A Nona Configuração
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A Nona Configuração

A Nona Configuração

Tipo

Filme

Ano

1980

Duração

118 min

Status

Released

Lançamento

1980-02-29

Nota

6.4

Votos

168

Direção/Criação

William Peter Blatty

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Um astronauta que sofre um colapso mental em plena contagem regressiva de lançamento é enviado para um castelo isolado, onde funciona uma unidade psiquiátrica experimental do Exército dos EUA. Ali, vai desafiar o comandante das instalações a lhe provar que existe um Deus e que há bondade no ser humano.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Pesado, sombrio, intelectual, não é para todos.** William Peter Blatty pode ter sido bom em muita coisa, mas as pessoas só o conhecem graças a "O Exorcista". Li muitas críticas que diziam que este filme era uma espécie de "sequela de autor" desse filme. Confesso que não estou de acordo com a ideia. Nem que fosse o próprio Blatty a dizer isso eu concordaria pois não há nada em comum entre esses dois filmes, tirando ele mesmo. Este filme é no mínimo invulgar e altamente filosófico: tudo se passa num castelo isolado onde o exército americano instalou um manicómio para soldados do Vietname que enlouqueceram, ou que aparentam ter perdido o juízo... sim, pois não se sabe se eles de facto ficaram malucos ou estão a fingir, para não irem combater. Um dos doentes, no entanto, é um astronauta que teve um surto mental durante a contagem para o lançamento da nave dele. O novo encarregado do asilo, desejoso de obter melhorias nos doentes, decide então permitir-lhes que levem adiante as suas loucuras... até que o ex-astronauta pede que lhe prove a existência de Deus. O filme dá grande importância às personagens, e há aqui uma boa dose de personagens estranhas e pouco normais. O elenco, feito de nomes para mim desconhecidos, esteve à altura do esperado, mas não brilhou particularmente, limitando-se a fazer o que tinha de fazer. O protagonismo recai em Stacy Keach, que deu vida ao Coronel Kane, um veterano do Vietname que agora está ao comando do asilo de loucos mas tem os seus próprios segredos. Ao seu lado, Scott Wilson fez a personagem mais desafiante de todo o filme, na minha opinião, na medida em que é altamente questionadora e até iconoclasta nas suas visões e conceitos acerca do mundo e da divindade. Ele causa impacto logo desde o início e os diálogos entre a personagem dele e a de Keach são verdadeiramente memoráveis. O filme tem um cenário muito bem pensado e concebido, bons adereços e figurinos, mas uma banda sonora pobre e muito ausente, o que torna o filme mais soturno e pesado do que já seria por si só. O ritmo lento e a cinematografia cinzenta, com toda aquela humidade e nebulosidade permanente, também não ajudam muito e os primeiros trinta minutos de filme podem fazer com que muita gente desista de o ver até ao final. As filmagens exteriores foram feitas na Europa e o Castelo de Eltz foi uma escolha inteligente, assim como foram verdadeiramente sábias as opções de roteiro para o final do filme. O filme vive muito do ambiente criado e de uma dose maciça de diálogos filosóficos e metafísicos. Não é um filme para as massas ou o circuito comercial, é demasiado intelectual e pesado, e isso explica o seu esquecimento hoje: a maior parte das pessoas considerou-o chato e estranho. Eu entendo isso, também foi essa a minha primeira impressão. Mas a minha persistência em vê-lo até ao final foi recompensada: não sendo brilhante é bom, na medida em que nos faz pensar quando acaba.

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