Longe Dela
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Longe Dela

Longe Dela

Tipo

Filme

Ano

2007

Duração

110 min

Status

Released

Lançamento

2007-05-04

Nota

7.0

Votos

237

Direção/Criação

Sarah Polley

Orçamento

US$ 3.000.000

Receita

US$ 9.194.283

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Fiona e Grant estão casados há 50 anos e precisam enfrentar o fato de que a distração constante de Fiona é um sintoma do mal de Alzheimer. Ela precisa ser internada em uma casa de repouso especializada, onde se esquece lentamente de Grant e passa a dedicar seu afeto a outro paciente.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Polley prova que se pode dirigir bem um filme antes dos trinta, Pinsent dá uma aula de expressão dramática e Christie mostra como parecer confusa sem perder a seriedade.** Este tipo de filme não é propriamente a minha chávena de chá, como se costuma dizer. Mas eu vi-o assim mesmo, convencido pelas boas críticas acerca dele. Não estou arrependido: o filme é bastante interessante e aborda um tema pertinente: a doença de Alzheimer, uma das doenças actualmente mais temidas e devastadoras que podemos conceber. O filme centra-se na figura de Grant, um homem com cerca de sessenta anos que vê a sua vida virada do avesso quando Fiona, a sua esposa há mais de quarenta anos, começa a apresentar toda a sintomatologia da doença de Alzheimer. À medida que a doença avança inexoravelmente, ele vê a degradação mental da mulher e é obrigado a interná-la num lar especificamente pensado para pessoas nessa condição. Ali, ela começa a aproximar-se e a “namorar” outro doente, e Grant vê-se, ele mesmo, esquecido. O roteiro e a direcção são responsabilidade de Sarah Polley, que tem aqui o seu primeiro grande trabalho enquanto directora e argumentista. Não tenho dúvidas que o resultado lhe pode abrir portas a futuros projectos. Ela mostrou saber contar uma história e trabalhar com aquilo que tinha em mãos. O elenco do filme é dominado por duas figuras centrais, dois grandes actores, ambos veteranos, que nos dão um trabalho esmagador e comovente. Não posso dizer que este foi o melhor filme da carreira de Julie Christie, acredito que esse lugar foi solidamente ocupado pelo filme *Doutor Jivago*. Ela vai ser a eterna Lara. Mas este filme pode ser perfeitamente colocado logo atrás do famoso épico. Gostei muito da maneira como ela parece confusa e perdida, e como isso me parecia verdadeiro e credível. Mas apesar de todo esse excelente trabalho, o filme pertence na totalidade a Gordon Pinsent. Ele é um actor muito menos conhecido do que a sua companheira de trabalho, mas dá-nos, penso eu, a performance de uma vida aqui: a maneira como ele, apenas com um olhar, sem dizer nada, expressa dor e angustia é algo verdadeiramente avassalador. O papel exigiu muita expressão dramática ao actor, enquanto ele expressa mais o que vai sentindo com o rosto e o olhar que, propriamente, com palavras, e isso funcionou muito bem. O filme tem valores de produção bastante discretos e concentra-se, inteligentemente, na trama e no desempenho dos dois actores. Mesmo assim, apreciei a cinematografia, com tons suaves e uma luz discreta, e um uso inteligente das cenas de Inverno e dos dias de chuva para expressar o ambiente sombrio da vida das personagens. O filme não é longo, dura cerca de 90 minutos, mas é um filme morno, lento, depressivo na sua essência (bastaria, para isso, abordar o tema que aborda), e por isso penso que não é adequado para qualquer um. Eu manteria o filme longe de pessoas com propensão melancólica. Tive, de facto, algumas dificuldades com a lentidão do filme e senti que se arrasta muito por vezes, e que há cenas que podiam ter sido encurtadas em alguns minutos de modo a tornar o filme menos pesado.

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