
Tipo
Filme
Ano
2018
Duração
132 min
Status
Released
Lançamento
2018-05-19
Nota
6.7
Votos
1.069
Direção/Criação
Terry Gilliam
Orçamento
US$ 19.116.000
Receita
US$ 2.433.457
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
O publicitário Toby viaja até a Espanha para uma filmagem e recebe um filme amador de um cigano desconhecido. Maravilhado com a obra, ele em busca da origem do filme e acaba saltando no tempo diretamente para o século XVII, onde encontra o mítico cavaleiro de La Mancha, Dom Quixote e acaba sendo confundido com Sancho Panza.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um imbróglio surrealista de realidade e imaginação num filme que parecia enguiçado.** Vi este filme recentemente e fiquei bastante satisfeito: é a história de um cineasta que procura fazer um filme em Espanha O filme adapta a história de Dom Quixote e acaba sendo um remake de um trabalho inicial de juventude, que ele produziu como cineasta independente. No entanto, ele sente-se desinspirado e encara os esforços da equipa e elenco com grande cinismo até ao dia em que conheceu um sapateiro espanhol que perdeu o juízo e acredita ser realmente Dom Quixote. Este contacto, associado com a memória do filme original, levam-no a entrar numa surreal catadupa de alucinações e sonhos em que a realidade e o onírico se fundem. Após ver o filme, verifiquei com surpresa que demorou duas décadas a ficar pronto devido a uma sucessão de azares e problemas que foram impedindo a produção e as filmagens, e que incluíram acidentes com o elenco e os actores, dificuldades para ter acesso a financiamento, problemas climatéricos e até enchentes. Apesar da presença de vários actores importantes do cinema norte-americano e europeu (Adam Driver, Olga Kurylenko, Stellan Skarsgård ou Jonathan Pryce), o filme é, na verdade, o fruto de uma co-produção onde entraram a Espanha, Portugal e França: as filmagens, divididas entre Espanha e Portugal, passam pelas Ilhas Canárias, por Navarra e até pela cidade portuguesa de Tomar. Terry Gilliam, o teimoso director, não só quebrou o enguiço que o perseguia como deu ao filme um leve toque autobiográfico na personagem central, que na minha opinião expressa as frustrações que ele sentiu com este projecto. Não será nunca um dos melhores filmes do director, nem é tão bom que possa tornar-se obrigatório para os admiradores da sétima arte, mas a verdade é que o filme logrou cumprir o que se propunha fazer e oferece-nos uma história interessante. Não é um filme que devamos tentar entender de modo lógico, tem muito de surreal e de bizarro, então o melhor a fazer é aceitá-lo como ele é: uma confusão entre real e imaginário onde somos simplesmente convidados a acompanhar a personagem principal: se ele fica confuso sobre o que vê, nós também vamos ficar. O filme tem imensos momentos de alívio cómico que funcionam muito bem. O final, no entanto… deixa-nos com aquela sensação de que poderia ser muito melhor do que é. A nível técnico, o filme é impecável e não nos dá qualquer razão para grandes queixas. A fotografia é elegantemente trabalhada, desde o trabalho de filmagem ao tratamento da cor e da luz; há vários efeitos visuais e sonoros que merecem um louvor, ajudando a tornar o filme mais estranho e mais envolvente. A banda sonora não faz muito pelo trabalho final, eu achei-a um pouco apagada e desinteressante, mas não me importei com isso porque me pareceu que o filme não pedia algo mais vigoroso ou notável. Quanto ao elenco, o filme traz-nos uma série de grandes actores, que todos conhecem, misturada com actores espanhóis e portugueses menos conhecidos, mas de grande qualidade. Como sou português, fiquei particularmente orgulhoso por não só ver que a cidade de Tomar foi um dos locais de filmagem, mas que também há portugueses na equipa técnica e elenco. O destaque é, claramente, Joana Ribeiro, que interpretou Angelica, o interesse romântico da personagem principal, e que nos deixa aqui um dos seus melhores trabalhos internacionais, mas pude reconhecer também Filipa Pinto, Lídia Franco, Maria d’Aires e Bruno Schiappa. Os espanhóis Sergi López, Jorge Calvo, Jordi Mollà e Óscar Jaenada também estão neste filme e contribuem como podem. O roteiro, de facto, concentra-se tanto nas duas personagens centrais que sobra pouco para o restante elenco! Stellan Skarsgård ou Olga Kurylenko, actores que costumam ser bastante bons no que fazem, parecem estar aqui simplesmente para poder afirmar que trabalharam com Gilliam. Assim sendo, concentremo-nos também neles: Adam Driver, um actor muito bom e de que todos, provavelmente, já vimos algum trabalho, está totalmente à vontade com o material e deixa-nos um dos seus melhores trabalhos dramáticos. A sua confusão é de tal modo crível que me interroguei se o actor estava verdadeiramente a entender o que ia fazendo. O arco evolutivo da sua personagem é o aspecto que merece um maior destaque, na medida em que realmente aprende alguma coisa importante aqui. Por sua vez, Jonathan Pryce dá vida ao sonhador que acredita ser Dom Quixote e parece estar a divertir-se bastante com a personagem e o que lhe é pedido.
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