Fausto
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Fausto

Fausto

Tipo

Filme

Ano

1994

Duração

97 min

Status

Released

Lançamento

1994-09-10

Nota

7.4

Votos

77

Direção/Criação

Jan Švankmajer

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Fantástica versão da obra de Goethe, o filme mistura atores humanos com marionetes, personificando o mito de Fausto em um homem comum contemporâneo.

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Reviews

Total: 1

Pedro Quintão

Primeiro de tudo, tenho de avisar que Faust não é um filme para todos. No meu caso foi um daqueles filmes que acabam e me deixam a pensar "mas que car*lho acabei de ver". Não percebi literalmente nada, mas até gostei. Fui pesquisar, li interpretações, tentei ligar pontos, mas mesmo assim acho que até entendi menos. Normalmente, abomino este tipo de propostas, pois adoro filmes com narrativas sólidas, mas houve algo que gostei em Faust. Pelo que entendi (e depois pesquisei), seguimos um homem que segue um mapa até um teatro de marionetas, onde efetua um pacto com o Diabo na troca de conhecimento. É um filme que funciona como um pesadelo estranho e desconfortável, sempre próximo do surreal, sem nunca se organizar numa narrativa clara. Não há uma história sólida a que nos possamos agarrar. O filme funciona mais como algo que nos tenta despoletar sensações do que como um relato com princípio, meio e fim. E é exatamente por isso que tenho dificuldade em formular uma opinião fechada. Sinto que Faust nunca me dá chão suficiente para isso. Não há nada neste filmes que nos oriente ou nos explique. Atira-nos para dentro daquele mundo bizarro, repleto de metáforas complexas e abandona-nos lá. Não vou armar-me em intelectual e fingir que percebi, mas admito que até gostei, principalmente, devido atmosfera e da estética profundamente bizarra. A mistura de stop motion, marionetas, atores reais, bonecos e objetos cria um universo sujo, obscuro e desconfortável. Cada plano de Faust apresenta uma mistura entre um trabalho artesanal, mas ao mesmo tempo assustador, como se tudo estivesse ligeiramente errado. É desagradável, mas no bom sentido. Há também um detalhe importante que joga a favor do filme e que me faz odiar produções semelhantes: Faust não é presunçoso. Não tenta constantemente provar que é inteligente e muito menos tenta vender-se como uma obra genial. Se isto fosse uma produção norte-americana, provavelmente cairia naquele erro clássico de querer parecer profunda a cada segundo, de se assumir como um game changer... E provavelmente, carregaria um elenco recheado de "Oscar Baiters" No fim, não sei se gostei de Faust como “filme”, no sentido comum da palavra. Sei que gostei de estar dentro daquele universo durante uma hora e meia. Terminei bastante confuso, desconfortável e sem uma opinião definitiva. Foi uma experiência que me agradou, também me desagradou mas, acima de tudo, não me deixou indiferente. E talvez isso, no fundo, seja o maior elogio que lhe posso fazer.

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