A Traição
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A Traição

A Traição

Tipo

Filme

Ano

1966

Duração

87 min

Status

Released

Lançamento

1966-07-02

Nota

6.2

Votos

16

Direção/Criação

田中徳三

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Um samurai ingenuamente honrado chega à amarga conclusão de que sua devoção aos princípios morais do samurai o torna uma raridade entre seus pares e, consequentemente, uma raridade muito vulnerável. Ele assume a culpa pelos delitos dos outros, com o entendimento de que será exilado por um ano e voltará às boas graças do clã depois que a situação política se acalmar. Quando a traição começa a se acumular sobre a traição, ele percebe que terá de viver sua vida como um ronin sem mestre, se não for caçado e morto.

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Reviews

Total: 1

Hayllander

Resenha: A Traição (Daisatsujin Orochi, 1966) Tokuzō Tanaka, um diretor que aprendeu o ofício como assistente de Akira Kurosawa em Rashomon e de Kenji Mizoguchi em Ugetsu, entrega em A Traição uma obra que transita entre a elegância clássica do cinema de samurai e a crueza de uma crítica social mordaz. O filme, estrelado por Raizō Ichikawa — um dos maiores nomes do cinema japonês, infelizmente falecido precocemente —, é um exemplo perfeito do subgênero "revisionista", onde os ideais de honra e lealdade são desmascarados como ferramentas de conveniência política . A Espiral da Inocência A premissa é clássica e eficiente: Kobuse Takuma (Ichikawa), um samurai ingênuo e de princípios inabaláveis, aceita assumir a culpa por um assassinato que não cometeu para proteger seu clã e seu futuro sogro. A promessa é de um exílio de um ano, após o qual sua inocência seria restaurada. No entanto, o que se segue é uma espiral descendente de traições. O conselheiro morre, o verdadeiro assassino (e agora herdeiro político) se cala, e Takuma se vê caçado não apenas pelo clã rival, mas também por seus antigos companheiros, que veem sua cabeça como a única moeda para restaurar a "honra" manchada . O roteiro explora com amargura a fragilidade da palavra empenhada. A famosa frase que resume o espírito do filme — "O que é a promessa de um samurai? Uma mentira horrível" — ecoa durante toda a projeção, transformando a jornada de Takuma em um desfile de desilusões . Atuação e Direção Ichikawa entrega uma performance memorável. Sua interpretação é contida nos momentos de drama, transmitindo a angústia interna com olhares e silêncios, e explode em uma fúria contida e exaustiva nas sequências de luta. Há um momento icônico no clímax em que, após matar dezenas de inimigos, sua espada quebra e ele precisa usar a outra mão para abrir os dedos, um a um, que ficaram presos ao cabo devido ao cansaço extremo . É uma imagem poderosa que resume o esgotamento físico e espiritual do personagem. Tanaka demonstra um controle de câmera impressionante. A fotografia em preto e branco em widescreen (scope) confere ao filme uma textura quase mitológica, com contrastes acentuados que transformam sangue, neve e sujeira em poesia visual . O Problema do Ritmo e o Clímax Inesquecível Se o filme tem um ponto fraco, é seu desenvolvimento. Aos 87 minutos, A Traição é curto, mas o segundo ato sofre com um ritmo irregular. Algumas subtramas parecem surgir apenas para empurrar a narrativa — como a amizade repentina com um camponês trapaceiro ou o encontro com uma bela mulher que o cura magicamente — que soam como elementos de filmes B da época, diluindo o potencial dramático da premissa . No entanto, todo esse acúmulo de frustração e injustiça encontra válvula de escape nos últimos 15 a 20 minutos. A sequência final é uma das mais grandiosas do cinema chanbara. Takuma enfrenta sozinho um exército de dezenas, talvez centenas de inimigos, em uma coreografia que não se apoia em sangue (o filme é surpreendentemente seco para o gênero), mas na pura exaustão e na determinação . A câmera se movimenta com os lutadores, e o uso dos cenários (escadas, carroças, poços) mantém a ação criativa e visceral até o último segundo . Conclusão A Traição não atinge o patamar filosófico de Harakiri (1962) de Masaki Kobayashi, mas também não precisa. É um filme que entende suas limitações de orçamento e tempo e as transforma em intensidade. É uma obra essencial para os fãs de Raizō Ichikawa e para quem aprecia o cinema de samurai que questiona o próprio código que pretende celebrar. É um filme que merece ser descoberto (ou redescoberto) por sua potência visual e por conter um dos finais mais eletrizantes já filmados no gênero. A recente restauração em Blu-ray pela Radiance Films finalmente faz jus à sua fotografia em preto e branco e ao trabalho de câmera de Tanaka, permitindo que um novo público aprecie este clássico cult . Nota: ★★★★ (4/5)

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