O Parque Macabro
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O Parque Macabro

O Parque Macabro

Tipo

Filme

Ano

1962

Duração

78 min

Status

Released

Lançamento

1962-11-02

Nota

6.9

Votos

527

Direção/Criação

Herk Harvey

Orçamento

US$ 30.000

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Após um acidente traumático, uma mulher é atraída por um misterioso parque abandonado.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Até os maus filmes têm direito a um lugar na história.** Após ver este filme fiquei com a sensação de que é um pouco sobrestimado, ainda que seja, sem dúvida, um clássico notável do terror psicológico. É um filme mais rudimentar do que seria de esperar e a carência de meios e de recursos é evidente. Com orçamento muito contado, o director Herk Harvey merece um louvor pela forma como rentabilizou ao máximo o que tinha e fez um autêntico trabalho de amor. Após ler um pouco, percebi que este foi a única longa-metragem dele e da actriz Candace Hilligoss. As carreiras de ambos tiveram depois seguimentos pouco felizes rumo à obscuridade, em boa parte por causa do fracasso, crítico e de bilheteiras, deste mesmo filme, que só anos mais tarde, e à custa da TV e do VHS, se tornaria digno de alguma notoriedade. O filme começa com um despique entre dois carros onde um deles, com três raparigas, cai a um rio. Ao cabo de três horas de buscas, surge Mary Henry, uma das ocupantes do carro acidentado, miraculosamente viva. Ela é intérprete musical e, passado um tempo, muda-se para Salt Lake City a fim de trabalhar como organista numa pequena igreja. No entanto, ela é uma pessoa sem fé, para quem aquilo é apenas um trabalho. Logo após ter chegado, ela começa a ter visões e transes assustadores, envolvendo um homem e ainda um prédio abandonado, à margem do Lago Salgado, onde outrora existiu um parque de diversões. O filme é feliz na construção de um ambiente misterioso e intrigante, mas nunca passa a fronteira para o terror genuíno. Para essa atmosfera contribui enormemente o som e uma banda sonora de órgão (um instrumento erudito e até sagrado que, aos poucos, se tornou umbilicalmente ligado ao universo de terror). A cinematografia é crua e pouco bonita, e o cenário mais interessante é o Pavilhão Saltair, que ainda existe, mas muito modificado e diferente do que era neste filme. O filme usa, inteligentemente, figurantes e actores locais para poupar dinheiro. No entanto, o amadorismo, os maus diálogos, a pobreza do roteiro e a falta de um director capaz comprometem totalmente o esforço do elenco. Até Candace Hilligoss faz má figura. À medida que vemos o filme, compreendemos bem as razões que ditaram o seu fracasso. Como filme, é um trabalho medíocre, não é sequer um filme assustador. Então porque diabos se tornou tão prestigiado actualmente? Creio que a chave para entendermos isso está no próprio fenómeno “culto”. A essência deste fenómeno cultural está na procura e na repescagem de material original, um pouco esquecido ou que tenha sido mal apreciado no seu tempo. E este filme, como se vê, está precisamente dentro do género de material procurado pelos seguidores do “culto”. É mais por acção deles que este filme conquistou, ao fim de muito tempo, o seu público.

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