Infâmia
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Infâmia

Infâmia

Uma simples mentira destruindo tudo o que tinham.

Tipo

Filme

Ano

1961

Duração

108 min

Status

Released

Lançamento

1961-12-19

Nota

7.6

Votos

395

Direção/Criação

William Wyler

Orçamento

US$ 3.600.000

Receita

US$ 3.000.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Uma escola particular para meninas se escandaliza quando uma estudante problemática e rancorosa, Mary Tilford, acusa as duas jovens que dirigem a escola de ter um relacionamento lésbico.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme muito bem feito, com um elenco maravilhoso, que traz para o cinema um tema de que não se podia falar abertamente, e que o faz com alguma coragem.** Este filme foi baseado numa peça de teatro que andou por algum tempo na Broadway, e que deu origem a um filme ainda nos anos Trinta. Todavia, eu sinto alguma renitência em dizer que este filme é um remake, porque esse filme, a fim de poder ser exibido comercialmente, teve de alterar partes importantes da história original, muito controversa e moralmente polémica. Seja como for, este filme não foi muito feliz: apesar dos méritos, foi largamente ignorado quando foi lançado, e continua a ser ignorado e esquecido até aos dias de hoje. O roteiro deste filme traz-nos uma história muito boa em que duas professoras de um colégio são acusadas por uma das crianças de terem um romance lésbico. A acusação é caluniosa, e este filme mostra-nos bem o quão aquela criança em particular consegue ser maldosa e mentirosa, e o quão interessada ela estava em usar todas as armas para sair daquela escola e convencer a rica e influente avó a tirá-la dali. Mesmo assim, a avó deu crédito à mentira contada pela neta dela e usou toda a sua influência para prejudicar o colégio. Convenhamos, é um filme lançado nos anos 60, e se o tema da homossexualidade não era mais tão problemático como no passado, ainda estava longe de deixar de ser tabu. Isso é tão verdade que só num par de ocasiões é que os diálogos dizem, verdadeiramente, que as professoras são acusadas de serem amantes. Na minha maneira de ver as coisas, foi uma abordagem corajosa de um tema de que não se podia falar, e vejo o filme como um dos primeiros a levar, com alguma seriedade, o tema ‘gay’ para o cinema. Aliás, há até vários momentos em que percebemos que a acusação, apesar de vazia e caluniosa, nunca esteve longe da verdade: Martha realmente nutria sentimentos por Karen, sem admitir isso para ninguém, incluindo ela mesma. E tão confusa ficou com tudo o que aconteceu depois que o filme acaba como acaba. O filme conta com um bom elenco, encabeçado por Audrey Hepburn e Shirley MacLaine, nos papéis das duas professoras ultrajadas. Não creio que tenha sido o melhor filme de nenhuma das duas, mas devo destacar a presença, o empenho e o dramatismo de MacLaine, que esteve verdadeiramente bem aqui. Isso não quer dizer que Hepburn não tenha correspondido de igual modo! A actriz trabalhou bem, e dá-nos uma interpretação bem feita, mas não era o filme nem o material ideal para a actriz. Também James Garner fez um bom trabalho, colaborando muito bem com Hepburn, e Miriam Hopkins trouxe para o filme alguma dose de loucura, ao dar à sua personagem um toque de nonsense, desprovido de verdadeira malícia. Fay Bainter, por fim, é bastante credível no papel de uma avó rica, cínica e egoísta. Tecnicamente, o filme apresenta um ritmo regular e bem trabalhado, uma direcção segura assinada por William Wyler e uma cinematografia a preto-e-branco muito bem feita. Todo o trabalho de filmagem foi conduzido com competência e segurança, e o filme é nítido, tem um contraste agradável e cenários relativamente bem feitos.

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