
Um Táxi para a Escuridão
Tipo
Filme
Ano
2008
Duração
106 min
Status
Released
Lançamento
2008-01-18
Nota
6.9
Votos
256
Direção/Criação
Alex Gibney
Orçamento
US$ 1.000.000
Receita
US$ 274.661
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um documentário provocador, frontal e até chocante, que aborda um tema difícil.** Não há dúvidas de que os atentados de 11 de Setembro de 2001 foram um virar de página na forma como os EUA lidam com o mundo ao seu redor. Foi um sinal de que nem na sua terra os americanos estão a salvo se houver pessoas com ódio e motivação suficiente para atacar. Nos anos seguintes, vimos o contra-ataque, com os EUA a justificarem miseravelmente a invasão do Afeganistão e do Iraque e, mais recentemente, ingerências gritantes na política interna de vários países da América Latina, Europa e Médio Oriente. No meio de tudo isto, prisioneiros foram feitos, em nome da luta contra o terrorismo. Muitos deles eram culpados, apenas, de estarem no lugar errado e à hora errada. Foi o caso de um humilde taxista afegão, em torno do qual este documentário, vencedor de um Óscar, tece críticas à política norte-americana e ao uso de técnicas de tortura para obtenção de informações, muitas vezes falsas. A questão é: será que vale tudo na luta contra o terrorismo? Será que, em certo ponto, os militares dos EUA não se transformaram em terroristas ao agirem assim nos países que invadiram? São questões sensíveis, a que não é possível dar uma resposta simples. O documentário usa muito bem as fotografias das vítimas de tortura e pode ser visualmente perturbador, pelo que não o recomendo a pessoas mais sensíveis ou menores de idade. São cenas difíceis, tal como as descrições e depoimentos de alguns dos militares que participaram nessas torturas, e que acabaram por ser o bode expiatório que permitiu que os responsáveis reais – alguns deles políticos de topo e generais do Pentágono com ligações directas à Casa Branca – escapassem impunes a estes verdadeiros abusos aos direitos humanos mais básicos. O documentário faz o seu trabalho bem, informando e expondo a verdade dos factos, com entrevistas, documentos e testemunhos reais de pessoas que deram a cara pelo que se passou. O documentário não é dos mais notáveis, tecnicamente, mas é perfeitamente visível todo o empenho do director, Alex Gibney, que fez o documentário com muita dedicação pessoal. Eu penso que a pertinência do tema abordado, a forma frontal e directa com que foi feita a sua abordagem e as questões que levanta, ao nível da política norte-americana e das implicações morais do recurso à tortura, foram factores mais do que suficientes para justificar o Óscar que lhe foi dado.
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