Diários de Motocicleta
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Tipo

Filme

Ano

2004

Duração

126 min

Status

Released

Lançamento

2004-02-06

Nota

7.4

Votos

1.417

Direção/Criação

Walter Salles

Orçamento

-

Receita

US$ 57.663.224

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Che Guevara (Gael García Bernal) era um jovem estudante de Medicina que, em 1952, decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). A viagem é realizada em uma moto, que acaba quebrando após 8 meses. Eles passam a seguir viagem através de caronas e caminhadas, conhecendo novos lugares e pessoas. Em Machu Pichu a dupla conhece uma colônia de leprosos e questiona a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um passeio pelo melhor da América Latina, num filme surpreendentemente pouco politizado.** Decidi ver este filme com algum receio de encontrar apenas uma peça de propaganda socialista ou comunista. Para a minha felicidade, o registo e a tónica são muito mais intimistas, biográficos e humanos do que, propriamente, políticos. De facto, se não conhecêssemos tão bem a figura de Ernesto “Che” Guevara, e o que ele virá a ser e representar, o filme não nos ajudaria muito a compreender ou saber mais. O filme resulta da adaptação cinematográfica de dois livros por Ernesto Guevara (*Notas de Viagem*) e por Alberto Granado (*Com Che pela América do Sul*), que são os protagonistas do filme. É um filme contado na primeira pessoa, e que nos relata a grande viagem de motorizada que os dois amigos e colegas de medicina resolveram fazer ao longo dos vários países da América do Sul que falam a língua espanhola, e na qual Guevara vai sentir-se cada vez mais interessado em ajudar e defender os mais pobres e fracos da sociedade. O roteiro é muito melhor do que eu esperava e concentra-se na viagem feita e na forma como a mesma viagem afecta e muda as personalidades dos dois companheiros, particularmente a de Guevara. A relação de amizade entre ambos os protagonistas é sólida o suficiente para nunca ser posta em causa por nenhum obstáculo ou percalço, e as tribulações que ambos vão passando podem ser realmente cómicas e dar ao filme um tom mais leve do que o esperado. O filme não tem uma carga política, e o esforço para o despolitizar pode ter ido além do necessário: de facto, o contacto que Guevara vai tendo com os pobres e os mais fracos da sociedade é reduzido a um conjunto de depoimentos inócuos que, confesso, me parecem superficiais. Dirigido com habilidade pelo brasileiro Walter Salles, o filme conta com as excelentes actuações de Gael Bernal e Rodrigo de la Serna, dois actores hispânicos que eu naturalmente desconhecia, mas que gostei de ver trabalhar. Ambos são excelentes quando contracenam juntos e colaboram de maneira muito profícua, com o primeiro a tentar evitar perder a jovialidade da personagem em detrimento de uma consciência social e política prematura, e o segundo a recusar-se a ser só o amigo brincalhão de uma personagem mais importante. Tecnicamente, é um filme primoroso e cheio de detalhes, começando imediatamente por uma cinematografia atenta e cuidadosa, que sabe como tornar cada cena visualmente envolvente e bonita sem tirar o foco do essencial. A escolha criteriosa dos locais de filmagem contribui com uma beleza adicional, num verdadeiro passeio pelo locais mais cénicos da América Latina. Todo o cenário, os figurinos e adereços são bons e adequam-se muito bem à cronologia em que todos os acontecimentos se passam. Não observei grandes problemas de anacronia nem falta de rigor histórico. A música é bastante boa, mas não sobressai particularmente. Finalmente, uma breve nota de louvor pelo uso do Castelhano como língua, em detrimento da comercialmente melhor opção pela língua inglesa, que eventualmente venderia o filme mais facilmente, mas traria com ela uma sensação de artificialidade desagradável.

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