Queimando Tudo
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Queimando Tudo

Queimando Tudo

O filme que o fará rolar pelos corredores.

Tipo

Filme

Ano

1978

Duração

86 min

Status

Released

Lançamento

1978-05-16

Nota

6.6

Votos

624

Direção/Criação

Lou Adler

Orçamento

-

Receita

US$ 41.590.893

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Cheech e Chong se conheceram e logo são presos e eventualmente deportados para o México. Para conseguirem regressar aos Estados Unidos, a dupla recebe inadvertidamente uma van feita de maconha, que ao longo do trajeto deixa todos os que seguem chapados e acabam parando em um festival de rock.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um bom exemplo de como o cinema pode ser irresponsável e displicente quando quer passar mensagens ao público.** Eu já disse, em outras resenhas de outros filmes, que encaro o cinema como uma experiência de lazer e como uma forma de expressão artística. Na sua essência, o cinema é isso. Todavia, há tantos filmes que procuram doutrinar e veicular mensagens políticas ou sociais que não nos é fácil esquecer que a máquina industrial e propagandística ligada ao cinema é perfeita para a “lavagem cerebral” em massa das multidões. É algo que não gosto e que é até perigoso, tendo em conta que pode ser usado para o bem ou para o mal, consoante mensagem que se veicula. E a mensagem que este filme nos passa é de uma tremenda irresponsabilidade social! Lançado em 1978, num tempo em que o cinema americano ainda sentia a forte influência dos ‘hippies’ e dos ideais de uma Esquerda libertária e contracultura, o filme começa por nos revelar duas personagens bem diferentes (um latino pobre e um ricaço bem-nascido e mimado) que se unem no amor pelas drogas, e muito especialmente pela marijuana, ou canábis. O roteiro é inexistente e subscrito: as personagens limitam-se a uma busca, incessante e sôfrega, por mais e mais drogas, acabando por regressar do México com uma carrinha feita de canábis e que vai deixando, por onde quer que passa, um rasto de fumo e de pessoas acidentalmente drogadas, e aparentemente muito felizes com o efeito. O filme é uma daquelas películas que devia envergonhar Hollywood: é uma grande apologia ao consumo, liberal e recreativo, de um variado coquetel de drogas, que começa pela marijuana e termina nos ácidos, “speeds” e heroína. A quantidade de substâncias mencionadas no filme é vasta e a forma como o tema é abordado deveria ter levado a acções legais e ordens de prisão contra os actores, os produtores, o estúdio e o director Adler, a fim de responderem pelas suas atitudes irresponsáveis e inconsequentes. E se o leitor acha isso demasiado drástico, eu deixo-lhe a pergunta: seria razoável ou positivo que eles tivessem lançado uma comédia que fizesse um retracto simpático ou agradável do Nazismo, ou do Holocausto? Sim, uma coisa não tem a ver com a outra! Mas há limites razoáveis para tudo, inclusive para a comédia, e há temas que não servem, simplesmente, para fazer rir. Não quero dizer com isto que penso que o filme foi determinante no aumento do consumo de drogas, ou que todas as pessoas que o viram foram, em seguida, comprá-las. Mas se nós, como sociedade, começamos a permitir que certos actos e comportamentos condenáveis sejam vistos de forma displicente, isso vai-se entranhando na cabeça das pessoas, gradualmente. A somar a esta questão de irresponsabilidade moral e social, o filme tem ainda uma comédia de perfeito mau gosto: eu nunca vi um filme onde as personagens passassem tanto tempo em casas de banho, ou aos vómitos. Se isso é engraçado, não vi piada nenhuma, mas talvez o erro seja meu, afinal de contas eu não nasci nem vivo numa caverna, e os meus pais deram-me boa educação. Tecnicamente, os únicos aspectos dignos de menção são os veículos, começando no VW Carocha modificado com peças de Rolls Royce e terminando na própria carrinha verde que surge na maior fatia do filme. Cheech Marin e Tommy Chong merecem a Framboesa de Ouro e são absolutamente deploráveis, como actores e como humoristas. Pessoalmente, sou favorável ao banimento deste filme, por motivos morais e educacionais. No entanto, até pode ser visto se for enquadrado e acompanhado de explicações acerca do perigo do uso de drogas. A nossa sorte é que existem imensos filmes com mensagens sobre o perigo e os malefícios da droga (e sim, a canábis é uma droga igual às outras).

Fotos do título

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