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Filipe Manuel Neto
**Um clássico do cinema português.** Este é um clássico do cinema português que ainda ganha público hoje, graças a uma espécie de comédia ligeira que agrada a toda a família. Foi filmado em 1943, numa altura em que a maior parte do mundo estava imersa na Segunda Guerra Mundial e Portugal era um cantinho de paz, sem bombas e tiros. O filme aborda o velho tema do amor impossível entre diferentes classes sociais através do romance entre Luisinha, uma menina honesta mas humilde, e André, um aristocrata rico que, para cortejá-la, decide esconder a verdadeira origem e apresentar-se como Daniel, um simples motorista particular. A história comovente do casal desdobra-se de maneira tradicional mas cheia de sentimento. Não há grandes beijos ou cenas apaixonadas. Tudo é dito e feito formalmente, como a educação nos anos 1940 ditava. Mesmo assim, é bom ver e é lamentável que certos hábitos de namoro tenham sido perdidos ao longo destes setenta anos que passaram. Mas a principal atracção do filme é a comédia, servida ao público nas doses habituais de piadas situacionais, ao gosto dos portugueses. António Silva, talvez o mais notável dos actores portugueses até à data, interpreta Simplício Costa, também chamado de "Costa do Castelo", um modesto escritor de letras que vive a vida um dia de cada vez e brinca com todos, incluindo as suas próprias dívidas. Maria Matos, das melhores actrizes de teatro da época, dá vida a Mafalda, a arrogante matriarca da família e tia de André. A maneira rígida e exigente que ela trata todos ao redor, especialmente os criados, dá ao filme alguns dos seus momentos mais engraçados e memoráveis. Muito mudou desde que este filme foi lançado. Os tempos mudaram e o cinema português também mudou, perdendo muita qualidade ao longo dos anos. Hoje, o cinema português é limitado a curtas-metragens, filmes aborrecidos e teatrais para grandes festivais e alguns filmes comerciais, onde a comédia está baseada nas gírias baixas e o drama procura o apoio de cenas picantes para aumentar a bilheteira. Este filme continua a ser um dos meus favoritos e, no que diz respeito ao cinema português, é um sinal de que os portugueses, se assim o desejarem, podem fazer melhor cinema do que têm feito.
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