A Rainha
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A Rainha

A Rainha

Tipo

Filme

Ano

2006

Duração

103 min

Status

Released

Lançamento

2006-09-15

Nota

7.0

Votos

1.415

Direção/Criação

Stephen Frears

Orçamento

US$ 15.000.000

Receita

US$ 123.384.128

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

A notícia da morte da princesa Diana se espalha rapidamente pelo mundo. Incapaz de compreender a reação emocional do público britânico, a rainha Elizabeth II (Helen Mirren) se fecha com a família real no palácio Balmoral. Tony Blair (Michael Sheen), o recém-apontado primeiro-ministro britânico, percebe que os líderes do país precisam tomar medidas que os reaproximem da população e é com essa missão que ele procura a rainha.

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Reviews

Total: 2

Filipe Manuel Neto

**Os sete dias que abalaram a monarquia.** Este filme trata de uma personalidade ainda viva e contemporâneo de todos nós: a rainha Isabel II do Reino Unido, uma dos mais antigas monarcas da história recente e uma das figuras mais influentes do mundo. Neste filme, ela enfrenta os dias dramáticos após a morte da princesa Diana, numa das semanas mais negras da história da realeza britânica. Dirigido por Stephen Frears, o filme tem Helen Mirren no papel principal. A princesa Diana foi, enquanto viveu, uma das figuras mais influentes da realeza, ajudando a popularizar e a modernizar a monarquia da mesma forma que, décadas antes, Grace Kelly havia feito. Ainda hoje há pessoas com visões muito diferentes de Diana. Algumas pessoas idolatram-na, outra desprezam-na, acusam-na de manipular os tablóides. Por uma ironia do destino, foi essa fama e influência sobre as revistas cor-de-rosa que veio a matá-la, de uma forma que levantou controvérsias que, ainda hoje, são alvo de debate entre os teóricos das conspirações. No entanto, se há algo de que não existem dúvidas é a antipatia reinante entre ela e a sua sogra, a Rainha. Eram duas mulheres com uma personalidade muito forte e antagónica. Se Diana era virada para a emoção e sabia despertar e mostrar emoções, a rainha Isabel II é o oposto: desde pequenina foi educada para cumprir o seu dever, para representar o seu papel e impedir sempre que os sentimentos e emoções interferissem. Era uma rainha que tentou ser um exemplo, à sua maneira, profundamente britânica e impecável de ser. O filme mostra-nos isso, e mostra como Isabel II considerava Diana um elemento de fora da família (como de resto o era, após o divórcio do Príncipe Carlos). Formalmente, a soberana tinha razão, no entanto o povo nunca divorciou mentalmente a figura de Diana da instituição monárquica e exigiam-se funerais públicos e honras de Estado para uma mulher que, noutras circunstâncias, jamais as teria obtido. E se isto parece incompreensível para Isabel II, pior se torna quando se exige que ela demonstre pesar por uma nora que detestou toda a vida. E numa época em que as instituições reais europeias dependem, mais do que nunca, dos barómetros de popularidade, podemos considerar o quanto a soberana teve motivos para estar preocupada. Helen Mirren deu vida à rainha britânica de um modo absolutamente brilhante. Acredito que até a verdadeira rainha se deve ter conseguido rever na interpretação da actriz, que recebeu o Óscar. Ela conseguiu dar ao público a imagem de uma mulher dividida entre o que deve fazer e o que realmente quer. Uma mulher educada para governar e não mostrar fraquezas mantendo a compostura sob quaisquer circunstâncias e seguindo o protocolo, mesmo quando as pessoas exigiam que ele fosse quebrado. O filme mostra até uma das verdades menos conhecidas da monarca: saber conduzir graças ao período que passou como mecânica do Exército. Michael Sheen também brilhou no papel de Tony Blair, um primeiro ministro inteligente que rapidamente percebeu o que a rainha não estava a entender: que a vontade das pessoas estava acima do protocolo. O trabalho de maquilhagem e guarda-roupa esteva ao mais alto nível. Os cenários também ajudaram a configurar as personagens e mostrar a vida quotidiana da realeza sem cair no cliché dos luxuosos e impessoais salões vistos em palácios reais. A fotografia cumpre o seu papel com inteligência e a banda sonora, de Alexandre Desplat, é excelente e encaixa-se perfeitamente no filme.

Filipe Manuel Neto

**UM FILME QUE NÃO HUMANIZA A MONARQUIA, MAS A RAINHA QUE A LEVOU AOS OMBROS POR MEIO SÉCULO.** CRÍTICA QUE ESCREVI DEPOIS DE REVER O FILME. A rainha Isabel II do Reino Unido é uma das personalidades mais marcantes do século XX: ela assistiu a mais de meio século de mudanças e foi obrigada a adaptar-se a um mundo onde a instituição monárquica é cada vez mais necessária, pertinente e actual, mas também cada vez mais injustiçada e incompreendida. Mais que uma tradição, a monarquia constitucional, nos moldes europeus, assume-se cada vez mais como um garante das instituições democráticas em tempos de crescente instabilidade e de maior descrédito dos políticos eleitos; um pilar sólido onde a independência e soberania do povo encontra um aliado responsável, previdente e capaz de fiscalizar a acção político-partidária e de exigir respostas para problemas de fundo, por meio de estratégias e planos de longo prazo que não rendem votos ou se resolvem com paliativos. Vi este filme pela primeira vez há muitos anos e revi-o agora, já após a morte desta soberana admirável, que cumpriu o seu dever até ao fim. A ideia deste filme foi do argumentista Peter Morgan, que escreveu um texto onde explorava a reacção à morte de Diana Spencer, a ex-Princesa de Gales, e o embate entre o conservadorismo protocolar da monarca, educada para conter as emoções e executar as suas funções com estóica dignidade, e Tony Blair, um político sagaz que entendia o sentimento popular. Presa à rigidez institucional, Isabel II tinha motivos para não se sentir obrigada a prestar homenagens fúnebres públicas a uma pessoa que deixara de pertencer à sua família. No entanto, Blair percebeu que para o público não era assim, era a sua princesa e a culpa do divórcio residia no adúltero Carlos. A rainha teve de ceder para não cair na raiva do povo, prestando homenagem a uma mulher que detestava e que representava tudo aquilo que ela não era. O argumentista apresentou o texto a Stephen Frears, com quem já fizera um telefilme sobre Blair, e o projecto ganhou consistência. A produção conseguiu um orçamento de cerca de 15 milhões de dólares através de acordos de parceria com canais de televisão e empresas de produção e distribuição de filmes. Os direitos de distribuição nos EUA só foram negociados com o filme pronto. Sem permissão para filmar em propriedades régias, as filmagens decorreram em Paris, Londres e na Escócia, usando casas históricas como o Castelo Fraser, o Castelo Cluny, Brocket Hall e Waddesdon Manor. O cenário foi pensado com o realismo em mira e o filme faz, em geral, um retrato rigoroso dos acontecimentos públicos. A cinematografia elegante e realista de Affonso Beato recorre a câmaras Panavision e usa filme 35mm e 16mm para representar as diferenças de perspectiva entre a rainha e o primeiro-ministro. É interessante ver como ele mesclou as cenas filmadas com imagens de arquivo reais do funeral de Diana. O elenco conta com diversos actores britânicos de renome em papéis de apoio. Vale a pena destacar James Cromwell, que trabalhou bem a química com Mirren e mostra-nos o lado simpático e espontâneo de Filipe de Edimburgo. A actuação de Michael Sheen, que deu vida a Blair, é igualmente elegante e inteligente. No entanto, o que faz o filme funcionar de modo notável é a entrega total de Helen Mirren, uma actriz que se pôs totalmente na pele da rainha, estudando os discursos e filmagens, treinando a colocação da voz, os gestos e a humanidade por trás da monarca. Ela soube encarnar a rainha, e parece que até ela soube reconhecer e aprovar esse esforço, embora Isabel II, fiel a si mesma, nunca tenha expresso opiniões em público sobre este filme. O trabalho de figurino e maquilhagem está excelente aqui, bem como a banda sonora, de Alexandre Desplat. Claro, o filme tem os seus defeitos e problemas. O principal, para mim, é o ritmo razoavelmente lento. Não é um problema real, eu suportei isso muito bem, mas reconheço que não é um filme para todos os públicos e as pessoas que procuram algo mais dinâmico devem sentir-se atraídas por outros filmes. Aqui, o que conta são os diálogos, as interacções entre as personagens, e o estudo da personagem central da trama. Não é um grande drama político. Também observei a forma algo rasa como as personagens secundárias são concebidas. A que mais se salvou foi Filipe de Edimburgo, mas reconheço que o príncipe Carlos, a Rainha-Mãe ou até mesmo a esposa do primeiro-ministro Blair são personagens que carecem de qualquer subtileza e que estão ali apenas para contracenar com as personagens de maior destaque.

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