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Filipe Manuel Neto
**Um filme muito fraco e desinteressante, apesar da constelação de grandes actores.** Não sou um conhecedor da obra de Mark Twain, e tive por isso a curiosidade de ir ler algumas coisas acerca do conto original que ele escreveu depois de uma viagem que fez ao continente europeu. Pelo que li na Internet acerca do conto, eu acredito que o filme faz justiça ao material original, mas como não obtive o conto para o ler, quero deixar claro que posso estar enganado. Resumindo em pouquíssimas palavras todo o enredo, o que temos é uma história em que um pobre adolescente, a quem o pai ensinou a roubar, penetra no palácio do rei Henrique VIII e se depara com o herdeiro da coroa, o príncipe Eduardo. Os dois apercebem-se rapidamente de que são sósias idênticos e o príncipe resolve trocar de roupa com o mendigo para ambos irem a um baile mascarados. Acontece que o disfarce se revela bom demais, e o verdadeiro príncipe acaba expulso do palácio. Após algumas desventuras, ele vai obter a ajuda de um nobre que regressa ao reino após uma longa viagem, tornando-se imperativo desfazer o engano antes da coroação do novo rei, posto que, entretanto, Henrique VIII morre. A história tem o seu apelativo, mas tenho de confessar que me soou tão inverosímil e difícil de acreditar que não consegui verdadeiramente gostar dela. Perdoem-me, fãs de Twain. A somar, não fiquei agradado com o trabalho do director, Richard Fleischer. Senti que ele não imprimiu ao filme o ritmo e dinâmica mais adequadas. Tecnicamente, o filme não é muito brilhante: gostei bastante dos figurinos, muito embora não seja crível que todo aquele aparato de ouro e sedas fosse rotineiro e quotidiano, mesmo para a realeza da época. E gostei igualmente dos cenários utilizados, que nos colocam no ambiente da época de maneira muito rápida, tanto nos salões da corte quanto nos ambientes onde vivem os pobres e os marginalizados. A banda sonora, por vezes um pouco estridente, funciona razoavelmente. Infelizmente, a cinematografia tem muita luz e não gostei muito dela, no geral. Deixei o elenco para o fim porque senti, ao longo do filme, que havia uma enorme dissonância entre os vários actores, algo que, associado à má direcção, pode ajudar a entender porque é que o filme foi um fracasso. Há muitos nomes sólidos e bem conhecidos do público da época, porém nem sequer isso contribuiu para convencer as pessoas a pagarem o bilhete e verem-no. Temos, todavia, boas interpretações que, por ironia ou por culpa da má concepção do roteiro, caiem nas personagens mais indigestas do filme. Oliver Reed é o actor mais impactante e deixa-nos bem impressionados, mas a personagem é soberba e fanfarrona. Ernest Borgnine também faz um bom trabalho e é muito convincente, mas é impossível gostar de John Canty e o actor não tem muito o que fazer para além de ser detestável. Rex Harrison tem um papel interessante e é bom no que faz, mas aparece muito pouco. O resto dos actores não consegue aproveitar o que recebe: Charlton Heston quase que se apaga a si mesmo, Raquel Welch não tem rigorosamente nada para fazer e nunca se comporta como uma dama, Mark Lester é um fraco protagonista e é incapaz de convencer.
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