Mortdecai: A Arte da Trapaça
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Mortdecai: A Arte da Trapaça

Mortdecai: A Arte da Trapaça

Tipo

Filme

Ano

2015

Duração

107 min

Status

Released

Lançamento

2015-01-21

Nota

5.5

Votos

2.745

Direção/Criação

David Koepp

Orçamento

US$ 60.000.000

Receita

US$ 47.318.560

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Armado apenas com sua boa aparência e encanto especial, o negociador de arte Charles Mortdecai embarca em uma viagem ao redor do mundo, para tentar recuperar uma pintura roubada, que segundo rumores, possui um código de uma conta bancária nazista.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme melhor do que as críticas deixariam prever, mas que peca pelo exagero, pela confusão do roteiro e pela sexualização excessiva das personagens e situações.** David Koepp devia estar muito confiante quanto a este projecto. Para fazer este filme, foi buscar uma personagem pouco conhecida de uma série de romances de Kyril Bonfiglioli, autor que só será conhecido pelos ingleses ou por quem falar inglês como idioma nativo. Eu nunca encontrei os livros deste autor em Portugal. O filme foi um enormíssimo fracasso financeiro e de crítica, e eu estava com receio do que ia encontrar, mas a verdade é que o achei razoável. O filme começa por nos apresentar, na voz do protagonista, as personagens centrais da trama: o negociante de arte Charlie Mortdecai, um aristocrático bon vivant, a sua bela esposa e o seu fiel capanga Jock, durão e excessivamente viril. A partir daqui, acompanhamos o protagonista numa aventura em busca de uma pintura desaparecida que pode ser uma tela de Francisco de Goya, com um passado associado aos Nazis e há muito dada como perdida. Esta comédia faz um enorme esforço para ser o mais engraçada possível e aposta tudo numa espécie de comédia de exageros, em que cada personagem é caricaturada e tudo o que acontece é levado ao absurdo: Mortdecai, por exemplo, não é só um “marchant d’art”, ele é um aristocrata falido com tiques de grandeza e um fétiche pelo seu bigode (tudo bem, eu mesmo já usei bigode, e até era um estilo parecido, mas eu nunca deixei que o bigode me usasse a mim, se é que me entendem). Da mesma forma, Jock é transformado num mafioso e atleta sexual. O exagero dá resultado: é impossível não rir do absurdo. O exemplo mais evidente é a forma como Mortdecai insulta os EUA quando o trata como se ainda fosse uma colónia britânica pouco civilizada. O problema do exagero é que não funciona se for excessivamente utilizado: a segunda metade é muito mais fraca porque nós já sabemos o que esperar das personagens. Eu estou até disposto a perdoar isso; mais difícil de perdoar é a forma como o roteiro acaba perdido nas suas próprias reviravoltas. Terei sido o único a sentir que a história é tão confusa que nem as personagens sabem o que precisam de fazer? Também não posso perdoar a quantidade de humor sexual e piadas sobre sexo. O filme teve uma classificação parental bastante restritiva nos EUA, mas a esmagadora maioria dos outros países, incluindo Portugal, caiu na grande asneira de lhe dar uma classificação muito inferior, disponibilizando o filme ao público adolescente. A culpa não é dos produtores, é das autoridades de cada país, mas eu pergunto-me se os nossos jovens, que começam a vida sexual cada vez mais cedo e cada vez com menos consciência, precisam de mais material promotor do sexo. Já não estamos no domínio do hedonismo, isto é perversão. Apesar de ter uma série de êxitos e uma carreira sólida, Johnny Depp não está na sua melhor forma. Tendo feito este filme após outros dois fracassos, o actor estava a passar uma má fase profissional a que se associou um polémico casamento (e um divórcio, litigioso e mediático, anos depois). Não sei até que ponto a vida pessoal influiu no seu trabalho, o que posso dizer é que Depp é uma sombra de si mesmo. As piadas, o humor, os trejeitos cómicos que ele domina tão bem… tudo lhe sai de uma forma tão forçada que não tem graça. Paul Bettany, amigo pessoal de Depp e outro actor com créditos firmados, é muito mais eficaz no papel de Jock. Não foi a primeira vez que o actor fez uma personagem durona e parece-me que tem jeito para este tipo de material. É agradável ver Gwyneth Paltrow aqui: apesar da química fria e forçada com Depp, eu creio que as personagens pediam isso e Paltrow soube dar à personagem dela uma elegância e charme adicionais. Ewan McGregor dá um apoio bem-vindo, mas tem pouco para fazer. Tecnicamente, o filme tem muitas qualidades e nota-se que teve um orçamento digno do elenco que teve. A cinematografia é muito boa, com excelentes cores, luz e nitidez, e faz um uso hábil e inteligente dos efeitos e do CGI. Gostei particularmente do efeito com os aviões e os nomes das cidades, utilizado sempre que as personagens tinham de viajar. Os locais de filmagem foram bem escolhidos e os adereços e figurinos (em particular o de Depp e o de Paltrow) foram muito bem elaborados… ainda que eu não possa deixar de considerar que os fatos de Mortdecai, com uso excessivo de sedas, veludos e cores fortes, exalam um certo aroma a novo-riquismo que um legítimo aristocrata de sangue não deixaria de condenar. A banda sonora também cumpre o seu papel de modo impecável.

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