Reencontrando a Felicidade
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Reencontrando a Felicidade

Reencontrando a Felicidade

Tipo

Filme

Ano

2010

Duração

91 min

Status

Released

Lançamento

2010-12-16

Nota

6.7

Votos

650

Direção/Criação

John Cameron Mitchell

Orçamento

US$ 5.000.000

Receita

US$ 5.144.717

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Oito meses depois da morte acidental do filho de 4 anos, Howie e Becca tentam superar a dor. Howie quer guardar tudo que o faz lembrar do filho Danny, enquanto Becca quer vender a casa e recomeçar a vida. O relacionamento do casal começa a desmoronar quando Howie começa a sair com uma integrante do grupo de terapia para pais que perderam filhos e Becca procura o adolescente que causou a morte de Danny - e que também sofre com o sentimento de culpa.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme francamente bem feito, ainda que seja doloroso de ver e altamente contra-indicado para os mais sensíveis e pessoas enlutadas.** Eu não consigo conceber uma dor mais forte do que aquela que um pai, ou mãe, podem sentir ao terem de sepultar um filho. Não importam as causas de morte, deve ser como se o Mundo, Deus ou o Destino, como queiram, nos tirassem uma parte de nós sem a qual não conseguimos viver. Eu tenho de confessar, honorável leitor, que nunca passei por uma situação comparável. Só posso imaginar, e sinceramente não quero passar por isso nem desejo isso a ninguém. Sou jovem e a pessoa mais próxima que eu vi partir foi um carinhoso avô materno, cuja memória me acompanha ainda. Sofri com a saudade e aquela certeza de nunca mais o ver, mas encarei isso de modo pacífico, afinal, nenhum de nós vive eternamente e os mais velhos partem primeiro… é a natureza das coisas. Este filme aborda, precisamente, o luto por um filho ainda criança e a forma como os pais, cada um à sua maneira, vivem essa dor e vão tentando encontrar formas de a digerir. O mundo e a sociedade quase que nos obrigam a ultrapassar isso, a partir de certo momento, e a retornar à normalidade. Mas qual normalidade? Haverá “normalidade” para um pai após algo assim? São questões que merecem reflexão e que o filme deixa em aberto. Vemos aquele casal encarar as coisas de forma diferente: ele quer manter a memória do filho, quer-se sentir rodeado das coisas dele e apalpar os objectos como se parte do filho estivesse neles; ela, por sua vez, prefere desfazer-se dos objectos e até mudar de ambiente, num esforço para seguir adiante onde a raiva e a frustração são descarregadas numa série de pessoas ao redor dela. Até que ponto é a dor, e não o amor, que os une como casal? Por tudo isto, eu preciso de deixar uma nota de aviso, desaconselhando este filme para pessoas que tenham perdido alguém e estejam a passar por um luto, ou para pessoas com depressão ou que sejam mais negativas. Não é um filme fácil, é um daqueles filmes que aperta onde mais nos dói. É baseado numa peça de teatro que Nicole Kidman teve a boa ideia de levar para o cinema, sendo que o roteiro é do mesmo autor da peça. Kidman deu vida ao papel principal com grande habilidade, num trabalho profundamente psicológico e onde é perfeitamente visível o empenho da actriz australiana, que foi nomeada ao Óscar aqui. Aaron Eckhart deu vida ao pai desgostoso de uma forma pungente, cheia de coração, num dos trabalhos mais interessantes deste actor. O filme conta ainda com a colaboração, francamente positiva, de Sandra Oh, Tammy Blanchard, Diane West e Miles Teller. A produção decidiu, inteligentemente, não apostar muito em grandes recursos técnicos, dando à história e ao desempenho do elenco todo o espaço necessário para brilharem e suportarem o filme. Mesmo assim, eu queria deixar uma nota de louvor para a cinematografia, com um bom trabalho de filmagem, baixo contraste, uma paleta de cores frias e pastel e uma edição muito bem feita, que deu ao filme um ritmo mais lento que me parece perfeitamente adequado. Sem recursos visuais e sonoros espalhafatosos, tudo é elegante e discreto. O cenário da casa do casal é talvez o mais relevante, com os espaços amplos, vazios e quase impessoais da casa a serem, na prática, o espelho de uma família que deixou de existir, e de um casal cada vez mais distante.

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