
Na Corda Bamba
Tipo
Filme
Ano
1996
Duração
135 min
Status
Released
Lançamento
1996-08-30
Nota
7.5
Votos
850
Direção/Criação
Billy Bob Thornton
Orçamento
US$ 1.200.000
Receita
US$ 34.100.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Karl Childers (Billy Bob Thornton), que é um pouco retardado, passou parte da sua vida num sanatório, pois quando era garoto viu sua mãe fazendo amor com Jesse Dixon, que não conhecia. Karl se descompensou e matou ambos. Só quando adulto foi libertado, pois decidiram que ele não oferecia mais perigo. Perambulando pela cidade Karl faz amizade com um garoto, Frank Wheatley (Lucas Black), o filho de uma viúva, Linda (Natalie Canerday). O administrador do hospício, Jerry Woolridge (James Hampton), consegue um emprego para Karl e, como Linda percebeu que seu filho ficava feliz com a presença dele, concordou que Karl morasse na casa dela. Porém isto desagrada muito Doyle Hargraves (Dwight Yoakam), um bêbado cruel que é o namorado de Linda e se comporta como o dono da casa. Doyle gera uma tensão constante, o que deixa Frank cada vez mais infeliz e faz com que Karl sinta que precisa fazer algo.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme carregado de desafios, a que Billy Bob Thornton, na sua obra maior, respondeu categoricamente.** Eu não sabia muito bem o que ia encontrar quando me dispus a ver este filme, e fico feliz por isso: é uma história realmente boa, convincente e comovente, que não tenta escapar à dura realidade das coisas para criar heróis inacreditáveis. E é provavelmente a obra mais sólida e significativa da carreira de Billy Bob Thornton. Com efeito, ele não só assegura o papel principal como é responsável pelo roteiro e pela direcção. É um trabalho de amor, de empenho total e absoluto, que torna este filme numa Magnum Opus, por muito que Thornton tenha feito outros trabalhos igualmente notáveis e carregados de talento. Nesta história, acompanhamos um homem aparentemente gentil e inofensivo que viveu a sua vida toda numa instituição para doentes mentais onde foi preso na infância, após matar a sua mãe e o namorado dela. Agora, ele é um homem maduro, mas que não conhece nada do mundo lá fora, não tem ligações de qualquer espécie com ninguém (ele tem pai, mas não há qualquer elo afectivo entre eles) e tem uma séria deficiência mental. Porém, os médicos consideram-no bem o suficiente para voltar a ter uma vida normal. Quando sai, ele volta à sua terra natal, onde conhece um menino que tem sensivelmente a mesma idade que ele tinha quando foi institucionalizado. A amizade entre os dois leva-o a conhecer a mãe dele, uma jovem que mantém um namoro complicado com um homem de natureza violenta. E apesar das suas limitações, ele percebe rapidamente que aquele homem pode ser perigoso para os seus novos amigos. Toda a história gira em torno de valores que nos são muito queridos: amizade, bondade e altruísmo. Não é um filme totalmente imprevisível, mas funciona muito bem e apresenta uma história profundamente credível. Afinal, basta abrir um jornal para vermos dezenas de situações de violência doméstica e de abusos no namoro que acabam mal. É um assunto que merece uma profunda reflexão social: num mundo onde cada vez mais se observam relacionamentos possessivos, é fundamental que se entenda que o amor só faz sentido se for alicerçado em bases de confiança, entendimento e aceitação mútuas. O filme também nos desafia a repensar os nossos preconceitos quanto às pessoas com deficiência mental: eles têm sentimentos e carências afectivas, como nós. Afinal, ter uma doença mental não quer dizer que se seja psicopata ou sociopata. Tecnicamente, o filme apresenta-nos uma excelente cinematografia, além de uma escolha sábia dos locais de filmagem e uma concepção cuidadosa dos figurinos e dos cenários da América Rural. Se a acção não é bem clara quanto à localização geográfica onde se passa a acção, as filmagens decorreram maioritariamente no Arkansas, e parece-me adequado situar a história ficcional algures entre este estado e o seu vizinho, Missouri. O ritmo bem modelado não dá azo a sonolências nem desgasta o público. Como eu já disse, é Billy Bob Thornton quem mais merece louvores pelo seu trabalho na obra geral, e particularmente como actor. Fazer papéis dramáticos de pessoas com deficiência mental é sempre desafiador: há um risco permanente de transformar a personagem numa caricatura merecedora de condenação e ofensiva para as pessoas. Thornton consegue ser autêntico, credível na sua interpretação, e colhe os frutos desse trabalho magnífico. Além dele, também Dwight Yoakam merece um aplauso por um trabalho desafiador e difícil, e no qual se saiu maravilhosamente bem.
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