
Gallipoli
De um lugar que você nunca ouviu falar, vem uma história que você nunca vai esquecer.
Tipo
Filme
Ano
1981
Duração
112 min
Status
Released
Lançamento
1981-08-13
Nota
7.1
Votos
530
Direção/Criação
Peter Weir
Orçamento
US$ 2.600.000
Receita
US$ 17.400.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Mel Gibson apresenta uma eletrizante performance, nesta empolgante história do diretor Peter Weir, sobre a amizade e a aventura de dois soldados australianos em 1915. Eles cruzam continentes e oceanos, sobre pirâmides e caminham pelas antigas areias do Egito para juntar-se a seu regimento na batalha de Gallipoli. Os ecos da história misturam-se com o destino desses amigos, à medida que eles se tornam parte de um lendário confronto na 1ª Guerra Mundial, entre Austrália e os turcos, aliados da Alemanha – uma batalha que significou para os australianos o que Álamo significou para os americanos. Estrelando Mel Gibson e Mark Lee..
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**A Austrália “nasceu” na Turquia.** Este é um filme muito interessante que aborda a participação conjunta da Austrália e a Nova Zelândia na Primeira Guerra Mundial. Ambos os países tinham tido a sua independência do Reino Unido há pouco tempo, não havia uma real sensação de identidade nacional e, apesar da proximidade das colónias alemãs na Papua Nova Guiné e nas Ilhas Salomão, havia imensos australianos que não entendiam a entrada na guerra, ao lado dos britânicos. Era uma guerra dos ingleses, não deles. A mesma coisa se sentia no meu país, Portugal, o mais antigo aliado do Reino Unido, mas que só entrou na Primeira Guerra Mundial em 1916, contra a vontade dos ingleses. Porém, os políticos portugueses viram na guerra um meio de dar prestígio internacional a um regime republicano jovem e desacreditado, e de segurar a soberania portuguesa em África e na Índia. Apesar de não terem relação entre si, o percurso de australianos e portugueses na Primeira Guerra Mundial teve igual fim: o CEP, a brigada militar portuguesa, foi dizimada em França, em 1918, na maior derrota da história multissecular do Exército Português; a ANZAC perdeu-se quase totalmente nos Dardanelos perante a obstinada defesa turca comandada por Mustafá Kemal, que tinha o domínio dos terrenos e soube antever o que os Aliados iam tentar. Considerações históricas aparte, o filme não se concentra na acção militar nem no que se passou na malograda Batalha dos Dardanelos. Somos levados até lá pela bonita amizade entre dois jovens atletas australianos com muito potencial, que se alistam na ANZAC (um deles teve até a necessidade de mentir porque era demasiado novo). Eu não sei bem o que eles esperavam fazer, nem se pesaram a hipótese de não voltarem para casa vivos. Acho que, como acontece muitas vezes, quiseram alistar-se porque todos os outros rapazes iam fazê-lo. O roteiro não explora isso como poderia, e talvez uma das fraquezas do filme seja da falta dessa profundidade emocional e mental em momentos decisivos. Também senti falta de um maior esforço de contextualização: quem não for um entendido em história é capaz de não saber exactamente o que foi aquela batalha. A nível técnico, o filme salda-se por uma excelente cinematografia, cenário e figurinos, e uma reconstrução da época que, no geral, funciona satisfatoriamente. É claro que não é tecnicamente perfeito. Por exemplo, nas cenas de combate há uma grande falta de efeitos visuais e especiais que confiram intensidade à acção, resultando em batalhas que não são propriamente emocionantes de ver no grande ecrã. Também há muita falta de sangue aqui. Eu não sou um adepto do gore nem dos efeitos mais visualmente chocantes, mas parem e pensem comigo: é uma batalha, é a guerra. Há mortos, há feridos, há mutilados, há gente aos gritos caída no chão em agonia, à espera da própria morte e a pedir socorro. O filme não nos mostra a realidade crua do combate, talvez para permitir uma classificação para adolescentes, o que eu compreendo, mas honestamente não aprovo. Apesar de o filme contar com um elenco mais vasto, como é natural, a verdade é que os dois protagonistas, Mel Gibson e Mark Lee, dominam absolutamente toda a acção. Vale a pena estar atento ao trabalho dos dois actores: Gibson ainda não tinha o estatuto estelar que atingiu em Hollywood, e a modéstia ficava-lhe bem. Era um actor jovem, mas tinha já o talento que o caracteriza, e um sorriso simpático, um carisma que torna a personagem dele agradável e merecedora de empatia. Lee é mais importante no roteiro, mas não tem a força e presença do seu colega. Ele é bom, mas mais discreto e menos carismático. Pode ter sido isso, de facto, que não o ajudou a alavancar a sua carreira de actor. O filme ainda conta com participações positivas de Bill Kerr num papel curto, mas significativo.
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