Festa de Família
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Festa de Família

Festa de Família

Cada família tem um segredo.

Tipo

Filme

Ano

1998

Duração

105 min

Status

Released

Lançamento

1998-06-19

Nota

7.7

Votos

1.241

Direção/Criação

Thomas Vinterberg

Orçamento

US$ 1.300.000

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

O patriarca Helge traz toda a família para o seu hotel, para comemorar seu aniversário de sessenta anos. A festa era apenas uma típica comemoração burguesa até o filho mais velho do aniversariante fazer o seu discurso de homenagem ao pai e revelar uma história doméstica que ninguém poderia esperar.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme cru, visualmente inestético, com uma história incapaz de chegar ao público.** O cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg teve, com este filme, a sua estreia com longas-metragens cinematográficas, e fez um grande sucesso logo à partida. No entanto, quer-me parecer, após o ter visto, que é um filme algo sobrevalorizado. É bom, e é bem feito, mas não é memorável nem é assim tão original. É um filme de autor, algo independente, feito com grande empenho de todos os envolvidos, e isso é louvável nos dias actuais, em que o cinema é uma indústria dominada por grandes empresas multimilionárias. Mas não é um filme que mexa com o meu pensamento e o meu coração de maneira a querer voltar a vê-lo novamente. A trama apresenta-nos um enredo pouco original que já foi explorado por outros autores e cineastas: uma família rica que se reúne a fim de celebrar alguma coisa irrelevante para a trama, visto que a festa logo se torna num carnaval de discussões, brigas e conflitos à medida que cada personagem revela os segredos de outras, e as suas próprias imperfeições morais e problemas psicológicos ou mentais. Já vimos outros filmes com coisas assim, é algo recorrente e o filme não acrescenta mais nada. Mesmo assim, é preciso reconhecer que Vinterberg, que assina o argumento escrito em cooperação com Mogens Rukov, faz tudo bem feito e a história é bem escrita e desenvolvida. O grande problema desta trama é a sua excessiva crueza: o público não tem nenhum motivo para criar empatia com estas personagens terríveis, e não há realmente nada para gostar aqui. Em consequência, senti, eu mesmo, que perdi boa parte do meu interesse naquilo que estava a acontecer ali: fiquei apenas, como um voyeur, a ver tudo sem me importar com nada. A nível técnico, o filme é largamente condicionado pelo baixo orçamento disponível para a produção. Vinterberg contornou a questão tanto quanto possível, imprimindo ao filme um estilo documental, utilizando câmaras de mão para a filmagem, sem banda sonora ou iluminação artificial, com muitas cenas em que o exterior é largamente aproveitado e uma pós-produção ligeira, com um mínimo de cortes. As iniciativas lograram reduzir os custos financeiros, mas acabamos por ter um filme grosseiro, visualmente inestético, com uma cinematografia tremida que, por mais intencional que seja, é cansativa para o nosso olhar. A ausência de uma banda sonora, ainda que mínima, também me incomoda, é como se o filme se apresentasse despido. Também o achei excessivamente longo para a trama que é apresentada. Quanto ao elenco, esmagadoramente dinamarquês, conta com actores de qualidade deste país. Eu não conheço nenhum deles e a verdade é que o cinema dinamarquês, assim como o cinema do meu país, Portugal, carece de qualquer projecção capaz de internacionalizar a qualidade dos seus actores que, por isso, são obrigados a procurar projectos falados em língua inglesa, europeus ou norte-americanos. Ulrich Thomsen será talvez um dos actores mais fáceis de identificar, na medida em que já deu esse passo para a internacionalização. Neste filme, ele deixa-nos um trabalho bem feito, ainda que Thomas Bo Larsen roube as nossas atenções sempre que aparece em cena, em boa medida devido à brutalidade dura da personagem, a quem o actor conferiu uma aura de loucura. Henning Moritzen deixa-nos igualmente um trabalho bem feito, ainda que mais discreto, e Paprika Steen e Trine Dyrholm merecem uma nota mediana, mas positiva.

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