Passagem para a Índia
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Passagem para a Índia

Passagem para a Índia

O diretor de "Doutor Jivago", "Lawrence da Arábia" e "A Ponte do Rio Kwai", convida para...

Tipo

Filme

Ano

1984

Duração

163 min

Status

Released

Lançamento

1984-12-14

Nota

6.8

Votos

346

Direção/Criação

David Lean

Orçamento

US$ 14.500.000

Receita

US$ 40.000.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Rica inglesa de ideias liberais viaja para fora do país pela primeira vez indo à Índia encontrar seu noivo no final dos anos 1920 e sofre com o choque cultutal.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Apesar de o filme fazer justiça ao colorido e rico universo indiano, é uma oportunidade perdida dada a péssima construção do roteiro.** Este filme é o último da carreira do director David Lean, cineasta que nos deu uma série de bons filmes, sendo “Lawrence da Arábia” e “Doutor Jivago” os melhores de todos, para mim. Aqui, o cineasta traz-nos uma adaptação cinematográfica de um romance que nunca li, mas que deve ser bastante bom: ambientada na Índia durante o período entre guerras, a história começa com a chegada de duas inglesas, sendo que uma delas, Miss Quested, está noiva do juiz inglês local. Com o tempo, elas travam amizade com Aziz, um médico muçulmano local. Quested trazia já a vontade de viver algo aventuroso, de sentir verdadeiramente o sabor da Índia, mas era sempre desenganada pelos compatriotas, que rotulavam os indianos e preferiam emular, naquele país, os hábitos e ambientes da sociedade britânica, sem qualquer mistura “perigosa” com gentes de raça mais escura e cultura mais bárbara. Finalmente, Quested consegue que Aziz lhe prepare uma exploração a umas grutas distantes, mas a viagem corre mal, algo acontece, e Quested vai acusar Aziz de tentativa de violação. Penso que o filme acaba por ser uma adaptação bastante fraca do romance: deslumbrado pelos ambientes orientais, que capta maravilhosamente, Lean deixou escapar os temas mais incisivos da trama: a relação etnocêntrica, cheia de preconceitos e mútuas desconfianças, entre ingleses e indianos, a questão política da luta pela independência indiana (que se torna mais relevante à medida que a trama evolui) e o mistério em torno do que aconteceu realmente entre Quested e Aziz, posto que o romance nunca esclarece se a acusação dela tem fundamento. Estes temas são muito mal alinhavados pelo roteiro: no filme, é óbvio desde o início que Aziz está inocente, e Quested é transformada numa mulher frívola, amorfa e infeliz, insegura do que pretende da própria vida e desejosa de uma emoção forte que as convenções sociais não lhe permitem; em segundo lugar, o roteiro nunca valoriza realmente a questão independentista, transformando-a numa nota de rodapé no roteiro, meramente contextual; em terceiro, apesar de o filme abordar bastante bem o etnocentrismo racista britânico, quase não se debruça sobre a forma como os indianos viam os ingleses, e a forma como se sentiam ofendidos pelos seus desmandos. Tudo é muito relativizado. Além de o roteiro ter estes problemas, o filme também é excessivamente longo para a história que nos conta. Tudo é esticado ao máximo, e perdem-se muitos minutos em cenas, magnificas e visualmente bem feitas, mas que nada acrescentam à história. Perde-se muito tempo, ainda, em diálogos bastante frívolos, ao passo que a batalha jurídica, a parte mais interessante de todo o filme, é secundarizada. E em vez de o filme terminar logo após a sentença, com algumas cenas finais que enquadrem o destino das personagens, o filme ainda se estende por uma estéril meia hora, até um final anticlimático e desinteressante. Os actores fazem o que podem, e temos aqui alguns bons esforços: Victor Banerjee é o actor mais eminente, a figura mais magnética e carismática, mostrando-nos a evolução das ideias da sua personagem, cuja opinião sobre os britânicos se degrada com os acontecimentos. Também Peggy Ashcroft fez um bom esforço, mas o roteiro secundarizou a personagem dela ao ponto de se tornar meramente acessória. O mesmo se pode dizer de Sir Alec Guiness, desperdiçado num trabalho marginal, sem especial relevância. James Fox surge mais ou menos a meio do filme, e a trama vai sugerindo que a personagem caminhará num dado percurso, mas depois o final não é bem o esperado. Judy Davis, apesar do trabalho empenhado, tem uma personagem terrível e extremamente desagradável, pelo que o esforço da actriz é pouco frutífero. É nos detalhes mais técnicos que Lean mostra o seu valor, pela rica e elegante cinematografia, magnificamente colorida, a qual é complementada pelos excelentes cenários, figurinos e pela escolha criteriosa dos locais de filmagem, os quais acentuam bem o lado exótico e misterioso da Índia. As cenas dos mercados apinhados, ou aquelas ruínas eróticas, são exemplos claros do que eu quero dizer. Só faltou sentirmos os cheiros! O pior é mesmo a banda sonora de Maurice Jarre. É perfeitamente inadequada e dá ao filme um tom de comédia.

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