
Tipo
Filme
Ano
1996
Duração
153 min
Status
Released
Lançamento
1996-07-05
Nota
7.5
Votos
1.107
Direção/Criação
Lars von Trier
Orçamento
US$ 7.500.000
Receita
US$ 23.000.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Nos arredores da Escócia, Bess, uma jovem religiosa, se apaixona e se casa com um belo funcionário de uma plataforma petrolífera. Um infeliz acidente de trabalho o aleija para o resto da vida, o que destrói completamente o mundo de Bess, principalmente quando a incentiva a procurar outros amantes.
Elenco principal
Reviews
Total: 2
Filipe Manuel Neto
**Um filme feio a todos os níveis e que insulta a nossa inteligência.** Para mim, o cinema é uma arte que conta boas histórias, sejam ficcionais, verídicas ou uma mistura de ficção e factos reais. Tem um claro papel social, muitas vezes faz pensar ou levanta questões difíceis. Porém, há directores que parecem viver das polémicas, isto é, procuram usar o cinema para chocar ou impressionar, chamando a atenção pelas piores e mais egoístas das razões. Lars von Trier é assim: ele adora uma boa polémica e não se importa que falem mal dele, desde que falem dele. E é por isso que não gosto dele e não o considero um bom director. Não basta ter talento, é necessário saber usá-lo. Como acontece em muitos outros filmes deste director, o sexo é o epicentro deste filme: o roteiro começa por nos apresentar uma mulher inacreditavelmente ingénua e submissa, que vive numa espécie de comunidade religiosa tacanha no Norte da Escócia. Quem gosta de criticar os católicos por, alegadamente, serem adeptos de um conservadorismo que não tem lugar nos dias de hoje, deveria conhecer esta comunidade religiosa protestante, onde eu, um católico conservador, me sentiria como no Irão ou no Afeganistão. É claro que o director, um ateu confesso, quis, com isto, mostrar todo o seu horror à dogmática religiosa no geral. Foi uma forma de “caricaturar” a religião e expressar uma opinião pessoal. Esta jovem, cuja inocência é tão absoluta que ela provavelmente acreditaria que poderia engravidar apenas por se sentar numa cadeira anteriormente usada por um homem, casa-se com um estrangeiro, moderno, que trabalha numa plataforma petrolífera. E descobre o sexo. E adora o sexo, e entrega-se ao amor. Tudo isto é bonito até ao dia em que ele sofre um acidente grave. Podendo perder a capacidade reprodutiva, ele pede-lhe que conheça e se “alivie” com outros homens. Naturalmente, ela fica horrorizada, e ele convence-a que isso o ajudará a curar-se. E contra qualquer lógica racional, ela acredita, e transforma-se na maior devassa da Escócia. Numa coisa temos de concordar: este filme prova que até mesmo a história mais estúpida consegue prémios em Cannes, e que há público capaz de consumir a mais plena idiotice que um filme lhes possa apresentar. Além de ridicularizar a religião de uma maneira que é ofensiva para qualquer crente, acredito eu, o filme não se importa com a racionalidade e a lógica das decisões tomadas pelas personagens. Se eu me cortar com uma faca, claro que eu vou tentar que isso não aconteça novamente porque é perigoso, mas o que o filme propõe é que eu faça o oposto e me corte intencionalmente, acreditando que estou a curar o câncer de uma pessoa querida ao fazê-lo. Isto é tão parvo que não merece qualificação. Von Trier, num acto de absoluta arrogância intelectual, insulta a nossa inteligência. Nem preciso falar da maneira torpe e distorcida como o filme aborda o amor e os sentimentos humanos mais genuínos. Tecnicamente, é um filme barato. Mais barato que os piores filmes indie. Não temos uma produção digna desse nome, a cinematografia é horrível, a filmagem é tão amadora que até eu conseguiria fazer melhor. O ritmo é pesado, lento, como um funeral dolente. Stellan Skarsgard, um actor que respeito, empresta certo renome ao filme e mostra talento, mas a sua personagem é merecedora de desprezo. Num extraordinário esforço dramático, Emily Watson merece um louvor pelo empenho, mas é talvez o filme mais esquecível desta actriz.
Essa anta
Insulta apenas os que não tem inteligência.
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