
Tipo
Filme
Ano
2015
Duração
106 min
Status
Released
Lançamento
2015-04-23
Nota
6.8
Votos
40
Direção/Criação
João Leitão
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Uma sátira sobre a paranóia anti-comunista nos tempos da ditadura fascista em Portugal. A série segue as aventuras do super-herói lusitano, o ultra-patriótico Capitão Falcão, um homem que segue as ordens diretas de António de Oliveira Salazar na luta contra a "ameaça vermelha".
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Uma boa produção cómica portuguesa.** A minha opinião sobre o cinema português nunca foi a melhor: com excepção dos grandes filmes de há cinquenta anos, e de algumas raras boas produções recentes, sempre considerei que os cineastas portugueses só conseguem fazer dois tipos de filmes: os filmes ultra-intelectuais com muitos recursos estilísticos complicados e que nunca saem do circuito dos festivais porque não têm qualquer apelo para o público geral e as comédias patetas ou sebosas, repletas de humor barato e riso fácil, que o público geral consome facilmente, mas que não possuem qualquer tipo de qualidade artística. Não me interpretem mal, eu não sou um daqueles que prefere tudo o que é estrangeiro, mas sempre desejei observar os cineastas e actores portugueses empenhados na tarefa de aprender o que de melhor se faz lá fora para poderem melhorar o que se fá cá dentro. Ver este filme, por casualidade, na televisão, foi para mim uma agradável surpresa: muito longe do riso fácil e dos apelos sexuais ou escatológicos, virtualmente sem um único palavrão e com muita inteligência e ironia, esta é uma comédia de alta qualidade, a um nível que sempre desejei ver no nosso país. Foi uma excelente estreia para João Leitão, um nome que só consegui associar a alguns programas de televisão de humor (também eles bastante interessantes). Não sei se ele irá desejar continuar a aplicar os seus esforços no cinema português, mas seria interessante se o fizesse, e do seu trabalho pudessem sair mais algumas obras de semelhante qualidade. O roteiro ambienta-se nos meados do século passado e abusa da ironia ao criar, para a ditadura do Estado Novo, um herói mascarado, ao melhor estilo da banda-desenhada norte-americana, com direito a parceiro e tudo! Qualquer semelhança entre o Capitão Falcão e figuras como o Capitão América, Batman ou o Zorro é totalmente intencional. O filme não cede à crítica simples ao regime que governou Portugal por cinquenta anos, nem às loas baratas à democracia que se lhe seguiu: prefere fazer uma crítica social incisiva a uma sociedade misógina e fechada e a um governo desconfiado, cinzento e obcecado pela ameaça comunista que, de resto, era realmente encarada como um perigo não só em Portugal, mas noutros países, como a França, os EUA ou o Reino Unido, nessa mesma altura. A ironia maior, claro, está no confronto entre o filme e o que nós sabemos que realmente aconteceu. O elenco está cheio de nomes conhecidos da dramaturgia portuguesa, com nomes sonantes a surgirem mesmo em personagens pequenas e de pouca relevância. Gonçalo Waddington está de parabéns pelo seu trabalho. Eu já o conhecia de trabalhos que o actor fez em televisão, e já havia observado a sua veia cómica irónica e afiada, mas suponho que foi a escolha certa para dar vida ao herói lusitano. A escolha de José Pinto para dar vida a Salazar também me parece feliz, na medida em que são suficientemente parecidos e o actor conseguiu dar ao famigerado governante uma certa dignidade simpática. Também gostei da escolha de David Chen Cordeiro para nos trazer a personagem (virtualmente muda, mas cheia de acção) do ajudante do herói. O filme conta, ainda, com boas participações notáveis de Miguel Guilherme, Matamba Joaquim e Nuno Lopes. Além destes nomes, o filme traz-nos dignos esforços de Carla Maciel, Rui Mendes e de um extremamente jovem Miguel Luna, além de um honroso cameo de Ricardo Carriço, na sua icónica personagem Major Alvega, aqui longe dos seus dias de glória. É nos aspectos técnicos que o filme sai mais prejudicado, sendo altamente condicionado por um orçamento limitado e por uma visão de projecto extremamente televisiva, pouco orientada para o grande ecrã. Essa visão condiciona, por exemplo, a cinematografia e todo o trabalho de edição e pós-produção. Filmado inteiramente em estúdio, o filme aproveitou bem os átrios do Instituto Superior Técnico para algumas cenas, mas as cenas onde o herói dirige a sua motorizada são tão absurdamente falsas que o pano verde nem sequer é disfarçado. Os cenários e os figurinos são decentes o bastante, mas continuam a dar ao filme o aspecto visual de um longo programa de TV cómico. A banda sonora, a cargo de Pedro Marques e executada pela Orquestra Filarmónica de Lisboa, funciona razoavelmente.
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