
As Sandálias do Pescador
Tipo
Filme
Ano
1968
Duração
162 min
Status
Released
Lançamento
1968-11-14
Nota
6.8
Votos
88
Direção/Criação
Michael Anderson
Orçamento
US$ 6.700.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
O bispo ucraniano Kiril Lakota, prisioneiro político em um gulag soviético por vinte anos, é inesperadamente libertado e enviado ao Vaticano, onde, após a morte repentina do Papa, líder da Igreja Católica, ele deve enfrentar um destino desafiador que colocará o futuro do mundo inteiro em suas mãos.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Filosófico e profundo, este filme é um passeio pelos ritos litúrgicos que a Igreja Católica mantinha antes do Concílio Vaticano II.** Kiril Lakota é um arcebispo católico soviético que é feito cardeal após anos numa colónia penal siberiana, e é eleito papa pouco depois. Consumido pela sua própria insegurança, terá que lidar com uma igreja dividida e um mundo em mudança. Dirigido por Michael Anderson, este filme épico tem um roteiro de John Patrick e James Kennaway. O elenco é liderado por Anthony Quinn, Vittorio De Sica e Laurence Olivier. Para o espectador mais desatento, este filme parece só um passeio pelos rituais e pela liturgia católica antes do Concílio Vaticano II: missas em latim, sacerdotes de costas para a assembleia, uma enorme solenidade imperial e majestosa ao redor do Papa... Mas este filme pode ser muito mais do que isso. É uma jornada através da alma de um homem que escolheu ser fiel à sua fé e às suas ideias a qualquer preço, não deixando nunca de suportar a fome, a solidão ou o chicote quando a defesa dessa postura o exigiu. E um facto muito curioso: o filme foi inspirado pelo romance de Morris West, com o mesmo nome, escrito em 1963. Tal como este filme, o romance fala da eleição de um papa soviético. Coincidência ou não, poucos anos depois, em 1978, foi eleito o papa João Paulo II, que era Arcebispo de Cracóvia, uma cidade que hoje é polaca mas que, naquela época, estava do lado de lá da "Cortina de Ferro". Uma previsão "verniana" do que viria a suceder? O roteiro é excelente e foi feito com cuidado, bem como os diálogos, que têm algo de filosófico e profundo. No entanto, o filme alonga-se demasiado nas cerimónias e na liturgia, sobrecarregando-se com material que, apesar de ser bonito e ficar bem, adianta pouco para a trama. Ora, o público foi ao cinema para ver um filme, não foi para participar da Santa Eucaristia, pelo que podiam muito bem ter encurtado essa parte do filme, aproveitando todo o tempo poupado para aprofundar a trama em volta da tal crise chinesa ou ainda aquela sub-trama mal desenvolvida em torno dos problemas conjugais de George Faber. Todo o trabalho de edição podia também ter sido melhor, visto que parece ilógico e desordenado em diversas ocasiões, como se certas cenas e sequências tivesse sido colocadas no lugar errado. A banda sonora de Alex Norte é óptima e vale a pena ser recordada; os figurinos e cenários são bons e cumpriram o seu papel correctamente e sem erros. Os actores interpretaram muito bem os seus papéis mas há dois que merecem todo o destaque: Anthony Quinn, um actor que aqui já era um veterano mas que conseguiu, com este filme, uma das obras mais bem-lembradas de toda a sua carreira e, claro, o muito menos conhecido Oskar Werner, que brilhou no papel do Padre Telemond, um padre que se encontra dividido entre o seu voto de obediência à doutrina e o desejo de se afirmar como filósofo e como livre-pensador. Um desejo que, não raramente, o faz ser e parecer um subversivo. Acredito que esta última personagem foi inserida no filme de maneira a ilustrar a enorme divisão interna da Igreja, uma divisão que veio a levar à realização do Concílio Vaticano II (que já havia sido realizado à altura da rodagem deste filme).
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