
Tipo
Filme
Ano
2025
Duração
104 min
Status
Released
Lançamento
2025-03-07
Nota
6.2
Votos
143
Direção/Criação
James Ashcroft
Orçamento
-
Receita
US$ 422.256
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Confinado em uma casa de repouso isolada e preso dentro de seu corpo atingido por um derrame, um ex-juiz deve deter um psicopata idoso que emprega um fantoche infantil para abusar dos moradores da casa com consequências mortais.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Pedro Quintão
The Rule of Jenny Pen parte de uma premissa que, à partida, prometia um mergulho sombrio num terror psicológico com elementos sobrenaturais. A ideia de um lar de idosos onde um lunático usa uma boneca sinistra para atormentar os restantes utentes sugeria um slowburn inquietante, quase ao estilo de The Taking of Deborah Logan fundido com Hereditary. Mas rapidamente percebemos que esse não é o caminho que o filme escolhe seguir . Neste caso, temos é mais um thriller dramático com tons negros, onde o verdadeiro terror não reside numa boneca possuída, mas na solidão, no abandono e na inevitável decadência física e emocional associada ao envelhecimento. E, sinceramente, é aí que o filme é mais eficaz. Não por provocar medo, mas por nos inquietar de forma subtil, quase cruel. Há qualquer coisa de profundamente desconfortável na forma como nos deparamos com a fragilidade dos idosos, com as suas rotinas silenciosas, os olhares vazios e os quartos despidos de vida como se estivessem à espera da morte. E talvez esse seja o verdadeiro “fantasma” que paira sobre esta narrativa. Geoffrey Rush e John Lithgow entregam interpretações sólidas. Sente-se o peso dos anos nas expressões e nos gestos das personagens, e isso é mérito dos atores, que conseguem encontrar humanidade nos pequenos momentos, mesmo que as suas personagens sejam moralmente opostas. O ritmo é absolutamente lento. E eu até sou dos que apreciam uma boa narrativa pausada, que constrói atmosferas e dá espaço ao silêncio. Mas aqui, a lentidão prejudica o filme. Passamos demasiado tempo à espera que algo aconteça, e quando finalmente acontece, é de forma apressada e algo confusa, como se o realizador se tivesse lembrado de que precisava de fechar apressadamente a história antes dos créditos finais. A sensação é de desequilíbrio narrativo: muita preparação para um clímax pouco convincente, onde diversas cenas nunca são explicadas. Isso talvez também esteja relacionado com o maior problema de The Rule of Jenny Pen que se vendeu como um filme de terror, mas nunca se compromete verdadeiramente com o género, recusando-se a usar os seus simbolismos. Teria sido interessante ver este universo explorado com mais coragem, talvez à semelhança de Hereditary e The Babadook. Mesmo assim, houve momentos que me sensibilizaram. Tendo familiares em lares de idosos, não consegui evitar que certos pensamentos me assaltassem: será que os meus avós sentem o mesmo vazio? Será que eles sofrem psicologicamente com algum outro utente? Mesmo falhando em muitos aspetos, consegue provocar esse tipo de reflexão. Em suma, The Rule of Jenny Pen não é um mau trabalho, mas está longe de ser memorável. É uma obra que talvez funcione melhor como drama existencial do que como thriller ou terror. Vale a pena ver, sim, desde que o espectador esteja preparado para um ritmo muito pausado ou que pretenda ser desafiado a testar a sua paciência.
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