
Nascidos em Bordéis
Tipo
Filme
Ano
2004
Duração
86 min
Status
Released
Lançamento
2004-12-08
Nota
6.8
Votos
252
Direção/Criação
Zana Briski
Orçamento
US$ 350.000
Receita
US$ 3.529.201
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Este ganhador do Oscar® mostra a vida das crianças do bairro da Luz Vermelha, em Calcutá. O aparente enriquecimento da Índia deixa de lado os menos favorecidos. Neste contexto, os menos privilegiados são as crianças filhas de prostitutas do bairro mais pobre da cidade. Porém, ainda há esperanças. Os documentaristas Zana Briski e Ross Kauffman procuram essas crianças e munidos de câmeras fotográficas pedem para eles fazerem retratos de tudo que lhes chama a atenção. Os resultados são emocionantes. E enquanto as crianças vão descobrindo essa nova forma de se expressar, os cineastas lutam para poder dar mais esperança e uma vida melhor a essas crianças, para as quais a pobreza é a maior ameaça à realização dos sonhos.
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um olhar duro sobre as filhas das prostitutas e a sua falta de oportunidades de futuro.** Não conheço muitos países onde a diferença entre ricos e pobres seja tão gritante e dura de aceitar como acontece na Índia. Os factos não mentem: é o país que, sozinho, concentra uma parte substancial do ouro e das pedras preciosas do mundo todo. Mas todas essas riquezas só estão em posse de uma percentagem ínfima da população, ou foram-se acumulando dentro de monumentais templos religiosos. É um país onde a miséria mais absoluta existe em pleno dia e à vista desarmada… ou, nas palavras de uma das crianças que dá vida a este documentário, onde os sapatos são arrumados ao lado de restos de comida podre. Apesar de tudo, não conheço muitos povos mais alegres e positivos que os indianos. Mesmo na mais dura das situações, os indianos sabem ver o lado bom das coisas, sorrir, cantar e ser felizes. São um povo habituado ao trabalho mais árduo sem se sentirem menos relevantes no mundo por causa disso. E são um povo com raízes históricas profundamente ligadas ao meu povo, aos Portugueses. Nem sempre nos demos bem, a presença portuguesa na Índia não foi sempre fácil nem bem aceite. Mas nós, os portugueses, estivemos lá durante cinco séculos, não foram cinco dias. Trouxemos connosco mais do que riquezas, trouxemos características e hábitos culturais que os imigrantes indianos sabem, hoje, reconhecer como seus no nosso país. E também deixamos a nossa marca na Índia. Este documentário incrível mostra bem a dureza dos mais pobres numa das maiores e mais caóticas cidades da Índia. Mais importante: mostra a forma como a prostituição, apesar de ser ilegal e mal vista pela sociedade, é feita quase de maneira descarada e convive lado a lado com a infância de muitas crianças, filhas e por vezes netas de prostitutas. Indiferentes ao que ali se passa, e a qualquer questão moral, aquelas crianças, especialmente as meninas, sabem que vão ter quase de certeza o mesmo destino e terminar por fazer exactamente o mesmo que as suas mães, num ciclo vicioso do qual é duro sair. Zana Briski e Ross Kauffman tentaram ser o passaporte de saída daquele ciclo para um grupo de crianças e usaram a arte e a fotografia para o conseguir. Dando câmaras e rolos às crianças, aperceberam-se da beleza de muitas das suas fotografias, e da forma como essas fotografias testemunham, também, a dureza e a sordidez da vida daquelas pessoas. Os laços de amizade e de carinho formam-se, e rapidamente vemos Zana tentando tudo para dar àquelas crianças uma oportunidade para estudarem, para saírem daquele lugar com consentimento das suas mães e avós, para tentarem ser algo mais nas suas vidas. Mas o facto é que será uma luta quase permanente para escapar ao ciclo vicioso que, na Índia, não poupa ninguém e dá a muito poucos a chance de subir na vida. Intenso, por vezes chocante, este documentário é relevante e bastante triste. Questiono-me o que terá acontecido às crianças que lhe deram vida, agora que passaram practicamente vinte anos sobre o documentário, que ganhou um merecido Óscar. As suas vidas, estou certo, devem dar material para um outro documentário.
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