
Tipo
Filme
Ano
1992
Duração
109 min
Status
Released
Lançamento
1992-12-04
Nota
6.7
Votos
203
Direção/Criação
Fernando Trueba
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
O filme conta a história de Fernando (Jorge Sanz), um jovem anarquista espanhol que ao desertar do exército monarquista foge para o interior do país. Vagando pelo campo sem destino, acaba encontrando Manolo (Fernando Fernán Gómez), outro anarquista que se identifica com suas ideias e lhe dá abrigo. A súbita maré de sorte de Fernando ainda não acabou. Ao contrário, está apenas começando. É que Manolo é pai de quatro mulheres maravilhosas. E as irmãs, sedentas de amor e cada uma à sua maneira, vão usar de todo seu charme para conquistar o inocente visitante. Difícil vai ser controlar o desejo e escolher apenas uma delas para amar.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um conto de fadas adulto com toques de fantasia sexual reprimida.** O cinema espanhol tem uma coisa que os portugueses precisam de aprender: sabe fazer filmes agradáveis, capazes de entreter, comercialmente viáveis e, ainda assim, artisticamente bonitos e bem feitos. Este filme está longe de ser um dos melhores, e decididamente não sobreviveu ao teste do tempo: nunca teria ouvido falar dele se não tivesse encontrado o filme na Internet, por acaso. A presença de alguns actores e actrizes conhecidas ajudou-me na decisão de o ver, e até fiquei agradavelmente surpreendido ao descobrir que o filme foi filmado em Portugal (descobri isso através da locomotiva do comboio, que reconheci como portuguesa). O roteiro foi bem escrito, e tece uma comédia ligeira em torno de um soldado desertor e de uma família bastante liberal para o período em que tudo se passa, os anos Trinta do século passado. O contexto é uma Espanha em convulsão política: a monarquia, impopular e pouco querida, é cada vez mais contestada pelo povo, que deposita esperanças no socialismo e republicanismo. É assim que acontece o levantamento militar republicano de Jaca. A derrota leva Fernando, um dos soldados revoltosos, a fugir e desertar, indo parar a uma região campestre onde conhece Manolo, um idoso republicano bastante progressista, mas solitário, posto que as suas quatro filhas vivem já as suas vidas fora da casa do pai. Quando elas por fim chegam, Fernando desiste de se ir embora porque fica encantado com a beleza delas: uma delas, Clara, é viúva recente; Violeta, por sua vez, é lésbica; já Rocío está a namorar um rapaz, da região, rico, idiota e adepto das ideologias carlistas. A filha mais nova, Luz, é a mais inocente. O que se segue é um cruzamento de namoros entre cada uma das filhas do velho e o soldado desertor. Ele realmente vai para a cama com todas elas, e vai-se apaixonando por cada uma, à vez, o que tem tanto de hilário quanto de absurdo, e até mesmo de anacrónico, pois vai contra a moralidade tacanha e fechada das regiões campestres ibéricas daquela época, onde o namoro era mais social e fortemente vigiado pela família das raparigas. Isto foi o que mais me irritou no filme: a anacronia dos comportamentos e da excessiva tolerância sexual daquelas pessoas. Isto parece muito mais o produto de um qualquer fetiche sexual moderno do que uma história que se passa em 1930. Os actores fazem um trabalho razoavelmente bom: Jorge Sanz é um protagonista gentil, mas o seu desempenho como actor é bastante morno e ele acaba por ser bastante apagado pela boa performance das actrizes. Penélope Cruz e Maribel Verdú são as melhores actrizes: cada uma na sua personagem, elas dominam completamente a acção com interpretações engraçadas e bem executadas. Ariadna Gil aparece pouco, mas também se desembaraçou bem da tarefa que tinha em mãos. Miriam Diaz-Aroca por sua vez, limita-se à mediania. Fernando Fernán Gomez é um veterano que nos dá uma boa performance, mas numa personagem mal concebida. Filmado em Portugal, o filme é bastante elegante e a cinematografia funciona muito bem, posto que contribui muito para dar ao filme um visual onírico, salientando a beleza rural e a natureza. Os cenários e figurinos foram bem feitos, e transportam-nos facilmente para os anos 30. A boa banda sonora também merece um louvor, ainda que não tenha nenhuma canção memorável.
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