Três Vidas e Um Destino
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Três Vidas e Um Destino

Três Vidas e Um Destino

Tipo

Filme

Ano

2004

Duração

116 min

Status

Released

Lançamento

2004-04-29

Nota

5.9

Votos

238

Direção/Criação

John Duigan

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Gilda Bessé (Charlize Theron) é uma fotógrafa boêmia, que vive em Paris em plenos anos 30. Ela divide seu apartamento com Mia (Penélope Cruz), uma refugiada espanhola, e Guy (Stuart Townsend), um professor irlandês. A proximidade cada vez maior da 2ª Guerra Mundial não faz com que Gilda altere seus hábitos, que tenta a todo custo convencer seus amigos a também lutarem contra o fascismo.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme sobre idealismos, utopias e realidades duras, que podia ser muito melhor do que é, mas ainda é bom o bastante para valer a pena.** Há muitos filmes sobre romance e amor em tempos de guerra. John Duigan dá-nos um filme sobre o amor, mas também sobre as esperanças no futuro, as utopias e a forma como a guerra e a crueldade humana acabam com tudo isso num instante. Aquela velha história do idealismo versus a realidade. O filme é bom, mas como drama é um pouco inconsistente e não funciona do ponto de vista romântico. O roteiro começa com o inusitado encontro entre um jovem estudante irlandês chamado Guy e uma bela e liberal herdeira francesa, Gilda Bessé. Eles têm um caso que, anos mais tarde, irão retomar em Paris, incluindo a jovem espanhola Mia. O ménage à trois acaba por se separar no momento em que Guy e Mia vão para Espanha, para auxiliar os republicanos na Guerra Civil. A derrota na guerra e a invasão alemã de França vão depois condenar Gilda a uma sobrevivência difícil, como amante de um oficial das tropas invasoras… e não quero mesmo contar mais nada porque ia estragar bastante o prazer de ver o filme. Como eu disse, o filme é bom, e tem uma boa história. O problema é que tem muita coisa aqui, e há vários sub-enredos que surgem do nada e acabam por não redundar em coisa nenhuma: é o caso da relação tensa entre Gilda e o seu pai rico, ou o que acontece ao irmão de Mia. Muito pouca consistência e solidez dramática, num roteiro que parece frágil em vários momentos. Eu até estou disposto a perdoar isso… mas é difícil ignorar a forma como o filme confunde o amor com o tesão sexual. Gilda Bessé parece ser tudo menos uma jovem romântica ou apaixonada, e a relação entre ela e os seus parceiros é muito sexual, mas não propriamente cor-de-rosa. Apesar de ter um elenco bastante bom, só há três actores que realmente merecem uma nota e destaque. Penélope Cruz é bastante crível na sua personagem, mas o director não lhe dá nada que realmente permita à actriz fazer algo realmente memorável. A personagem dela é fria, um pouco tímida, e a actriz tem capacidade para nos marcar mais. Stuart Townsend faz o que pode na personagem dele, mas não é suficientemente “nerd” para a personagem que lhe deram. Ele é elegante, é bonito, mas não passa disso. Não é sequer um actor que pareça capaz de associar beleza e intelecto na mesma personagem. Isso faz-me pensar que ele apenas foi escalado para o filme por ser marido da notável Charlize Theron que, realmente, é a alma do filme e nos brinda com uma extraordinária actuação, onde a beleza, a sexualidade, o drama e o sofrimento estão combinados na medida ideal. Tecnicamente, é um filme contido, standard de Hollywood na época. Há alguns aspectos muito bem aproveitados, como as filmagens originais da guerra, a preto-e-branco, e a forma como os cenários e figurinos foram pensados e recriados, conseguindo mostrar muito bem a passagem dos anos e a evolução das personagens. A banda sonora, contudo, podia ser melhor, enquanto a cinematografia parece um pouco desconexa do resto do trabalho.

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