Crimes e Pecados
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Crimes e Pecados

Crimes e Pecados

Um filme sobre o ser humano

Tipo

Filme

Ano

1989

Duração

104 min

Status

Released

Lançamento

1989-10-13

Nota

7.4

Votos

944

Direção/Criação

Woody Allen

Orçamento

US$ 19.000.000

Receita

US$ 18.254.702

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

O diretor Woody Allen trata de duas histórias de adultério em um mesmo filme. Um médico de Nova York (Martin Landau) tenta encobrir de sua esposa sua vida de traições desesperadamente. Um documentarista (o próprio Woody Allen) luta contra a tentação enquanto está produzindo seu novo filme.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um ensaio sobre a moralidade, e como vivemos o que apregoamos como sendo certo e errado.** Não sou um admirador de Woody Allen… mas também não sou um dos muitos que lhe dedicam ódio figadal. Para mim, é apenas mais um cineasta, e um daqueles que costuma ter mais sucesso no circuito dos festivais de cinema e no mercado comercial europeu do que, propriamente, nos EUA. Então, quando vejo um filme dele, nunca tenho realmente expectativas muito altas, embora eu saiba, ou pressinta, que o ‘jazz’ ligeiro, as piadas sem graça e a obsessão por temas eróticos são temas que vão aparecer, pois são característicos da filmografia dele. Por mim, tudo bem. A trama centra-se em Judah Rosenthal, um advogado de meia-idade, que cometeu o erro de arranjar uma amante e lhe fazer promessas. Quando a ilusão se desfaz, ela decide fazer um ultimato: ou o causídico pede o divórcio, ou ela mesma conta toda a verdade à legítima e enganada esposa. Entre a espada e a parede, Judah, que ainda por cima é judeu e posa como um homem íntegro perante a sua comunidade, procura os conselhos do seu irmão, Jack, que lhe arranja um “solucionador de problemas” (entenda-se, um criminoso que se dispõe a matar a amante, mediante o prévio adiantamento de um grosso maço de notas). Ao mesmo tempo que esta trama se desenrola, o filme cria outra, centrada em Cliff Stern, um produtor de documentários, casado, que está a trabalhar num projecto de que não gosta e inicia um caso amoroso com uma das suas colegas de trabalho. Como podemos ver, o filme, considerado um dos melhores do director, aborda temas que giram em torno da moral, da maneira como vivemos os valores que apregoamos, da fé e da forma como a religiosidade é vivida por nós. Ambas as tramas são sobre o adultério e isso pode sugerir que o cineasta quer fazer uma espécie de ensaio sobre a moralidade no casamento, ou sobre a falta dela. Seja como for, o filme tem bastante de filosófico, se nós quisermos abordá-lo por essa perspectiva. A maior crítica que lhe faço é ter duas histórias aparentemente distintas e sem ligação entre si. Acredito que teria sido mais produtivo pôr os dois protagonistas em frente um do outro, e reconhecendo os erros e as virtudes um do outro, mas isso é apenas a maneira como eu penso que o filme podia ser melhorado. Sei que é um filme de Woody Allen, e o director tem o costume de inserir nos seus filmes os mesmos elementos de assinatura: o ‘jazz’, as festas sociais e jantares de amigos, mas acho que o filme teria sido mais interessante com menos humor seco e sem piada. Como quase sempre acontece, Woody Allen dirige, escreve o argumento e ainda assegura um dos papéis principais. Há quem goste dele e quem o odeie, mas não lhe podemos negar versatilidade e capacidade, ainda que possamos ter ideias e opiniões diferentes das dele, o que muitas vezes é o meu caso. Martin Landau é um veterano do cinema que já brilhou em filmes como “The Greatest Story Ever Told” e “North by Northwest”. Neste filme, o actor mostra continuar perfeitamente activo, conseguindo expressar bem a complexidade das emoções e as crises de consciência da sua personagem. Alan Alda surpreende-nos ao interpretar magistralmente um homem profundamente vaidoso e egocêntrico, que sempre nos soa antipático, mas não ao ponto de lhe desejarmos um castigo. Por sua vez, Anjelica Huston e Mia Farrow fazem ambas excelentes actuações, conseguindo convencer-nos das dúvidas e angústias que as suas personagens vão experimentando. Claire Bloom e Jerry Orbach dão um apoio necessário e bem-vindo.

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