
O Corvo
Tipo
Filme
Ano
1935
Duração
61 min
Status
Released
Lançamento
1935-07-08
Nota
6.6
Votos
153
Direção/Criação
Lew Landers
Orçamento
US$ 115.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Cirurgião brilhante com obsessão mórbida por instrumentos de tortura fica perigosamente obcecado por uma jovem socialite cuja vida ele salvou.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um bom filme com duas extraordinárias figuras do cinema.** Este filme reúne duas notáveis estrelas do cinema de terror, que de resto fizeram alguns filmes juntas: Bela Lugosi e Boris Karloff, ambos no auge das suas respectivas carreiras. Habilmente dirigidos por Lew Landers, o filme traz-nos uma história tensa e interessante cujo tema central é a mania, a obsessão e a tortura psicológica, numa homenagem ao trabalho e à obra de Edgar Allan Poe, eminente vulto da literatura que criou contos arrepiantes, inspiradores e viciantes. O filme centra-se no sinistro Dr. Vollin, um médico reformado, prestigiado e considerado pelos seus pares. O que ninguém sabe, é que ele enlouqueceu graças a uma obsessão perturbadora por instrumentos de tortura, os quais tem estudado, concebido e construído no secretismo de uma cave. Após tratar, relutantemente, a filha de um juiz da região que sofrera lesões cerebrais na sequência de um acidente, ele fica louco por ela, e confunde a gratidão e amizade dela com algo mais, insistindo junto do pai para permitir o casamento deles. Perante a negativa, opta por conseguir o que quer pelos meios mais torpes. O filme não é assustador, mas consegue realmente criar um ambiente tenso e trabalhar com a imaginação do público para o fazer agarrar-se ao assento e ver tudo até ao fim. A personagem principal é não só obsessiva e doentia, mas também psicopática na forma como não se consegue importar com nada a não ser ela mesma. Pelo meio, a personagem de Karloff é fascinante pela sua bondade inata, distorcida e manipulada pela obsessão do sádico médico a que é forçada a servir contra a própria vontade. A inspiração nas obras de Poe está bem presente tanto nessa figura obsessiva e doentia (recordo que a obsessão e a mania são temas presentes nos contos e histórias mais marcantes do autor), quanto nas máquinas de tortura da casa. O filme assenta directamente no talento extraordinário de Bela Lugosi e Boris Karloff. Nenhum deles requer apresentações: são dois dos nomes mais marcantes e notáveis do cinema de terror do século XX. Os dois actores estão em excelente forma aqui e vale a pena ver o filme só para os vermos actuar. Infelizmente, o resto do elenco não faz mais do que o indispensável: Irene Ware é a dama em perigo, sempre assustada e aos gritos, mas ela é boa na tarefa. Samuel Hinds faz o que pode, mas tem pouco para fazer realmente, e o resto do elenco pode dizer o mesmo. Tecnicamente, o filme brinda-nos com uma excelente cinematografia a preto-e-branco, clara e com um agradável contraste, sem grão nem poeiras. É evidente que o filme foi restaurado, e os meus parabéns a todos os que tem contribuído para o esforço nobre de manter estes filmes em bom estado e acessíveis a todos. Os figurinos são bastante bons, mas são os cenários incríveis e os adereços bem concebidos que merecem uma nota particularmente positiva.
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