O Talentoso Ripley
Voltar
O Talentoso Ripley

O Talentoso Ripley

Até onde você iria para se passar por outra pessoa?

Tipo

Filme

Ano

1999

Duração

139 min

Status

Released

Lançamento

1999-12-25

Nota

7.2

Votos

4.100

Direção/Criação

Anthony Minghella

Orçamento

US$ 40.000.000

Receita

US$ 128.798.265

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Ser um jovem rico no ensolarado sul da Itália é a vida que Tom Ripley quer ter e que Dickie Greenleaf já tem. Ripley é contratado pelo pai de Dickie para convencê-lo a voltar para casa e para sua família, nos Estados Unidos. Ao chegar na Itália, Ripley se encanta com o estilo de vida do rapaz e fará de tudo para ter uma vida igual. Tudo! Ripley não se detém diante de nada, nem mesmo do crime, para realizar seu sonho de se transformar em outra pessoa.

Anterior7.2Próximo

Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Deliciosamente denso, este filme é verdadeiramente imperdível.** Este filme esteve totalmente à altura das minhas expectativas, tendo-se revelado um autêntico ensaio sobre a vaidade, a hipocrisia, a falsidade humana. Baseado num romance, o filme traz ao cinema novamente um material que já dera origem a pelo menos um filme, nos anos 60. É, no entanto, mais do que um mero remake, não fazendo qualquer espécie de alusão a essa película, que só os cinéfilos autênticos irão provavelmente recordar agora. O roteiro é simples de resumir, mas qualquer ideia de uma história simplista, fácil ou ligeira é, a meu ver, uma grande ilusão: o filme é bastante mais denso, psicologicamente rico e matizado do que esta breve sinopse pode dar a entender. Tom Ripley, um jovem de origens modestas, vai cair nas boas graças do Sr. Greenleaf, um industrial da construção naval americana que depressa o vai “contratar” para ir à Itália convencer o seu filho, Dickie, a voltar e a assumir o seu lugar nas empresas. Acontece que Dickie, a viver hedonística e despreocupadamente na costa italiana, ao lado de uma bela mulher e à custa do pai, rodeado de amigos, diversões e prazeres, quer tudo menos voltar… e Ripley decide ficar também. Mas a inveja de Ripley pode levá-lo mais longe, à medida que as diferenças e as incompatibilidades entre ambos aumentam, bem como o desejo de Ripley de ter a vida do seu novo amigo. De facto, até que ponto podemos invejar alguém? Ripley vai ao extremo, anulando o seu próprio eu para encarnar completamente a pessoa invejada, tornando-se nessa mesma pessoa. Como ele mesmo diz, “eu prefiro ser um falso alguém do que um completo ninguém”. Claro, qualquer pessoa podia afirmar que a situação do filme seria insustentável a longo prazo para Ripley, com a mentira a vir ao de cima à medida que todos aqueles que realmente conheciam Dickie surgiam e questionavam o seu aparente desaparecimento… há também aqui, tanto numa personagem quanto na outra, uma espécie de homossexualidade latente e reprimida por ambos os lados, o que adensa bastante mais a psicologia complexa das personagens. Para além de uma boa história e de uma excelente construção das personagens e do roteiro, o filme brinda-nos com um extraordinário elenco. Claro, pela natureza das suas personagens, Matt Damon e Jude Law merecem todo o destaque. Damon é excelente na maneira contida, obsessiva e fria como encarnou a personagem, mas é Law que me encantou realmente, brindando-nos com um dos melhores trabalhos da sua carreira: ele dá à sua personagem um carisma próprio e uma enorme paixão pela vida que vai além de qualquer hedonismo de menino rico. Além deles, o filme conta com uma participação satisfatória, ainda que apagada, de Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett (bastante mal aproveitada e quase não aparece) e também Philip Seymour Hoffman, a quem o roteiro reserva um papel particularmente caricato, associado à vida boémia e a uma certa vadiagem elegante. A nível técnico, o filme tem vários elementos de interesse, começando por uma cinematografia muito boa e carregada de elegância, com boas cores, boa luz, e o aproveitamento inteligente da beleza das paisagens mediterrânicas onde o filme foi rodado. Na verdade, o filme consegue fazer com que até nós, o público, desejemos para nós a vida despreocupada de sol, mar e música que Dickie Greenleaf escolheu para si, e consigamos compreender muito bem o modo como Ripley se deixou seduzir e fascinar por tudo aquilo… claro, nenhum de nós faria o que ele acabou por fazer, mas quase que apoiamos a personagem. O filme é ambientado na década de 50, e vai-nos dando um cheirinho dessa época e desse ambiente através das roupas, dos automóveis e outros adereços, como o simples facto de quase todos fumarem, um hábito ainda considerado elegante naquela época. O ‘jazz’ é um elemento quase omnipresente no filme e a banda sonora tira bom proveito disso, mas lamento que o filme não tenha igualmente sabido aproveitar algumas das melhores canções italianas… recordo que a canção italiana dos anos 50 e 60 é considerada por muitos a época de ouro da música deste país europeu, com nomes como Emílio Pericoli, Mina Mazzini ou ainda Ornella Vanoni, para citar alguns.

Fotos do título

Clique para abrir e expandir cada foto.