
Tipo
Filme
Ano
2013
Duração
123 min
Status
Released
Lançamento
2013-09-04
Nota
7.9
Votos
9.485
Direção/Criação
Richard Curtis
Orçamento
US$ 12.000.000
Receita
US$ 87.100.449
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Ao completar 21 anos, Tim descobre que pode viajar no tempo e mudar o passado. Depois de usar o poder para conseguir uma namorada, ele precisa lidar com consequências inesperadas.
Elenco principal
Reviews
Total: 2
Tiago França
Filme maravilhoso. História amarradinha, sem frescura ou explicações toscas e/ou científicas. Fluido. Lindo demais. Um ótimo filme para assistir sozinho ou à dois.
Thiago Thomas
# About Time: algumas coisas só precisam acontecer uma vez **⚠️ SPOILERS DE *ABOUT TIME*** *About Time* começa como um filme bem mais bobo do que aquele que termina sendo. Tim descobre aos 21 anos que os homens da família conseguem voltar para momentos do próprio passado. Só que o filme nunca transforma essa habilidade numa grande fantasia sobre mudar o mundo. A própria história deixa claro que existem coisas que ele não pode simplesmente desfazer, e a possibilidade de usar o poder para nunca mais precisar trabalhar também aparece muito mais como uma curiosidade do que como objetivo. O interesse de Tim continua sendo muito mais simples: fazer a própria vida funcionar um pouco melhor. Essa é uma das coisas que mais gosto no filme. O poder serve para corrigir uma conversa, evitar um constrangimento, tentar novamente alguma coisa que deu errado ou ajudar alguém. Muitas vezes Tim inclusive se fode justamente porque está tentando resolver um problema que nem era dele. No começo, parece que estamos vendo basicamente uma comédia romântica com viagem no tempo. Só que o filme cresce junto com Tim. Primeiro vem a descoberta do poder, depois Mary, o casamento, os filhos, os problemas da irmã e, quando a gente percebe, já estamos muito mais envolvidos com família, perda e passagem do tempo do que com viagem no tempo em si. ## Corrigir não significa mudar o resultado Uma das primeiras cenas já brinca muito bem com aquilo que o poder representa. Charlotte passa um tempo na casa da família e Tim fica completamente interessado nela, mas demora até o último dia para tentar alguma coisa. Quando finalmente toma coragem, ela diz que aquilo parece quase um insulto. Por que esperar até a última noite? Tim então recebe uma oportunidade que praticamente todo mundo já desejou ter depois de uma rejeição: ele pode voltar e fazer exatamente aquilo que a pessoa disse que deveria ter feito. Então ele volta. Tenta antes. E Charlotte responde que talvez fosse melhor esperar até a última noite. É uma cena engraçada, mas existe alguma coisa muito boa escondida ali. > **Às vezes a gente passa anos pensando no que teria acontecido se tivesse feito diferente, quando a verdade é que fazer diferente talvez não mudasse absolutamente nada.** Tim consegue testar um "e se?" que para nós normalmente só existe na cabeça. E o resultado é quase reconfortante: nem toda situação ruim aconteceu porque você escolheu as palavras erradas, esperou demais ou perdeu o momento perfeito. Às vezes você não perdeu uma oportunidade. Aquela oportunidade simplesmente nunca existiu da forma como imaginava. A gente costuma olhar para o passado com informações que não tinha enquanto estava vivendo aquilo e criar uma segunda versão perfeita dos acontecimentos. "Se eu tivesse falado antes", "se eu tivesse feito aquilo", "se eu tivesse percebido isso". Só que não sabemos o que aconteceria. Tim sabe. E às vezes acontece exatamente a mesma coisa. ## Mary e a vantagem de ter outra tentativa Com Mary acontece quase o contrário. Tim usa bastante o poder para fazer as coisas funcionarem. Depois de perder completamente o contato com ela ao voltar no tempo para ajudar outra pessoa, precisa reconstruir aquele encontro e encontrar um caminho para chegar até ela novamente. Depois, dentro do próprio relacionamento, ele pode repetir situações, aprender o que funciona e fazer determinados momentos cada vez melhores. É romântico dentro da lógica do filme, mas existe uma pequena estranheza nisso para mim. **Quanto daquele relacionamento teria acontecido daquela forma se Tim tivesse apenas uma tentativa?** Mary está vivendo determinadas situações pela primeira vez enquanto Tim já sabe alguma coisa sobre o que funciona, o que ela gosta e o que pode fazer diferente. Na vida real, normalmente a primeira tentativa é também a única. Não acho que isso transforme Tim em alguém manipulador ou torne o relacionamento menos bonito. É só uma consequência muito interessante da premissa que o próprio filme não parece querer explorar tanto. E talvez seja justamente por Tim não ser alguém obcecado em controlar tudo que isso funciona tão bem. Ele sempre me pareceu genuinamente um cara bom. Muitas vezes usa a habilidade porque quer ajudar alguém, evitar um sofrimento ou melhorar alguma situação. O problema não é uma necessidade de controlar as pessoas. É uma pergunta muito mais simples: **Se alguma coisa pode ser corrigida, por que não corrigir?** Uma conversa poderia ter sido melhor. Um encontro poderia ter dado mais certo. Alguém poderia não ter passado vergonha. Um problema poderia simplesmente deixar de existir. Só que a vida de Tim começa a mostrar que essa lógica também tem limites. > **Uma vida melhor não é necessariamente uma vida constantemente corrigida.** Algumas coisas não mudam quando ele tenta novamente. Outras mudam tanto que ele acaba perdendo algo que nem sabia que estava colocando em risco. Isso fica muito claro quando volta para ajudar a irmã e descobre, ao retornar ao presente, que seu filho não é mais o mesmo. Ele conseguiu alterar um problema, mas mexeu em uma sequência de acontecimentos muito maior do que imaginava. A partir dali, voltar no tempo deixa de parecer simplesmente uma versão melhor do botão de desfazer. ## Quando o poder encontra um limite Mas é na relação entre Tim e o pai que *About Time* realmente encontra seu coração. Eles nem têm tantas cenas juntos, e talvez seja justamente por isso que os poucos momentos entre os dois funcionem tanto. A relação não precisa de vinte grandes discursos para criar peso. Conforme o filme avança, aquelas pequenas interações vão ganhando outro significado. O pai é quem apresenta a habilidade para Tim e também alguém que já passou anos descobrindo o que fazer com ela. Existe uma tranquilidade nele que Tim ainda não tem porque, de certa forma, ele já percorreu o caminho que o filho está começando. O discurso no casamento é uma das cenas que mais gosto justamente por isso. Fica fácil imaginar que ele já esteve naquele momento antes, teve a possibilidade de voltar, pensar novamente e escolher exatamente aquilo que gostaria de dizer sobre o filho. No fim, escolheu falar sobre orgulho, bondade e família. Quando descobrimos o câncer, porém, a viagem no tempo encontra um limite muito mais doloroso. Não existe uma maneira simples de voltar e impedir tudo sem alterar também aquilo que veio depois. O pai poderia tentar reconstruir a própria vida de outra maneira, mas Tim talvez nem existisse. Até então, o poder parecia oferecer alguma proteção contra a perda. Agora aparece algo que ele não pode simplesmente corrigir. Mesmo depois da morte, Tim ainda possui um privilégio impossível para qualquer outra pessoa: quando sente falta do pai, pode voltar. **A memória ainda pode virar experiência.** Ele pode conversar com ele novamente, passar algum tempo ao seu lado e retornar para o presente. Só que nem isso pode durar para sempre. ## A última partida Quando Tim está prestes a ter outro filho, ele entende que continuar voltando para antes do nascimento significa correr novamente o risco de alterar quem aquela criança será. Seguir em frente passa a significar também abrir mão da possibilidade de continuar visitando o pai. Então os dois se despedem jogando ping-pong. É uma cena absurdamente simples, e é exatamente por isso que funciona tanto. Não existe uma grande solução nem alguma regra secreta que permita que Tim continue voltando para sempre. Eles apenas passam mais um momento juntos sabendo que aquela será a última vez. > **Até ali, Tim ainda podia transformar saudade em reencontro. Depois disso, precisa aprender a viver apenas com a lembrança.** É provavelmente o momento em que a fantasia da viagem no tempo mais se aproxima da experiência comum de qualquer pessoa. O pai morreu, o tempo passou e Tim finalmente precisa entrar no mesmo fluxo que todo mundo. O mais bonito é que o filme não tenta escapar disso.
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