
Tipo
Filme
Ano
2015
Duração
129 min
Status
Released
Lançamento
2015-11-06
Nota
7.8
Votos
8.721
Direção/Criação
Tom McCarthy
Orçamento
US$ 20.000.000
Receita
US$ 98.690.254
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Um grupo de jornalistas do Spotlight descobre documentos que provam crimes sexuais cometidos por padres contra crianças. Eles preparam uma série de reportagens reveladoras, evidenciando os abusos cometidos por sacerdotes da Igreja Católica.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme excelente, mas que faz uma associação errónea entre celibato clerical e pedofilia.** Este é um dos filmes mais interessantes que vi nos tempos recentes. O roteiro assenta em factos reais, nomeadamente a investigação jornalística que levou a público o escândalo de abusos de menores na Arquidiocese Católica de Boston, EUA. Contudo, o filme vai mais longe e estabelece até leves ligações entre a investigação feita nos EUA e escândalos similares que têm acontecido em diversos outros países. Sou historiador, mas também sou funcionário da Igreja Católica. Não sou padre, mas trabalho com muitos sacerdotes e sou amigo de alguns, assim como de imensas pessoas que vão à missa diariamente. Então, tenho uma visão do interior da Igreja que a maioria das pessoas não tem. E a Igreja, apesar de ser universal, é também frágil e tem um medo crescente do que possam dizer dela. É compreensível: a força da Igreja reside nas pessoas que vão à missa, fazem ofertas, ajudam nas obras de caridade e colaboram com ela. E a verdade é que, apesar do peso que a Igreja ainda possui, ela tem sido questionada em áreas do mundo tradicionalmente católicas como o Mediterrâneo, a América Latina e partes dos EUA. Cada vez são menos os baptizados e casamentos, o peso social do clero é menor, cada vez há menos candidatos ao sacerdócio e o número de praticantes diminuiu. A Igreja é forte e é poderosa, mas está cada vez mais isolada e desprestigiada. Isto é preocupante para os católicos e sim, o medo da opinião pública explica a forma como a Igreja tenta resolver problemas internos com o mínimo de ondas. O filme mostra a forma como um cardeal escondeu o que se passava… e ele errou de facto. O que ele deveria ter feito era suspender os sacerdotes e permitir que, não como clérigos, mas como cidadãos, respondessem pelos seus actos. Se fossem condenados pela lei civil, seriam também castigados pela justiça canónica. Isso teria sido o ideal, mas sempre deixando que seja o homem, e não o padre, a responder pelos seus actos. A questão do celibato dos padres é abordada no filme como uma das causas para o abuso de menores, e o filme realmente liga as coisas como se existisse uma relação. Eu não acredito nisso. É verdade que os padres nunca foram exemplares na castidade, mas também é verdade que isso é uma regra imposta ao clero há mais de mil anos e qualquer seminarista sabe que vai ter de a cumprir ou, pelo menos, ser discreto quando resolver quebrá-la. A Igreja não expulsa os padres que caiam na tentação com uma mulher, mas convida-os a pensar no que querem e exige que assumam as suas responsabilidades. O pecado atinge todos, todos somos pecadores, mas o que a Igreja exige é coerência e honestidade. Quanto aos abusos de menores… não se justifica o que é injustificável. O mal pode ser perdoado, nunca justificado. Justificar o mal é dar-lhe uma base para o tornar menos mau. Justificar o abuso de menores com o celibato implica pensar que isso vai acabar se os padres casarem. Mas há imensos homens casados que abusam de crianças, até no seio das suas famílias. A verdade é simples: há pessoas com instintos e inclinações sexuais incorrectas ou criminosas, e algumas dessas pessoas procuraram refúgio na Igreja. Mas ela nunca foi a única nem a principal saída para pessoas assim, e elas vão continuar a existir com ou sem um clero católico celibatário. O filme conta com um excelente elenco onde eu destacaria, pela qualidade do trabalho feito, os nomes de Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAddams e Liev Schreiber, os quais deram vida aos jornalistas de investigação da revista Spotlight, do jornal Boston Globe. Outro actor que gostei de ver aqui foi Stanley Tucci, no papel de um advogado que trabalhava com os padres que eram acusados. O filme aproveitou muito bem o material original e os factos reais em que se baseia, e cria uma história verdadeiramente boa pela forma como acompanha os esforços dos jornalistas para irem descobrindo cada vez mais sobre os abusos de menores e a posição do cardeal local. O ritmo do filme, deliberadamente lento, permite que ele se vá construindo gradualmente sem perdermos o fio condutor da história. A ausência de grandes efeitos, de uma cinematografia muito vistosa ou de uma banda sonora demasiado incisiva permite que nos foquemos na história e no trabalho do elenco. E isso foi uma opção consciente e inteligente da produção, que sabia ter em mãos o necessário para construir um filme excelente dispensando os artifícios estilísticos e dando quase uma nota de documentário a um filme que é largamente ficcional.
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