Linhas de Wellington
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Linhas de Wellington

Linhas de Wellington

Tipo

Filme

Ano

2012

Duração

151 min

Status

Released

Lançamento

2012-10-04

Nota

5.7

Votos

46

Direção/Criação

Valeria Sarmiento

Orçamento

US$ 4.800.000

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Muito melhor que a maioria dos filmes portugueses, ainda tem arestas para limar.** "As Linhas de Wellington" é um drama de guerra feito, em co-produção, por Portugal e França, e retracta a fase final das Invasões Francesas em Portugal. Derrotados na Batalha do Buçaco, os soldados do general francês Massena prosseguem rumo a Lisboa, forçando os exércitos anglo-portugueses a recuar para as Linhas de Torres Vedras, um conjunto massivo de fortificações artilhadas e caminhos entrincheirados pensado para não deixar passar o invasor e, também, proteger uma eventual retirada britânica do país. Sem meios e armamento para forçar a passagem, Massena virá a desistir da invasão, recuando para Espanha, meses depois, sempre perseguido pelos soldados britânicos. Bem, eu costumo ser um pouco pessimista em relação ao cinema português, mas tendo em conta o grande orçamento do filme e os nomes sonantes envolvidos no elenco decidi dar-lhe uma oportunidade. E, confesso, fiquei impressionado pela qualidade do produto final, muito acima do normal para o cinema português. Vamos primeiro falar dos detalhes técnicos do filme, que eu penso serem um dos seus pontos mais fortes. De facto, é raro um filme em Portugal ter valores de produção tão bons. Temos aqui uma excelente fotografia, cenários impecáveis, figurinos e maquilhagem excelentes, fiéis ao período retractado, um bom trabalho de filmagem e de edição e ainda uma banda sonora bastante boa, que fica no ouvido. É perfeitamente possível ver onde tanto dinheiro foi gasto, e bem gasto. Penso que o filme é um pouco escuro, na medida em que o cinzento é uma cor muito presente na fotografia, mas acho que isso combinou bem com o enredo e o ambiente do filme. Outro ponto em que o filme excedeu as minhas expectativas foi o elenco e o seu trabalho. O nome mais sonante é o de John Malkovich, actor já duas vezes nomeado ao Óscar, bem conhecido de Hollywood e que tem residência em Portugal desde há alguns anos. Sendo o nome mais sonante do elenco, devia ter presença e protagonismo na trama... mas o roteiro limita-se a mostrar Wellington a discutir com o seu pintor, em divagações filosóficas sobre um bife ou em momentos de meditação, com velas acesas. É manifestamente pouco trabalho para um actor como Malkovich, o que pode ser um contra-senso, dependendo do dinheiro que ele ganhou com o filme. Isto sem falar que, ao contrário de Malkovich, Wellington era mais novo e tinha o cabelo curto. Também outros nomes sonantes, como Isabelle Huppert, Melvil Poupaud, Catherine Deneuve e a filha dela, Chiara Mastroianni, só surgem em cameo. Isto é, os grandes actores que poderiam impulsionar o filme com o seu talento e dar algo a aprender ao elenco português raramente são utilizados, limitam-se a aparecer e a ajudar o filme a vender. Isso é, no mínimo, estúpido. O verdadeiro elenco, que realmente aparece e representa, é composto por um núcleo duro onde vemos bons actores portugueses como Nuno Lopes (um sargento de um Batalhão de Caçadores português), Marisa Paredes (uma viúva espanhola), Carloto Cotta (um oficial português), Victoria Guerra (uma fogosa inglesinha), Marcello Urgeghe (um oficial britânico), Jemima West (a noiva de um oficial inglês que morre no conflito), Miguel Borges (um comerciante usurário), Filipe Vargas (um aristocrata em busca da esposa desaparecida), Adriano Luz (um poeta português, inicialmente ao lado dos franceses, que se desilude e deserta para combater do lado português) Elsa Zylberstein (uma freira), Albano Jerónimo (um padre que pega em armas contra os franceses), Joana de Verona (uma mulher que luta para vingar a morte do filho e os abusos que sofreu), Gonçalo Waddington (um espião), Maria João Bastos (a esposa do aristocrata) e Paulo Pires (um oficial militar). Todos estiveram razoavelmente bem, mas Nuno Lopes, Jemima West, Adriano Luz e Albano Jerónimo merecem especialmente os parabéns pelo seu bom trabalho. Destacaria, também, Joana de Verona, a quem o filme reserva uma das personagens mais sofridas e dramáticas. Victoria Guerra faz também um bom trabalho e tem um excelente sotaque inglês, mas as cenas onde surge nua são dispensáveis e poderiam ter sido cortadas, se não fosse o mau hábito português de envolver sexo em tudo. Quem espera ver um filme de guerra, ou um filme histórico, vai certamente desiludir-se. As personagens históricas limitam-se a aparecer fugazmente, os factos históricos são retractados, mas não é sobre eles que versa o filme. Quase não vemos uma cena de luta, com excepção de algumas escaramuças. É um filme sobre pessoas comuns, a quem a guerra afecta profundamente, e sobre os seus dramas pessoais. Visto sob esse prisma, é um filme competente, e que tem mais qualidade que o lixo que o cinema português costuma apresentar. Mas está longe de ser perfeito e há um subaproveitamento de actores notáveis que não se entende, a não ser por eventuais questões ligadas ao cachê a ser pago.

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