A Mulher Faz o Homem
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A Mulher Faz o Homem

A Mulher Faz o Homem

Romance, drama, risadas e desgostos amorosos... criados a partir do coração e do solo da América!

Tipo

Filme

Ano

1939

Duração

129 min

Status

Released

Lançamento

1939-10-19

Nota

7.8

Votos

1.178

Direção/Criação

Frank Capra

Orçamento

US$ 1.500.000

Receita

US$ 9.600.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Ingênuo homem do interior (James Stewart) é convidado para preencher uma vaga no Senado dos Estados Unidos. Aos poucos vai descobrindo o mar de lama que é o ambiente político dos comandantes de seu país. Tudo em que acredita está ameaçado. Como enfrentar esses poderosos Senadores e dirigentes políticos?

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme estranhamente actual que, usando a comédia, nos mostra bem os problemas que afectam o nosso sistema democrático.** Descobri este filme apenas há alguns dias. É bastante evidente que caiu no esquecimento total e poucas pessoas se lembram dele. Porém, vale a pena revisitá-lo. É uma comédia em que um chefe de escoteiros idealista é recrutado para o cargo de senador, deparando-se com um ambiente corrupto e onde os idealismos parecem ter desaparecido. Também há um ensaio de trama romântica entre a filha de um congressista e a personagem central, mas acho que essa parte é dispensável posto que não serve rigorosamente para nada. Apesar de ser uma comédia, o filme traz-nos mensagens muito sérias sobre as quais vale a pena reflectir. A mais evidente é a importância de lutar por valores nobres e por causas justas, não importando se são difíceis, levantam objecções ou provocam incómodos. Há uma nobreza especial nos idealistas puros, mesmo se as suas ideias são pouco exequíveis. O filme também aponta baterias contra a corrupção no sistema político, a promiscuidade entre a política e os negócios, e a forma como uns poucos homens com poder político e dinheiro controlam a comunicação social e asfixiam a liberdade de imprensa, manietando jornalistas e forçando-os a dizer as suas versões da verdade. Infelizmente, estes problemas persistem, agravaram-se e tornam o filme muito actual. Nunca a política foi tão mal frequentada como hoje; nunca a má qualidade dos políticos foi tão evidente; nunca foi tão fácil ser corrupto em cargos de poder; nunca foi tão clara a ligação entre os partidos políticos, as grandes empresas e os bancos, para onde políticos vão quando saem dos ofícios públicos. E com a quantidade de notícias falsas ou altamente manipuladas que circulam em redes sociais como fogo em mato seco, nunca foi tão fácil manipular a verdade. Por estas razões, as nossas democracias, que nos esforçamos por construir e desejamos conservar, estão gravemente doentes. Se as pessoas se dissociaram da política, enojadas com o que vêem, e não querem executar cargos políticos nem exercer o direito de voto, a culpa é nossa, que deixamos os ratos tomarem conta do navio. O filme não é subtil, ainda que nunca se fale em partidos políticos nem estados norte-americanos, e se faça um aviso claro de que a história é absoluta ficção. Consigo, portanto, compreender a péssima reacção que suscitou entre os políticos e o aparelho partidário, mas não deixa de ser curioso que tenha sido banido nas ditaduras europeias (não sei se chegou até Portugal, mas foi banido da Alemanha Nazi, da Itália Fascista e da Espanha Franquista), receosos de que o filme mostrasse as vantagens do sistema democrático. De facto, e apesar de terminar bem, o filme mostra antes as fraquezas mais sérias. Também não entendi por que razão é que os Escoteiros dos EUA se negaram a ser associados ao projecto, considerando que o filme passa uma imagem francamente boa deles! Indicado a onze Óscares na cerimónia de 1940, era um dos favoritos daquele ano, mas só arrecadou a estatueta de Melhor Roteiro Original, o que o torna num dos derrotados da noite. Com uma excelente cinematografia e um incrível trabalho de cenários e de figurinos, foi uma das grandes apostas do estúdio naquele ano. O número de actores de renome entre o elenco é bastante assinalável e mostra o empenho e o orçamento disponíveis para todo o projecto. James Stewart sabia bem o quão importante poderia ser para a sua carreira, e o seu empenho foi total, brindando-nos com um dos trabalhos mais intensos que fez. A seu lado, a simpática Jean Arthur assegura uma presença feminina forte e impactante. Claude Rains e Edward Arnold também merecem um louvor pelo trabalho feito neste filme, assim como Harry Carey, que dizia mais com um sorriso do que com um discurso completo.

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