perversões, etc.) e isso tem tanto de didáctico quanto de desagradável, pelo que pessoalmente desaconselho o filme a menores de idade. Liam Neeson é um excelente actor, mas este filme está longe de ser um dos melhores e mais relevantes da sua extensa filmografia. Mesmo assim, vale a pena destacar o empenho do actor e a forma como conseguiu dar à personagem uma aura de carisma, como um cruzado solitário numa guerra muito pessoal. Ao seu lado, a bonita Laura Linney deu vida a uma esposa dedicada e liberal, com um espírito livre, mas fiel ao amor que nasceu no seu casamento. Pessoalmente, eu julgo que ela foi ainda melhor do que Neeson, roubando as atenções sempre que aparece e tornando a personagem em alguém de quem é fácil gostar-se. A recompensa foi a sua nomeação para o Óscar de Melhor Actriz Secundária. O filme conta ainda com aparições de outros actores bem conhecidos como John Lithgow, Timothy Hutton, Chris O'Donnell, Peter Sarsgaard, Oliver Platt e Tim Curry. Todos, sem grandes excepções, deram um bom contributo ao filme e fizeram um trabalho positivo. Tecnicamente, é um filme discreto, que não sobressai largamente e deixa ao roteiro e ao elenco toda a atenção do público. A cinematografia é muito boa e funciona muito bem, assim como o trabalho de edição, que dá ao filme um ritmo agradável e permite que as duas horas e meia de duração passem sem que o público se aperceba bem disso. O filme está ambientado nos meados do século XX, e isso é conseguido de maneira muito eficaz através dos cenários, de uma série de adereços (o telefone, por exemplo, ou mesmo o rádio e os jornais a preto-e-branco, e o recurso a automóveis antigos) e de um vestuário bem datado, mas muito elegante. O filme não conta com efeitos muito óbvios, mas o que foi utilizado tem qualidade e funciona bem.

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