
Tipo
Filme
Ano
1960
Duração
90 min
Status
Released
Lançamento
1960-03-16
Nota
7.5
Votos
2.084
Direção/Criação
Jean-Luc Godard
Orçamento
US$ 80.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Após roubar um carro em Marselha, Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) ruma para Paris. No caminho mata um policial, que tentou prendê-lo por excesso de velocidade, e em Paris persuade a relutante Patricia Franchisi (Jean Seberg), uma estudante americana com quem se envolveu, para escondê-lo até receber o dinheiro que lhe devem. Michel promete a Patricia que irão juntos para a Itália. No entanto, o crime de Michel está nos jornais e agora não há opção. Ele fica escondido no apartamento de Patricia, onde conversam, namoram, ele fala sobre a morte e ela diz que quer ficar grávida dele. Ele perde a consciência da situação na qual se encontra e anda pela cidade cometendo pequenos delitos, mas quando é visto por um informante começa o final da sua trágica perseguição.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
PedroDiniz
Talvez o filme com melhor desenvolvimento de personagens da história! _Breathless_ (Acossado) ou no original francês _À bout de souffle_, de Jean-Luc Godard, é uma experiência que continua impressionante mesmo décadas após seu lançamento. A forma como acompanhamos Michel e Patricia vai muito além da trama policial: o que realmente prende a atenção é a construção de suas personalidades, os dialógos interessantes, desejos, contradições e conflitos pessoais. Godard transforma diálogos aparentemente simples em momentos de profunda revelação dos personagens. Cada conversa, cada silêncio e cada olhar contribuem para que eles se tornem pessoas reais, complexas e inesquecíveis. Michel é impulsivo, carismático e autodestrutivo; Patricia é enigmática, livre e constantemente dividida entre seus sentimentos e sua independência. A relação entre os dois é o verdadeiro coração do filme. A câmera livre cria uma sensação de espontaneidade que revolucionou a maneira de fazer cinema. Os movimentos parecem improvisados, os enquadramentos clássicos estão ali, mas nem sempre são perfeitos e a cidade de Paris deixa de ser apenas cenário para se tornar um personagem vivo da narrativa. O espectador não sente que está observando uma história construída em estúdio; sente que está caminhando ao lado dos personagens(Destaque também para trilha sonora, uma delicia para os ouvidos). Uma das grandes forças do filme está na parceria entre Jean-Luc Godard e o diretor de fotografia Raoul Coutard. Juntos, eles redefiniram a estética do cinema moderno ao abandonar muitas das convenções visuais do cinema clássico e buscar uma linguagem mais espontânea, dinâmica e próxima da realidade. Coutard, que havia trabalhado como fotojornalista e correspondente de guerra, trouxe para o filme um olhar documental. Em vez de grandes equipamentos e iluminação sofisticada, a equipe aproveitava a luz natural e filmava em locações reais, dando à obra uma autenticidade raramente vista no cinema da época. Um dos elementos mais marcantes dessa estética foi o uso massivo das lentes grande-angulares de 18mm e 25mm, complementadas por uma lente normal de 50mm. As lentes de 18mm e 25mm ampliavam o campo de visão, permitindo capturar não apenas os personagens, mas também a cidade pulsando ao redor deles. Isso criava uma sensação de proximidade e imersão, colocando o espectador dentro da ação. Outro aspecto revolucionário de _Acossado_ é sua montagem, especialmente o uso dos famosos jump cuts. Antes de Godard, a montagem clássica de Hollywood tinha como objetivo esconder os cortes, criando uma ilusão de continuidade perfeita para que o espectador mergulhasse na história sem perceber a linguagem cinematográfica. Em Acossado, Jean-Luc Godard faz exatamente o oposto. Os cortes são evidentes, bruscos e até "imperfeitos" segundo os padrões da época. Além de sua importância histórica para a Nouvelle Vague (Nova Onda), _Acossado_ permanece incrivelmente vivo por sua capacidade de nos conectar emocionalmente com seus personagens. É um daqueles raros filmes em que a narrativa parece existir apenas para que possamos conhecer melhor quem está em cena. Um prazer de assistir do início ao fim, não apenas por sua inovação cinematográfica, mas pela riqueza humana que carrega em cada sequência.
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