Eterno Amor
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Eterno Amor

Eterno Amor

Tipo

Filme

Ano

2004

Duração

133 min

Status

Released

Lançamento

2004-10-27

Nota

7.3

Votos

1.307

Direção/Criação

Jean-Pierre Jeunet

Orçamento

US$ 47.000.000

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Mathilde (Audrey Tautou) e Manech (Gaspard Ulliel) cresceram juntos e descobriram o amor. A 1ª Guerra Mundial os separa. Ao fim da guerra Mathilde faz uma incansável busca para encontrar Manech.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Imperdível para quem quiser um bom filme sobre a Primeira Guerra Mundial.** Recentemente, e fruto do seu centenário, os filmes com temáticas em redor da Primeira Guerra Mundial voltaram a ser alvo de maior interesse. Feito em 2004, este filme está longe desse tipo de fenómeno cíclico, em que nos lembramos das coisas no aniversário delas, e tem tanto de bom que é difícil saber por onde começar. O roteiro é simplesmente soberbo e faz inveja a muitos filmes sem história para contar: durante a Batalha do Somme, cinco soldados franceses são condenados à morte por, alegadamente, se terem baleado nas mãos de maneira a serem afastados do combate. O filme rapidamente nos dá a conhecer que há, entre este grupo de condenados, alguns que foram vítimas de acidentes com as suas próprias armas, e cada um tem a sua própria história de vida antes da guerra. Um deles é particularmente aguardado pela sua noiva… porém, após a guerra, e contra tudo o que é mais lógico, ela continua em busca dele, convencida de que ele está vivo algures, e conduz um verdadeiro trabalho de detective para o encontrar. O trabalho de Jean-Pierre Jeunet é excelente. Ele já havia merecido uma ovação com *O Fabuloso Destino de Amelie*, o seu filme de consagração internacional, mas este filme consegue ser ainda melhor, porque é mais complexo em todos os aspectos sem perder a qualidade, a frescura e o ritmo que sentimos em *Amelie*. O filme é absolutamente obrigatório para quem quer ver algo sobre a Primeira Guerra Mundial, na medida em que respeita cuidadosamente o rigor histórico e recria, com boas doses de precisão, o ambiente das trincheiras: materiais, fardamentos, armas, tudo parece conforme ao período e ao ambiente. A cidade de Paris também foi recriada com carinho pelo director, que nos dá o ambiente de uma cidade, e uma sociedade, ainda a digerir tudo aquilo que lhe aconteceu. Audrey Tautou, quase a musa de Jeunet, é novamente a estrela deste filme e volta a superar-se num trabalho magnífico de interpretação. Ela é realmente uma das melhores actrizes francesas da actualidade, e traz-nos uma personagem cheia de sentimento, de força e de persistência, que tece um elegante contraponto com a aparente fragilidade do seu corpo doente e franzino. Para além dela, o filme conta com o trabalho excelente de Gaspard Ulliel, Dominique Pinon e Marion Cotillard. Gostaria de dar um destaque especial ao desempenho de Ticky Holgado, que não podia ser mais espirituoso e engraçado do que é, assim como ao cameo honroso de Jodie Foster, uma veterana de Hollywood que Jeunet importou, em boa hora, para um papel menor mas que ela faz com dedicação, com empenho e profissionalismo, além de um sotaque francês impecável e digno de um falante nativo da língua. Como diz o povo, não há pequenos papéis, n’est ce pas? Apesar da história excelente, do trabalho notável do elenco, da direcção atenta, o filme conta também com valores de produção caros e de enorme qualidade, principalmente tendo em conta que não é um filme oriundo de Hollywood. A cinematografia merece uma nota muito particular, com um soberbo trabalho de filmagem, soberbas cores com toques de sépia e estilização vintage além de uma edição atenta e cuidadosa. As cenas de batalha foram muito bem feitas, os cenários e os figurinos são perfeitos e a atenção aos mínimos detalhes é algo que não escapa ao olhar do espectador. Outro ponto que quero destacar é a escolha criteriosa dos locais de filmagem, muito particularmente as filmagens na costa rochosa, onde o bucolismo campestre se casa muito bem com a natureza indomável e brava do Atlântico. Por fim, uma nota de louvor para a excelente banda sonora, composta por Angelo Badalamenti, que já conhecemos da colaboração em filmes como *Veludo Azul* ou *Mulholland Drive*.

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