Uma Janela Para o Amor
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Uma Janela Para o Amor

Uma Janela Para o Amor

Tipo

Filme

Ano

1986

Duração

117 min

Status

Released

Lançamento

1986-03-07

Nota

6.9

Votos

829

Direção/Criação

James Ivory

Orçamento

US$ 3.000.000

Receita

US$ 20.966.644

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme que parece estar mais preocupado em criticar as maneiras e costumes do século XIX do que em contar-nos uma boa história.** O filme passa-se pelos anos iniciais do século XX e é uma história romântica que começa quando uma jovem britânica se hospeda numa pensão em Florença onde há outros turistas ingleses. O quarto que ela recebeu não tem vista sobre o rio Arno, pelo que aceita trocar com um jovem, de ideias progressistas e ousado, que lhe vai conquistar o coração. Quando eles voltam para Inglaterra, o reencontro é inevitável. Eu não li o livro em que este filme é baseado, mas acredito naqueles que dizem que a adaptação é respeitadora do material de origem. Assinado por James Ivory, conquistou três Óscares (Melhor Figurino, Melhor Direcção de Arte e Melhor Roteiro Adaptado) e mereceu ainda ser indicado para outras estatuetas (Melhor Cinematografia, Melhor Director, Melhor Actriz Secundária, Melhor Actor Secundário e Melhor Filme). Porém, se pensarmos bem, quase ninguém se lembra dele nos dias actuais, com excepção dos grandes fãs de cinema. Como filme romântico funciona e encaixa-se naquele cliché dos casais que quebram todas as convenções para poderem viver o amor, uma utopia que deixa a maioria do público feminino a sonhar acordado. Não é uma má história, mas sabemos onde é que vai acabar. Há uma profunda anacronia subjacente ao filme. Não está visível na produção em si, que é luxuosa e cara, com excelentes cenários, maquilhagem, penteados, figurinos e adereços inteligentemente seleccionados. Porém, vendo o filme com calma detectamos a anacronia na forma como foi retractada a sociedade britânica do começo do século XX: a etiqueta, as boas maneiras e convenções sociais surgem como “castradoras” do amor e das paixões, quando de facto poucos naquela sociedade sobrevalorizavam o amor da mesma maneira que nós. Isto deve estar no livro original, é claro, mas não deixa de ser uma visão a “preto e branco” de um passado que é julgado à luz dos nossos olhos. Apesar disso, merece um louvor claro pelos cenários, figurinos e adereços, pela sua magnífica cinematografia, onde pontificam as cores quentes e as paisagens e locais mais turísticos de Florença (uma das mais belas da Europa), e por uma excelente banda sonora, solidamente assente em peças clássicas e líricas que podem ou não ser mais reconhecidas pelo público. Porém, o que sobressai no filme e lhe dá maior valor é a extraordinária interpretação de um elenco luxuoso carregado de nomes fortes, talentosos e bem conhecidos. Uma ovação muito particular justifica-se pelo trabalho de Helena Bonham Carter, na estreia na sétima arte, assinalando o arranque da sua grandiosa carreira no cinema. Igualmente incrível foi o camaleónico Daniel Day-Lewis, que nos deu um afectado e pomposo cavalheiro a que deu alma e graça. Maggie Smith é sempre uma aposta segura, principalmente quando faz personagens dentro da sua “zona de conforto”, mas achei-a algo apagada. Denholm Elliott é muito bom, mas não é incrível como Julian Sands, que ficou com um dos papéis centrais da trama. Ele foi um daqueles actores que teria feito melhor ficando mais algum tempo a trabalhar na Europa antes de tentar a sorte nos EUA. Ele era muito bom, mas faltaram-lhe as oportunidades na terra onde elas supostamente aparecem. Permitam-me um aparte: numa daquelas coincidências estranhas da vida, vi este filme ontem e acabei agora mesmo de ver, na cerimónia dos Óscares, o nome deste actor em homenagem por ter falecido em 2023. Que mais posso dizer? Que descanse em paz.

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