[REC] 4: Apocalipse
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[REC] 4: Apocalipse

[REC] 4: Apocalipse

É hora de partir.

Tipo

Filme

Ano

2014

Duração

94 min

Status

Released

Lançamento

2014-10-31

Nota

5.6

Votos

1.250

Direção/Criação

Jaume Balagueró

Orçamento

US$ 3.000.000

Receita

US$ 4.915.757

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Uma repórter de TV, única sobrevivente de uma epidemia zumbi, é confinada em um barco no meio do mar, onde tentam achar a cura. Mas o perigo encontra-se a bordo.

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Reviews

Total: 1

Pedro Quintão

REC: Apocalipse acaba por ser o capítulo mais frustrante de uma saga que eu adoro. REC construiu uma identidade fortíssima nos dois primeiros filmes, muito assente na tensão proporcionada através do formato found footage e naquela fusão desconfortável entre terror gráfico e o sobrenatural. Essa identidade começou a perder-se com REC 3: Genesis, a prequela passada num casamento, que optou por mais humor negro e menos tensão. Mesmo assim, entretinha e acabava por ser ligeiramente diferente de outras produções de zombies. O problema é que REC: Apocalypse já não entretém da mesma forma e, pior, parece não seguir nenhum rumo em concreto. O regresso de Ângela Vidal podia ter sido o grande trunfo do filme. Ver novamente Manuela Velasco neste universo fazia todo o sentido, principalmente após o impactante desfecho de REC 2, mas a personagem surge aqui descaracterizada. A jornalista frágil, assustada e humana dos primeiros filmes transforma-se numa figura genérica de ação e terror, como tantas outras que já vimos. Não é um problema da atriz, que já tinha demonstrando as suas excelentes capacidades, é claramente um problema da escrita limitada do argumento, pois tiraram-lhe aquilo que a tornava especial e identificável. Como referi, o argumento também não ajuda. Não traz nada de novo e, mais grave ainda, acaba com o impacto do final incrível de REC 2. Existiam tantos caminhos interessantes a explorar e o filme escolhe o mais básico e previsível. A inclusão de uma sobrevivente de REC 3: Genisis parece quase aleatória e sem peso (aliás, nem sequer me lembro dessa personagem). Honestamente, teria sido muito mais forte e simbólico se fosse a noiva de REC 3 a sobreviver e a unir-se a Ângela neste filme (mas isso já é um problema do desfecho do 3º filme). Gostaria da ideia de ver duas final girls a lutarem contra zombies possuídos, pois no mínimo, teria dado outra energia a esta continuação. Outro aspeto que me desiludiu foi o quase total abandono da componente sobrenatural. Era precisamente esse elemento que tornava REC diferente de tantos outros filmes de zombies, pois aqui, as criaturas eram quase como os possuídos de Evil Dead. Aqui nota-se claramente um conflito criativo: acredito que o realizador Paco Plaza sempre defendeu essa vertente sobrenatural, já Jaume Balagueró, o realizador de REC: Apocalipse nem por isso, e o resultado é um filme que perde personalidade ao tentar ser mais “explicável” e menos estranho devido à vertente religiosa e sobrenatural. A tensão, que era a alma da saga, também fica muito aquém. A narrativa nunca chega a empolgar a sério, há poucos momentos memoráveis e tudo soa demasiado seguro e "sem sal". REC: Apocalipse até entretém e não é um desastre, mas também não é um final digno para uma saga com tanto potencial. Deixou uma sensação amarga de um desfecho preguiçoso e sem ambição. Agora que passaram tantos anos, sinto mesmo que está na altura de regressar a este universo com uma requel que respeite o espírito original, mantenha o formato found footage e o adapte a uma nova geração. Imagino uma trama ambientada numa live do TikTok em casa e a lidar com os zombies possuídos, enquanto filma tudo online. Seria interessante ver os comentários a rolarem em tempo real a essa live e até poderia adicionar uma crítica social bem pensada. É algo que me parece infinitamente mais alinhado com o ADN da saga do que aquilo que REC: Apocalypse acabou por entregar.

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