
A Missão
Alguém confiará no poder da oração. Alguém vai acreditar no poder da espada.
Tipo
Filme
Ano
1986
Duração
126 min
Status
Released
Lançamento
1986-09-06
Nota
7.4
Votos
1.525
Direção/Criação
Roland Joffé
Orçamento
US$ 24.500.000
Receita
US$ 17.200.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
No final do século XVIII Mendoza, um mercador de escravos, fica com crise de consciência por ter matado Felipe, seu irmão, num duelo, pois Felipe se envolveu com Carlotta. Ela havia se apaixonado por Felipe e Mendoza não aceitou isto, pois ela tinha um relacionamento com ele. Para tentar se penitenciar Mendoza se torna um padre e se une a Gabriel, um jesuíta bem intencionado que luta para defender os índios, mas se depara com interesses econômicos.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Uma obra de arte.** Quando a Espanha e Portugal colonizaram a América do Sul, os ameríndios foram os principais prejudicados. As doenças europeias mataram milhares, mas muitos outros foram mortos em conflitos com os novos colonos, que os tentaram subjugar. Mas, na Europa, os intelectuais católicos debateram a possibilidade de aqueles índios possuírem alma (a certeza de que os negros não tinham alma era a desculpa para permitir a sua escravidão sem remorsos). Tudo bem... para nós, isso parece horrível e surreal... mas é apenas porque aprendemos com esses erros e a mentalidade mudou entretanto. Naquela época, este debate era muito importante e pertinente. Se os índios tivessem alma, era um dever cristão evangelizar os índios e protegê-los da escravidão. É nesse contexto que se fundam as missões jesuítas, contra a vontade dos colonos, que tinham todo o interesse em manter aquela fonte de mão-de-obra barata (considere também que os colonos europeus eram uma larga minoria nas novas terras, apesar de Espanha e Portugal terem enviado milhões de homens para lá). A acção dos padres jesuítas, embora abençoada pela Igreja, desagradou aos dois impérios, que se viam, de tempos em tempos, em guerra por causa da demarcação exacta das suas fronteiras na região. E é precisamente nesse contexto histórico que o filme se desenrola, retractando os esforços dos padres e missionários para proteger os índios e as suas missões, bem como as tentativas governamentais para as fechar, após um novo acordo de fronteiras entre os reinos ibéricos. Portugal, em particular, manteve nesse período uma má relação com os jesuítas, que acabariam por ser expulsos do Reino alguns anos após o período retratado no filme. O filme é verdadeiramente capaz de humanizar todas essas questões, mostrando um lado humano que é frequentemente negligenciado nas aulas de história. O mérito vai para Robert Bolt, que escreveu o roteiro, e para o director Roland Joffé, cujos esforços não merecem nenhuma nota negativa. O filme tem excelentes personagens e um elenco de luxo. O Padre Gabriel (Jeremy Irons) representa muito bem os ideais jesuítas, imbuídos do espírito combativo e evangelizador que ainda hoje caracteriza esta ordem. Irons ficou totalmente à vontade com a personagem e fez, neste filme, um dos trabalhos mais notáveis da sua carreira. Robert De Niro deu vida a Don Rodrigo Mendoza, uma personagem contraditória que começa sendo um dos mais activos perseguidores dos índios. A sua redenção, no entanto, leva-o a juntar-se ao esforço missionário ao ponto de se tornar um dos seus defensores mais activos. E como foi interessante ver De Niro num papel humano e emocional, em contraste óbvio às personagens que ele geralmente representa!... O filme também apresenta Ray McAnally como um cardeal, enviado pelo Papa para avaliar as queixas dos réis ibéricos. Os locais de filmagem são magníficos. O filme foi parcialmente filmado nas Cataratas do Iguaçu, no Sul do Brasil, muito perto dos lugares onde estes dramas foram sentidos na vida real. Por fim, é preciso mencionar a incomparável banda sonora original, composta por Enio Morricone, ainda hoje considerada das mais emocionantes, tocantes e melodiosas já criadas para o cinema.
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