
Tipo
Filme
Ano
2009
Duração
112 min
Status
Released
Lançamento
2009-09-09
Nota
6.0
Votos
2.226
Direção/Criação
Oliver Parker
Orçamento
-
Receita
US$ 4.706.919
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Jovem da alta sociedade, faz um pacto demoníaco para ter juventude eterna enquanto uma pintura de seu retrato envelhece. Com o tempo, sua vida de abusos transforma a imagem da pintura em um monstro. Baseado no livro homônimo de Oscar Wilde.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme que conta uma boa história, mas falha em imprimir-lhe alma e alguma profundidade.** *O Retracto de Dorian Gray* é, sem dúvida, uma das obras literárias mais marcantes de Oscar Wilde. Nesse romance, acompanhamos um jovem de origens humildes, mas muito bonito numa descida aos abismos, à medida que é aceite na alta sociedade vitoriana e é corrompido graças à acção viperina de Lord Wotton e das suas teorias niilistas e hedonistas até se transformar numa pessoa totalmente diferente daquela que era inicialmente. Para mim, este é um dos romances que mais encarna as teorias niilistas e o hedonismo, o culto ao prazer e ao próprio ego, e a forma como isso corrompe e distorce as pessoas, se for totalmente desprovido de qualquer interesse pelo próximo. O filme faz um excelente trabalho ao contar a história do romance e captar a beleza decadente da era vitoriana, mas falha em criar um ambiente sinistro e tenso em redor do quadro e não explora muito a relação doentia que se desenvolve entre a pintura e o objecto retractado, isto é, e o modo como Dorian Gray ama e odeia o seu retracto, o qual, por um lado, impede a sua corrupção e envelhecimento e, por outro, lhe oferece a imagem real daquilo em que ele se vai tornar. Há muito de filosófico nisto e Wilde sabia-o. Claro, sendo um filme de entretenimento, é compreensível que o roteiro não perca tempo em considerandos filosóficos, mas por causa de tais opções eu sinto que falta um pouco mais de cérebro e de alma no filme. Assim, como está, o filme parece não conseguir aproveitar o melhor da obra literária. O elenco é bastante bom e conta com vários nomes bem conhecidos. Gostei especialmente de Colin Firth. Creio que ele foi perfeito no papel de Lord Wotton, dando-nos a imagem perfeita de um corruptor teórico, alguém que pensa muito, mas não segue as suas próprias teorias. Outro actor excelente é Ben Chaplin, que deu vida a um pintor idealista que desenvolve uma relação platónica, cheia de uma homossexualidade latente, pelo objecto pintado. Ben Barnes beneficia do facto de ser o protagonista da história, mas pareceu-me bastante amorfo no papel de Dorian Gray. Não sei se o actor foi capaz de compreender bem a personagem ou se isto foi somente um erro de casting e a produção se preocupou, apenas, em arranjar uma cara bonita para o papel. O elenco conta ainda com alguns bons actores em papéis menos notáveis, como Maryam d'Abo, Emilia Fox, Fiona Shaw e Michael Culkin. Tecnicamente, o filme é discreto e aposta fortemente na recriação da ambiência vitoriana, algo que faz com grande sucesso e algum respeito. Os cenários e figurinos são excelentes e respiram autenticidade, ainda que os detalhes possam não ser totalmente os mais correctos. O CGI está presente, mas não parece muito bom e eu teria preferido, se fosse possível, mais autenticidade e menos tela verde. A banda sonora também é esquecível, o que é verdadeiramente uma pena, dada a quantidade de peças musicais notáveis da época romântica que poderiam ter sido usadas no filme sem qualquer problema.
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